Confira as principais informações sobre acetilcisteína e como o fármaco pode contribuir na abordagem terapêutica de diversas condições médicas!
A acetilcisteína é um medicamento da classe dos mucolíticos, ou seja, ele promove principalmente modificações nas características físico-química das secreções. Popularmente, refere-se a essa classe como expectorante.
Como seu nome sugere, sua função principal é facilitar a eliminação de secreções produzidas e armazenadas nos pulmões afim de viabilizar a qualidade da respiração diante de quadros obstrutivos.
Condições clínicas como a doença pulmonar obstrutiva crônica e a fibrose cística são algumas das doenças que podem se beneficiar com o uso de medicamentos como a Acetilcisteína.
Ele também é indicado para casos de intoxicação acidental ou voluntária por paracetamol, sendo seu antídoto.
Preparamos esse resumo com todas as informações que você precisa conhecer sobre a Acetilcisteína, incluindo seu mecanismo de ação, indicações clínicas, posologia e administração, reações adversas e possíveis interações.
Vem com a gente conferir esse guia que pode ter ajudar muito na prática clínica!
Mecanismo de ação da Acetilcisteína
Para compreender o mecanismo de ação da Acetilcisteína, deve-se lembrar sobre a produção das secreções e seus impactos na fisiologia respiratória.
A região da mucosa respiratória é fisiologicamente composta por um fluído que está em constante movimento devido a mecânica respiratória e atua como aquecedor e umidificador do ar inspirado.
Esse fluido é composto por água, mucinas, eletrólitos, proteínas, proteoglicanos e lipídios, sendo produzido em volume de até 100ml diariamente num indivíduo normal.
Dessa forma, diante de algumas patologias do trato respiratório, pode-se produzir esse muco em excesso e ocorrer uma alteração na qualidade e transporte dessas secreções. Essas patologias podem ainda alterar o movimento dos cílios presentes na mucosa.
Quando ocorre esse desequilíbrio e a secreção fica retida, podemos utilizar uma droga mucoativa para modificar alguns aspectos como:
- Produção do muco
- Secreção do muco
- Natureza e composição do muco
- Interação do muco com o epitélio ciliado
As drogas mucoativas são várias e atuam conforme esses aspectos citados acima. A acetilcisteína é a mais conhecida entre as capazes de alterarem a composição do muco na finalidade principal de facilitar sua expectoração.
Ela pode ser absorvida pela mucosa respiratória sem promover efeitos adversos ou prejudiciais. Esse fármaco passa por uma deacetilação no fígado, ou seja, o grupo acetila desse composto é removido.
A Acetilcisteína como antídoto para intoxicação por paracetamol
Em casos de intoxicação por paracetamol, a acetilcisteína atua como antídoto por substituir a glutationa, ligando-se ao metabólito tóxico. É recomendado que ela seja iniciada nas primeiras 8 a 10 horas do episódio de intoxicação.
A acetilcisteína deve ser administrada preferencialmente por via oral ou por via intravenosa nesse cenário.
É importante que pacientes com intoxicação sejam avaliados com prova de função hepática e dosagem dos níveis séricos de paracetamol.
Além disso, os sintomas iniciais de intoxicação aguda por Paracetamol são náuseas e vômitos e, como manifestações tardias, cerca de até 48h após a ingesta, percebe-se a hepatoxicidade.
Indicações clínicas do uso do Acetilcisteína
Esse medicamento é indicado como tratamento medicamentoso de condições respiratórias que cursam com muita secreção, tais quais:
- Bronquite aguda;
- Enfisema pulmonar;
- Bronquite crônica;
- Abcesso pulmonar;
- Bronquite tabágica;
- Atelectasia pulmonar;
- Broncopneumonia;
- Fibrose Cística (ou mucoviscidose).
Além disso, a acetilcisteína é recomendada em casos de intoxicação acidental ou provocada com Paracetamol.
Orientação sobre posologia e administração
A posologia e administração da Acetilcisteína depende da apresentação do fármaco, encontrada em forma de:
- Xarope, com 20mg ou 40mg;
- Granulado para solução, com 100mg, 200mg ou 600mg para uso pediátrico;
- Solução nasal tópica;
- Solução injetável, na apresentação para inalação ou uso via intravenosa, com 300 mg;
- Comprimidos efervescentes.
Pode-se encontrar esse fármaco com os seguintes nomes comerciais: Fluimucil-D©, Fluimucil©, Aires©, NAC©, Flucistein© e Rinofluimucil©.
Para pacientes portadores de doenças pulmonares com expectoração dificultosa de secreções, recomenda-se uma dose de 2 a 5ml a cada 2 a 6 horas, conforme necessário.
É possível utilizar também a dose de 600mg/dia via oral ou venosa, sendo importante não ultrapassar essa dosagem.
Dessa forma, quando necessita ser diluída, a diluição pode ocorrer em solução salina, bicarbonato de sódio ou broncodilatadores.
