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CID K51: Colite ulcerativa
K510
Enterocolite ulcerativa (crônica)
K511
Ileocolite ulcerativa (crônica)
K512
Proctite ulcerativa (crônica)
K513
Retossigmoidite ulcerativa (crônica)
K514
Pseudopolipose do cólon
K515
Proctocolite mucosa
K518
Outras colites ulcerativas
K519
Colite ulcerativa, sem outra especificação
Mais informações sobre o tema:
Definição
A retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica e idiopática, caracterizada por inflamação contínua e superficial da mucosa do cólon, que se estende proximalmente a partir do reto. A fisiopatologia envolve uma resposta imune anormal à microbiota intestinal em indivíduos geneticamente predispostos, com ativação de linfócitos T, produção de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-α, IL-1, IL-6) e dano epitelial, resultando em ulcerações, sangramento e diarreia. Epidemiologicamente, a RCU tem incidência variável globalmente, sendo mais comum em regiões industrializadas, com pico de início entre 15 e 30 anos, e associação com fatores como tabagismo (proteção relativa), história familiar e dieta ocidental. O impacto clínico inclui sintomas debilitantes, risco aumentado de câncer colorretal e necessidade de manejo médico ou cirúrgico a longo prazo.
Descrição clínica
A retocolite ulcerativa manifesta-se com inflamação mucosa contínua e simétrica do cólon, iniciando no reto e podendo estender-se proximalmente sem áreas poupadas. Caracteriza-se por exacerbações e remissões, com sintomas como diarreia sanguinolenta, urgência evacuatória, tenesmo, dor abdominal em cólica e, em casos graves, manifestações sistêmicas como febre, perda de peso e fadiga. A extensão da doença é classificada em proctite (limitada ao reto), colite esquerda (atinge até o ângulo esplênico) ou pancolite (envolve todo o cólon), influenciando a gravidade e o manejo.
Quadro clínico
O quadro clínico varia de leve a grave, com diarreia sanguinolenta recorrente, urgência evacuatória, tenesmo, dor abdominal em cólica de intensidade variável, e possivelmente febre, astenia e perda de peso. Em formas graves, pode haver desidratação, taquicardia, hipotensão e sinais de toxicidade sistêmica. Manifestações extraintestinais incluem artrite, uveíte, pioderma gangrenoso e colangite esclerosante primária. A evolução é crônica, com períodos de remissão e exacerbação, podendo requerer hospitalização em crises agudas.
Complicações possíveis
Megacólon tóxico
Dilatação aguda do cólon (>6 cm) com sinais de toxicidade sistêmica, risco de perfuração e sepse; emergência médica.
Câncer colorretal
Risco aumentado com duração e extensão da doença, especialmente em pancolite; vigilância endoscópica regular é essencial.
Hemorragia digestiva grave
Sangramento maciço que pode requer transfusão ou intervenção endoscópica/cirúrgica.
Perfuração colônica
Complicação rara mas fatal, associada a megacólon tóxico ou doença grave não tratada.
Desnutrição e deficiências nutricionais
Perda de proteínas, vitaminas e minerais devido à diarreia crônica e má absorção.
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A RCU tem incidência anual de 1-20/100.000 e prevalência de 5-500/100.000 globalmente, com maiores taxas na Europa e América do Norte. A idade de início é bimodal (15-30 e 50-70 anos), com distribuição equitativa entre sexos. Fatores de risco incluem história familiar (risco 5-15% em parentes de primeiro grau), tabagismo (efeito protetor relativo), dieta ocidental rica em gordura e urbanização. No Brasil, dados são limitados, mas seguem tendências similares, com aumento de incidência nas últimas décadas.
Prognóstico
O prognóstico da RCU é variável, com curso crônico de exacerbações e remissões. A maioria dos pacientes responde à terapia médica, mas 20-30% podem necessitar de colectomia em algum momento, especialmente em doença refratária ou com complicações. A mortalidade é baixa em casos não complicados, mas aumenta com megacólon tóxico ou câncer. Fatores de mau prognóstico incluem início precoce, extensão pancolônica, resposta inadequada à terapia e presença de colangite esclerosante primária. Vigilância regular reduz o risco de câncer colorretal.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, endoscópicos, histológicos e de exclusão. Clinicamente, diarreia sanguinolenta persistente por mais de 4 semanas. Endoscopicamente, observa-se mucosa friável, ulcerada, com perda do padrão vascular e exsudato purulento, de distribuição contínua a partir do reto. Histologicamente, biópsias mostram inflamação crônica com distorção arquitetural, abscessos crípticos e infiltrado inflamatório predominantemente na mucosa. Critérios de Truelove e Witts avaliam gravidade: leve (6 evacuações/dia, febre, taquicardia, anemia). Exclusão de causas infecciosas é mandatória.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Doença de Crohn
Doença inflamatória intestinal com inflamação transmural, descontínua, podendo afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, com fistulas e estenoses; diferencia-se pela distribuição e características histológicas.
