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CID L40: Psoríase
L400
Psoríase vulgar
L401
Psoríase pustulosa generalizada
L402
Acrodermatite contínua
L403
Pustulose palmar e plantar
L404
Psoríase gutata
L405
Artropatia psoriásica
L408
Outras formas de psoríase
L409
Psoríase não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A psoríase é uma doença inflamatória crônica, imunomediada, que afeta predominantemente a pele e articulações, caracterizada por hiperproliferação e diferenciação anormal dos queratinócitos. Sua patogênese envolve interações complexas entre fatores genéticos, imunológicos e ambientais, com ativação de vias imunes inatas e adaptativas, particularmente a via Th17/IL-23, levando à produção de citocinas pró-inflamatórias como TNF-α, IL-17 e IL-22. Clinicamente, manifesta-se por placas eritematosas bem demarcadas, cobertas por escamas prateadas, resultantes do turnover epidérmico acelerado. A psoríase tem impacto significativo na qualidade de vida, associando-se a comorbidades como artrite psoriásica, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e depressão. Epidemiologicamente, apresenta prevalência global de 1-3%, com variações regionais, e início bimodal (pico entre 20-30 e 50-60 anos), sem predileção por gênero.
Descrição clínica
A psoríase é uma dermatose crônica recorrente, com lesões cutâneas típicas consistindo em placas eritematosas, simétricas, bem delimitadas, recobertas por escamas aderentes de cor prateada ou esbranquiçada, que ao serem raspadas revelam o sinal de Auspitz (pontos hemorrágicos). As localizações mais comuns incluem cotovelos, joelhos, couro cabeludo e região lombossacra. Pode apresentar variantes clínicas, como psoríase em placas (vulgar), gutata, inversa, pustulosa e eritrodérmica. A artrite psoriásica ocorre em até 30% dos pacientes, com envolvimento articular assimétrico, dactilite e entesite. O curso é imprevisível, com exacerbações desencadeadas por fatores como infecções, estresse, trauma (fenômeno de Koebner) e medicamentos.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme o subtipo: psoríase em placas (lesões eritemato-escamosas estáveis), gutata (múltiplas pápulas pequenas após infecção), inversa (lesões em dobras, sem escamas), pustulosa (pústulas estéreis) e eritrodérmica (eritema generalizado). Sintomas incluem prurido, queimação e dor, com possível envolvimento ungueal (pitting, onicólise, hiperqueratose subungueal) e articular. A artrite psoriásica pode causar dor, edema e rigidez articular, com padrões oligoarticular, poliarticular ou axial. Exacerbações são comuns, com piora no inverno e melhora com exposição solar.
Complicações possíveis
Artrite psoriásica
Inflamação articular destrutiva, levando a dor, deformidades e incapacidade funcional.
Doenças cardiovasculares
Aumento do risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e aterosclerose, devido à inflamação sistêmica crônica.
Síndrome metabólica
Associação com obesidade, dislipidemia, resistência à insulina e diabetes mellitus tipo 2.
Depressão e ansiedade
Impacto psicossocial significativo devido ao estigma, prurido e cronicidade da doença.
Eritrodermia psoriásica
Eritema generalizado com perda da função de barreira cutânea, podendo levar a desidratação, infecções e instabilidade hemodinâmica.
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Prevalência global de 1-3%, com variações geográficas (maior em populações do norte da Europa). Incidência bimodal, com picos na segunda e quinta décadas de vida. Não há predileção por gênero. Fatores de risco incluem história familiar (herança poligênica), obesidade, tabagismo, infecções e estresse. No Brasil, estima-se que afete 1-2% da população.
