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CID J01: Sinusite aguda
J010
Sinusite maxilar aguda
J011
Sinusite frontal aguda
J012
Sinusite etmoidal aguda
J013
Sinusite esfenoidal aguda
J014
Pansinusite aguda
J018
Outras sinusites agudas
J019
Sinusite aguda não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A sinusite aguda é uma inflamação dos seios paranasais de duração inferior a 4 semanas, caracterizada por obstrução nasal, secreção purulenta, dor ou pressão facial, e redução ou perda do olfato. Geralmente resulta de infecção viral, bacteriana ou fúngica, frequentemente precedida por uma infecção do trato respiratório superior. A fisiopatologia envolve edema da mucosa sinusal, obstrução do óstio de drenagem, estase de secreções e proliferação microbiana, podendo levar a complicações como celulite periorbitária ou abscesso intracraniano se não tratada adequadamente. Epidemiologicamente, é uma condição comum, com incidência estimada em 10-15% da população anualmente, afetando mais adultos jovens e crianças, e associada a fatores de risco como rinite alérgica, tabagismo e imunossupressão.
Descrição clínica
A sinusite aguda manifesta-se clinicamente com sintomas como congestão nasal, rinorreia purulenta, dor ou pressão facial (especialmente em seios maxilares, frontais, etmoidais ou esfenoidais), cefaleia, tosse (frequentemente noturna), febre baixa e hiposmia. A dor pode ser exacerbada pela inclinação da cabeça para frente. Em casos bacterianos, os sintomas persistem além de 10 dias ou pioram após melhora inicial (sintomas em 'double sickening'). Exame físico pode revelar sensibilidade à palpação sobre os seios afetados, eritema nasal e secreção purulenta visível na rinoscopia anterior.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui início agudo de obstrução nasal, rinorreia anterior ou posterior (purulenta ou clara), dor ou pressão facial unilateral ou bilateral, cefaleia, tosse (especialmente em crianças), febre (geralmente <38,5°C) e redução do olfato. Sintomas podem ser acompanhados de mal-estar geral e fadiga. Em lactantes e crianças pequenas, irritabilidade e dificuldade alimentar são comuns. A duração dos sintomas é inferior a 4 semanas, com resolução espontânea em muitos casos virais.
Complicações possíveis
Celulite periorbitária
Infecção dos tecidos moles ao redor da órbita, podendo progredir para abscesso orbital e perda visual.
Abscesso intracraniano
Formação de coleção purulenta no cérebro ou meninges, resultante de extensão da infecção sinusal.
Osteomielite
Infecção do osso frontal ou maxilar, associada a dor localizada e febre persistente.
Meningite
Inflamação das meninges por disseminação direta ou hematogênica, com risco de sequelas neurológicas.
Trombose do seio cavernoso
Oclusão venosa rara, caracterizada por proptose, quimose e paralisia de nervos cranianos.
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A sinusite aguda é uma das infecções mais comuns, com incidência anual estimada em 10-15% da população geral. É mais prevalente em adultos jovens e crianças, com picos sazonais associados a infecções virais respiratórias. Fatores de risco incluem rinite alérgica (presente em até 50% dos casos), tabagismo, exposição a poluentes, e anomalias anatômicas nasais. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram alta frequência de consultas por essa condição, representando custos significativos em saúde.
Prognóstico
O prognóstico da sinusite aguda é geralmente favorável, com resolução espontânea em 70-80% dos casos virais em 7-10 dias. Em infecções bacterianas, a terapia antimicrobiana adequada resulta em melhora dentro de 5-7 dias. Complicações são raras (<2%) mas podem levar a morbidade significativa se não tratadas precocemente. Fatores como imunossupressão, comorbidades respiratórias e adesão ao tratamento influenciam o desfecho.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado em critérios clínicos, incluindo a presença de dois ou mais sintomas maiores (obstrução nasal, rinorreia purulenta, dor/pressão facial, hiposmia) ou um sintoma maior e dois menores (cefaleia, halitose, tosse, odontalgia, febre), com duração inferior a 4 semanas. A confirmação pode ser auxiliada por rinoscopia anterior mostrando secreção purulenta ou edema de mucosa. Em casos complicados ou atípicos, exames de imagem como tomografia computadorizada dos seios da face são indicados para avaliar extensão e excluir complicações.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Rinite alérgica
Caracterizada por espirros, prurido nasal e rinorreia aquosa, sem dor facial significativa ou febre; geralmente desencadeada por alérgenos.
