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CID H46: Neurite óptica

H46
Neurite óptica

Mais informações sobre o tema:

Definição

A neurite óptica é uma condição inflamatória que afeta o nervo óptico, caracterizada por desmielinização, isquemia ou infecção, resultando em perda visual aguda ou subaguda. O nervo óptico, responsável pela transmissão de informações visuais da retina ao cérebro, sofre danos que podem ser reversíveis ou permanentes, dependendo da extensão e causa da inflamação. Esta condição é frequentemente associada a doenças desmielinizantes, como a esclerose múltipla, mas também pode ocorrer de forma isolada ou em contexto de infecções sistêmicas. A neurite óptica representa uma emergência oftalmológica devido ao seu potencial de causar déficit visual significativo e requer avaliação imediata para diagnóstico diferencial e intervenção precoce. Epidemiologicamente, é mais comum em adultos jovens, com predomínio no sexo feminino, e sua incidência varia conforme a prevalência de condições subjacentes, como doenças autoimunes.

Descrição clínica

A neurite óptica manifesta-se tipicamente como perda visual unilateral aguda ou subaguda, frequentemente associada a dor ocular exacerbada pelos movimentos oculares. Os sintomas visuais incluem escotomas centrais ou paracentrais, discromatopsia (dificuldade na percepção de cores), e redução da acuidade visual que pode variar de leve a profunda. Ao exame oftalmológico, observa-se defeito pupilar aferente relativo no olho afetado, e na fundoscopia, o disco óptico pode aparecer edemaciado (papilite) ou normal (neurite retrobulbar). A evolução clínica geralmente envolve melhora espontânea em semanas a meses, mas sequelas como atrofia óptica e déficit visual residual são comuns. A condição pode ser um marcador precoce de doenças desmielinizantes, necessitando de acompanhamento neurológico.

Quadro clínico

O quadro clínico da neurite óptica inclui início agudo ou subagudo de perda visual unilateral, frequentemente descrita como visão turva ou escurecida, com piora em dias. Dor retrobulbar ou periocular, exacerbada pela movimentação ocular, está presente em mais de 90% dos casos. Sintomas adicionais podem incluir fenômenos de Uhthoff (piora visual com aumento da temperatura corporal) e fosfenos ( flashes de luz). A acuidade visual pode cair para contar dedos ou percepção de luz, e o teste de cores (como Ishihara) mostra deficiência. Na evolução, a melhora espontânea começa em 2-4 semanas, mas déficits sutis de contraste e cor podem persistir.

Complicações possíveis

Atrofia óptica

Degeneração permanente das fibras do nervo óptico, levando a déficit visual irreversível.

Baixa acuidade visual residual

Perda visual persistente após a fase aguda, afetando atividades diárias.

Recorrência

Episódios repetidos de neurite, aumentando o risco de esclerose múltipla ou outras doenças autoimunes.

Depressão e ansiedade

Impacto psicossocial devido à perda visual e incerteza prognóstica.

Epidemiologia

A neurite óptica tem uma incidência anual de aproximadamente 1-5 por 100.000 pessoas, com pico entre 20 e 50 anos e predomínio no sexo feminino (razão 3:1). É mais comum em populações caucasianas e em regiões de alta prevalência de esclerose múltipla. Cerca de 50% dos casos estão associados à EM, e 20% dos pacientes com EM apresentam neurite óptica como sintoma inicial. Fatores de risco incluem história familiar de doenças autoimunes, tabagismo e baixos níveis de vitamina D.

Prognóstico

O prognóstico da neurite óptica é geralmente favorável, com melhora espontânea da acuidade visual em 80-90% dos casos dentro de 6 meses, mas déficits sutis de contraste, cor e campo visual podem persistir. Fatores de bom prognóstico incluem idade jovem, ausência de atrofia óptica precoce e ressonância magnética cerebral normal. Em pacientes com esclerose múltipla, o risco de conversão é de até 50% em 15 anos. Intervenções como corticosteroides podem acelerar a recuperação, mas não alteram o desfecho final a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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