Prognóstico
O prognóstico da psoríase é variável, com curso crônico e recidivante. A maioria dos casos é controlável com terapia tópica e sistêmica, mas formas graves podem levar a incapacidade permanente, especialmente com artrite psoriásica. Comorbidades cardiometabólicas aumentam a morbimortalidade. Intervenções precoces e manejo integral melhoram a qualidade de vida e reduzem complicações.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, com achados característicos das lesões cutâneas e ungueais. Critérios auxiliares incluem a presença do fenômeno de Koebner, história familiar e biópsia cutânea (hiperqueratose com paraceratose, acantose, papilomatose, infiltrado inflamatório e microabscessos de Munro). Para artrite psoriásica, utilizam-se critérios como CASPAR (Classification Criteria for Psoriatic Arthritis), que exigem evidência de doença inflamatória articular e características como psoríase atual, história familiar, dactilite, alterações ungueais ou fator reumatoide negativo.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Dermatite seborreica
Lesões eritemato-escamosas em áreas seborreicas (couro cabeludo, face, tórax), com escamas amareladas e gordurosas, sem placas bem demarcadas ou sinal de Auspitz.
UpToDate
Líquen plano
Pápulas violáceas, poligonais, pruriginosas, com estrias de Wickham, frequentemente em punhos e mucosas, sem escamas prateadas espessas.
PubMed
Eczema numular
Placas coiniformes, eritematosas, com vesiculação e exsudação, mais pruriginosas e sem a simetria e distribuição típicas da psoríase.
Diretrizes Brasileiras de Dermatologia
Tinea corporis
Lesões anulares com bordas ativas escamosas ou vesiculadas, centro mais claro, e confirmação por exame micológico positivo para fungos.
OMS
Pitiríase rubra pilar
Eritema generalizado com folículos pilosos queratósicos e áreas de pele poupada, evoluindo para eritrodermia, sem placas típicas de psoríase.
Micromedex
Exames recomendados
Biópsia cutânea
Coleta de fragmento de pele para histopatologia, mostrando hiperqueratose com paraceratose, acantose, papilomatose, e microabscessos de Munro.
Confirmar diagnóstico em casos atípicos ou para exclusão de outras dermatoses.
Hemograma completo
Avaliação de série vermelha, branca e plaquetária.
Identificar anemia de doença crônica, leucocitose em infecções associadas ou na psoríase pustulosa.
Velocidade de hemossedimentação (VHS) e Proteína C reativa (PCR)
Marcadores inflamatórios séricos.
Avaliar atividade inflamatória sistêmica, especialmente na artrite psoriásica.
Exames de imagem (radiografia, ultrassonografia ou ressonância magnética articular)
Avaliação de articulações, enteses e ossos.
Detectar erosões, neoformação óssea e inflamação em casos suspeitos de artrite psoriásica.
Teste rápido para estreptococo ou cultura de orofaringe
Pesquisa de infecção estreptocócica.
Identificar gatilho para psoríase gutata e orientar antibioticoterapia.
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Minimizar exposição a trauma cutâneo, estresse, infecções estreptocócicas e medicamentos desencadeantes (ex.: beta-bloqueadores).
Controle de comorbidades
Manejo rigoroso de obesidade, diabetes e hipertensão para reduzir inflamação sistêmica e risco cardiovascular.
Hidratação e cuidados com a pele
Uso regular de emolientes para manter a integridade da barreira cutânea e prevenir lesões.
Vigilância e notificação
A psoríase não é de notificação compulsória no Brasil. A vigilância é baseada em registros ambulatoriais e hospitalares para monitoramento de comorbidades e impacto na saúde pública. Programas de educação em saúde visam reduzir estigma e promover diagnóstico precoce.
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Não, a psoríase não é contagiosa. É uma doença imunomediada com base genética e fatores ambientais, não transmitida por contato físico ou aerossóis.
Dietas anti-inflamatórias (ex.: mediterrânea) e controle de peso podem auxiliar na redução da gravidade, mas não substituem terapia médica. Evidências sugerem que obesidade e consumo de álcool pioram o curso.
Não, a psoríase é uma condição crônica sem cura definitiva, mas tratamentos eficazes podem controlar sintomas, induzir remissão e melhorar qualidade de vida.
A psoríase pode melhorar, piorar ou permanecer estável durante a gravidez. O manejo requer ajuste terapêutico, evitando teratogênicos como metotrexato e retinoides; corticosteroides tópicos e UVB são geralmente seguros.
Riscos incluem atrofia cutânea, telangiectasias, estrias, supressão do eixo HPA com uso em grandes áreas, e tolerância (taquifilaxia). Uso deve ser intermitente e sob supervisão médica.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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