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CID J44: Outras doenças pulmonares obstrutivas crônicas

J440
Doença pulmonar obstrutiva crônica com infecção respiratória aguda do trato respiratório inferior
J441
Doença pulmonar obstrutiva crônica com exacerbação aguda não especificada
J448
Outras formas especificadas de doença pulmonar obstrutiva crônica
J449
Doença pulmonar obstrutiva crônica não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo, geralmente progressiva e associada a uma resposta inflamatória crônica das vias aéreas e do parênquima pulmonar a partículas ou gases nocivos. A DPOC engloba principalmente a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, sendo a bronquite crônica definida pela presença de tosse produtiva na maioria dos dias por pelo menos três meses em dois anos consecutivos, e o enfisema pela destruição das paredes alveolares, resultando em hiperinsuflação pulmonar. A fisiopatologia envolve inflamação neutrofílica, desequilíbrio protease-antiprotease e estresse oxidativo, levando a remodelamento das vias aéreas e perda de elasticidade pulmonar. Epidemiologicamente, é uma das principais causas de morbimortalidade global, com impacto significativo na qualidade de vida e custos em saúde, frequentemente subdiagnosticada e associada a exacerbções agudas que agravam o prognóstico.

Descrição clínica

A DPOC manifesta-se clinicamente por dispneia progressiva, inicialmente aos esforços e posteriormente em repouso, tosse crônica produtiva ou não, sibilância e opressão torácica. A limitação do fluxo aéreo é confirmada por espirometria, com relação VEF1/CVF pós-broncodilatador inferior a 0,70. O curso é marcado por exacerbções agudas, definidas como piora aguda dos sintomas respiratórios que requer alteração na medicação, frequentemente desencadeadas por infecções ou poluentes. A doença pode evoluir com complicações como hipertensão pulmonar, cor pulmonale, insuficiência respiratória e comorbidades cardiovasculares. A avaliação clínica inclui história de exposição a fatores de risco, como tabagismo, e classificação da gravidade baseada em sintomas, espirometria e risco de exacerbções.

Quadro clínico

O quadro clínico da DPOC é insidioso e progressivo, com sintomas como dispneia aos esforços que piora ao longo do tempo, tosse crônica (geralmente produtiva com expectoração mucoide ou purulenta), sibilância e fadiga. Nas exacerbções, há aumento da dispneia, volume ou purulência da expectoração, podendo incluir febre e mal-estar. Sinais físicos incluem taquipneia, uso de musculatura acessória, baqueteamento digital (em casos avançados), hiperressonância à percussão (enfisema), e sibilos ou roncos à ausculta. A cianose e edemas periféricos sugerem cor pulmonale. A gravidade é classificada por escores como mMRC (Modified Medical Research Council) para dispneia e CAT (COPD Assessment Test) para impacto na qualidade de vida.

Complicações possíveis

Exacerbações agudas

Episódios de piora sintomática, frequentemente por infecções, levando a hospitalização e declínio da função pulmonar.

Insuficiência respiratória

Hipoxemia e/ou hipercapnia crônica ou aguda, requerendo suporte ventilatório.

Cor pulmonale

Hipertrofia e dilatação ventricular direita secundária à hipertensão pulmonar, com edemas e hepatomegalia.

Pneumonia

Maior susceptibilidade a infecções respiratórias devido a comprometimento da clearance mucociliar.

Caquexia

Perda de massa muscular e peso, associada à inflamação sistêmica e aumento da mortalidade.

Epidemiologia

A DPOC é uma das principais causas de morbimortalidade global, com prevalência estimada em 10-15% em adultos acima de 40 anos, afetando cerca de 384 milhões de pessoas mundialmente. É a terceira causa de morte, responsável por mais de 3 milhões de óbitos anuais. No Brasil, a prevalência é de aproximadamente 15-20% em fumantes, com subnotificação significativa. Fatores de risco incluem tabagismo (principal), exposição ocupacional, poluição e envelhecimento. A carga econômica é alta, devido a custos diretos e indiretos com hospitalizações e incapacidade.

Prognóstico

O prognóstico da DPOC é variável, influenciado pela gravidade da obstrução (VEF1), frequência de exacerbções, presença de comorbidades e adesão ao tratamento. A taxa de declínio do VEF1 é em média 30-60 mL/ano em fumantes. A mortalidade é elevada, com sobrevida em 5 anos de cerca de 40-70% em estágios graves. Fatores de mau prognóstico incluem VEF1 baixo, hipoxemia, hipertensão pulmonar, caquexia e hospitalizações por exacerbções. Intervenções como cessação tabágica, reabilitação pulmonar e oxigenoterapia domiciliar prolongada podem melhorar a qualidade de vida e sobrevida.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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