UpToDate: Allergic rhinitis: Clinical manifestations, epidemiology, and diagnosis.
Resfriado comum
Infecção viral autolimitada com sintomas nasais proeminentes, mas geralmente sem dor facial intensa ou secreção purulenta persistente.
WHO: Common cold.
Cefaleia em salvas
Dor facial unilateral severa e periódica, associada a lacrimejamento e congestão nasal, mas sem sinais infecciosos sistêmicos.
International Classification of Headache Disorders, 3rd edition.
Neuralgia do trigêmeo
Dor facial paroxística e lancinante, desencadeada por estímulos leves, sem sinais inflamatórios ou secreção nasal.
UpToDate: Trigeminal neuralgia.
Sinusite fúngica alérgica
Apresenta-se com pólipos nasais, rinorreia espessa e hiposmia, mas geralmente de curso crônico; comum em pacientes com asma e sensibilidade a fungos.
PubMed: Allergic fungal sinusitis.
Exames recomendados
Rinoscopia anterior
Inspeção direta das cavidades nasais com espéculo nasal ou otoscópio.
Identificar secreção purulenta, edema de mucosa ou pólipos, auxiliando no diagnóstico clínico.
Tomografia computadorizada dos seios da face
Exame de imagem de alta resolução.
Avaliar opacificação sinusal, extensão da doença e excluir complicações como abscesso ou envolvimento orbital; indicado em casos refratários ou suspeita de complicações.
Cultura de secreção nasal
Coleta de amostra de secreção para identificação microbiológica.
Determinar o agente etiológico bacteriano em casos graves ou recorrentes, guiando terapia antimicrobiana.
Hemograma completo
Exame de sangue para contagem de leucócitos.
Avaliar resposta inflamatória sistêmica, como leucocitose, em infecções bacterianas.
Teste de sensibilidade olfatória
Avaliação quantitativa do olfato.
Documentar hiposmia ou anosmia, que podem ser indicativos de envolvimento sinusal.
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Lavar as mãos frequentemente para prevenir transmissão de patógenos respiratórios.
Controle de alergias
Tratamento adequado da rinite alérgica para reduzir inflamação nasal e risco de sinusite.
Evitar contato com doentes
Minimizar exposição a pessoas com infecções respiratórias agudas.
Umidificação do ar
Manter umidade ambiental adequada para preservar a integridade da mucosa nasal.
Vigilância e notificação
A sinusite aguda não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas sua vigilância é realizada indiretamente através de sistemas de monitoramento de síndromes gripais e infecções respiratórias agudas. Profissionais de saúde devem notificar surtos ou casos incomuns, como aqueles com complicações graves, às autoridades sanitárias locais para investigação epidemiológica.
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A sinusite aguda tem duração inferior a 4 semanas e geralmente é infecciosa, enquanto a crônica persiste por mais de 12 semanas e pode envolver fatores inflamatórios persistentes, como pólipos nasais ou alergias.
A antibioticoterapia é indicada em casos com sintomas persistentes além de 10 dias, piora após melhora inicial (sintomas em 'double sickening'), ou sinais de infecção bacteriana grave, como febre alta e dor facial intensa.
A sinusite em si não é diretamente contagiosa, mas os vírus ou bactérias que a causam podem ser transmitidos através de gotículas respiratórias, especialmente em infecções virais associadas.
Complicações incluem celulite periorbitária, abscesso intracraniano, osteomielite e meningite, que podem levar a sequelas graves como perda visual ou danos neurológicos se não manejadas precocemente.
Não, a tomografia é reservada para casos com suspeita de complicações, falha terapêutica, ou diagnóstico diferencial com outras condições; o diagnóstico é principalmente clínico na maioria dos episódios.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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