É importante ressaltar que não deve-se utilizar mucolíticos em menores de 2 anos de idade porque nessa faixa etária não existe a capacidade de expectoração. Além disso, pacientes com úlcera gastrointestinal configuram a outra população na qual não deve-se utilizar a acetilcisteína sob nenhuma circunstância.
Cabe destacar ainda que pacientes com asma brônquica podem fazer o uso desse medicamento, desde que observados de perto. Na ocorrência de broncoespasmo, a acetilcisteína deve ser suspensa imediatamente.
Potenciais reações adversas e riscos com relação a interação medicamentosa
A acetilcisteína não tem muitos efeitos adversos ou colaterais perceptíveis a nível sistêmico, apresentando uma boa tolerabilidade dos pacientes à sua ingesta.
Além disso, estudos mostram que não observou-se efeitos tóxicos em pacientes com hepatopatias conhecidas e que os efeitos adversos, quando surgem, estão mais presentes em superdoses ou doses com maior concentração.
Contudo, dentre os eventos adversos que podem ocorrer ocasionalmente, estão:
- Náuseas
- Anorexia
- Eructações
- Vômitos
Dessa forma, acredita-se que esses sintomas ocorrem devido ao sabor e/ou ao odor sulfuroso pelo enxofre que está em sua composição como princípio ativo. Porém, isso depende das formas de apresentação.
Interação medicamentosa
Em relação a interação medicamentosa, não está recomendado o uso concomitante dessa substância com fármacos antitussígenos devido a ação que esses medicamentos possuem na redução do reflexo da tosse.
Assim, quando o reflexo da tosse é reduzido, pode ocorrer o acúmulo de secreções brônquicas, sendo esse o motivo pelo qual sempre deve-se prescrever com cuidado e coletar a maior quantidade possível de informações do paciente, incluindo medicamentos em uso atual.
Se o paciente estiver em uso de antibióticos, recomenda-se que intercale o uso da acetilcisteína com esse medicamento, usando 2 horas antes ou depois do antibiótico. Isso porque pode ocorrer interação com alguns antibióticos, então essa medida visa garantir a eficácia do tratamento.
Quando utilizada na nebulização, indica-se que os pacientes lavem o rosto, embora, como já vimos, a hipersensibilidade seja um fenômeno raro.

Como garantir a adesão do paciente ao tratamento e acompanhar a eficiência da abordagem?
Um dos componentes mais importantes no tratamento de qualquer condição médica é a adesão do paciente ao tratamento recomendado, juntamente com uma vigilância próxima para avaliar a eficácia da terapia escolhida.
Aqui estão algumas orientações práticas para ajudar na adesão do paciente ao tratamento:
- Detalhe as instruções sobre a administração do medicamento, incluindo horários, dosagem e duração do uso.
- Faça uma revisão conjunta das instruções com o paciente, solicitando que ele diga com as próprias palavras o que compreendeu. Isso permite identificar qualquer falta de compreensão e corrigir o problema imediatamente.
- Motive o paciente e destaque a importância de seguir todas as recomendações, inclusive quando e se é necessário interromper o medicamento.
- Reforce a mensagem sobre a não automedicação e a necessidade de entrar em contato novamente caso os sintomas piorem.
- Oriente o paciente a não interromper o uso do medicamento mesmo diante de uma melhora nos sintomas. Deve-se concluir o tratamento conforme prescrito.
Alerta sobre os riscos da automedicação
É dever do médico atuar na educação em saúde junto aos seus pacientes, principalmente no que diz respeito a automedicação.
Com o fenômeno da internet e a facilidade de encontrar medicamentos, tornou-se ainda mais importante informar aos pacientes sobre os riscos da automedicação em curto, médio e longo prazo.
Para isso, é importante que você mantenha um diálogo claro com seu paciente e construa um relacionamento de confiança com ele para facilitar todo o processo de tratamento, incluindo a adesão como vimos anteriormente.
Alguns pontos que você pode explorar em sua consulta sobre o risco da automedicação incluem:
- Potenciais efeitos adversos;
- Interação medicamentosa;
- Dependência e abuso de substâncias;
- Piora do quadro clínico;
- Desenvolvimento de condição patológica associada ao medicamento utilizado sem prescrição e acompanhamento médico.
Assim, deixar o paciente bem-informado sobre esses riscos é uma forma de educação em saúde e prevenir outras condições e agravos, sendo importante que essa conduta seja parte da sua rotina como profissional de saúde.
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Sugestão de leitura complementar
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Referências
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- SCHATZBERG, Alan F. Manual de psicofarmacologia clínica. 6 ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.
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- GUYTON, A.C. e Hall J.E.– Tratado de Fisiologia Médica. Editora Elsevier. 13ª ed., 2017.
- AIRES, Margarida de Mello. Fisiologia. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019, 1376 p.
- JAMESON, L. J et al. Medicina Interna de Harrison. 20 ed. Porto Alegre: AMGH, 2020.
- GOLDMAN, L; AUSIELLO, D. Cecil Medicina. 23 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