UpToDate: 'Differentiating ulcerative colitis from Crohn's disease'
Colite infecciosa
Causada por patógenos como Salmonella, Shigella, Campylobacter ou Clostridium difficile; geralmente aguda, com resolução espontânea ou após antibioticoterapia, confirmada por culturas ou testes toxínicos.
OMS: 'Guidelines for the management of infectious diarrhea'
Colite isquêmica
Resulta de hipoperfusão colônica, comum em idosos com comorbidades cardiovasculares; apresenta dor abdominal súbita, sangramento e segmentação no cólon esquerdo na imagem.
PubMed: 'Ischemic colitis: a clinical review'
Síndrome do intestino irritável
Distúrbio funcional com dor abdominal e alteração do hábito intestinal sem evidência de inflamação ou sangramento; ausência de marcadores inflamatórios e alterações endoscópicas.
Diretrizes Brasileiras de Síndrome do Intestino Irritável
Colite microscópica
Caracterizada por diarreia aquosa crônica com mucosa endoscópica normal, mas alterações histológicas (linfocítica ou colagenosa); sem sangramento significativo.
Micromedex: 'Microscopic colitis overview'
Exames recomendados
Colonoscopia com biópsias
Exame padrão-ouro para visualização direta da mucosa colônica, avaliação de extensão, gravidade e coleta de biópsias para confirmação histológica.
Confirmar diagnóstico, excluir outras etiologias e monitorar displasia.
Hemograma completo
Avalia anemia (por sangramento crônico), leucocitose (em atividade inflamatória) e trombocitose.
Avaliar gravidade e complicações hematológicas.
Marcadores inflamatórios (PCR e VHS)
Proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação elevadas correlacionam-se com atividade da doença.
Monitorar atividade inflamatória e resposta ao tratamento.
Pesquisa de patógenos fecais
Coprocultura, teste para toxina de C. difficile e parasitas para excluir colite infecciosa.
Diagnóstico diferencial com infecções.
Albumina sérica
Níveis baixos indicam desnutrição ou inflamação sistêmica grave.
Avaliar estado nutricional e prognóstico.
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Para detecção precoce de displasia e câncer colorretal em pacientes com doença de longa duração.
Evitar AINEs
Anti-inflamatórios não esteroidais podem exacerbar a doença; preferir alternativas analgésicas.
Adesão ao tratamento
Manter terapia de manutenção para prevenir recidivas e complicações.
Vigilância e notificação
A RCU não é de notificação compulsória no Brasil, mas a vigilância é recomendada para monitorar complicações como câncer colorretal. Diretrizes sugerem colonoscopias de vigilância a cada 1-3 anos após 8-10 anos de doença em pancolite ou colite esquerda, com biópsias seriadas para detecção de displasia. Em surtos ou casos graves, notificação de eventos adversos a medicamentos ou complicações pode ser feita à ANVISA.
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Não, é uma doença crônica sem cura definitiva, mas o tratamento pode induzir e manter remissão, controlando sintomas e prevenindo complicações. Colectomia é curativa para a doença colônica, mas não para manifestações extraintestinais.
A RCU afeta apenas o cólon de forma contínua a partir do reto, com inflamação mucosa superficial, enquanto a doença de Crohn pode envolver qualquer parte do trato gastrointestinal de maneira descontínua, com inflamação transmural, fistulas e estenoses. O diagnóstico diferencial é baseado em critérios clínicos, endoscópicos e histológicos.
Recomenda-se colonoscopia de vigilância com biópsias seriadas a cada 1-3 anos após 8-10 anos de doença, especialmente em pancolite ou colite esquerda, para detecção de displasia. Em casos de displasia de alto grau, pode ser indicada colectomia.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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