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CID G45: Acidentes vasculares cerebrais isquêmicos transitórios e síndromes correlatas
G450
Síndrome da artéria vértebro-basilar
G451
Síndrome da artéria carotídea (hemisférica)
G452
Síndrome das artérias pré-cerebrais, múltiplas e bilaterais
G453
Amaurose fugaz
G454
Amnésia global transitória
G458
Outros acidentes isquêmicos cerebrais transitórios e síndromes correlatas
G459
Isquemia cerebral transitória não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
As síndromes vasculares cerebrais transitórias (SVCT) referem-se a episódios transitórios de disfunção neurológica focal, resultantes de isquemia cerebral reversível, sem evidência de infarto agudo em neuroimagem. Esses eventos são caracterizados por início súbito, duração tipicamente inferior a 24 horas (geralmente minutos a horas) e resolução completa dos sintomas. A fisiopatologia envolve mecanismos como embolia arterial, hipoperfusão por estenose de grandes vasos, ou alterações hemodinâmicas, com ênfase na natureza transitória da isquemia. O impacto clínico é significativo, pois as SVCT são consideradas um importante marcador de risco para acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico subsequente, exigindo avaliação urgente e intervenção preventiva. Epidemiologicamente, são mais comuns em idosos e indivíduos com fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes e fibrilação atrial, representando uma entidade crucial na neurologia vascular.
Descrição clínica
As SVCT manifestam-se como episódios agudos de déficit neurológico focal, como hemiparesia, disartria, afasia, perda visual monocular ou alterações sensitivas, que se resolvem completamente dentro de 24 horas. A apresentação clínica varia conforme o território vascular afetado (ex.: carotídeo ou vertebrobasilar), podendo incluir sintomas como vertigem, diplopia ou ataxia em casos de circulação posterior. A ausência de sequelas neurológicas permanentes é uma característica distintiva, mas a recorrência é frequente, exigindo monitorização rigorosa.
Quadro clínico
O quadro clínico é caracterizado por início abrupto de sintomas neurológicos focais, como fraqueza ou dormência unilateral, distúrbios da fala (afasia ou disartria), amaurose fugaz (cegueira transitória monocular), ou vertigem. A duração é variável, mas geralmente de minutos a poucas horas, com recuperação completa. Sintomas associados podem incluir cefaleia, náuseas ou alterações cognitivas transitórias. A apresentação pode ser isolada ou recorrente, servindo como um sinal de alerta para AVC iminente.
Complicações possíveis
Acidente vascular cerebral isquêmico
Risco aumentado de AVC permanente dentro de dias a semanas após um episódio de SVCT, se não tratado adequadamente.
Déficit cognitivo vascular
Acúmulo de eventos isquêmicos transitórios pode levar a declínio cognitivo progressivo e demência vascular.
Recorrência de SVCT
Episódios repetidos podem ocorrer, indicando controle inadequado dos fatores de risco ou etiologia não tratada.
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As SVCT têm uma incidência anual estimada de 1-3 casos por 1000 habitantes, com maior prevalência em idosos (acima de 65 anos) e indivíduos do sexo masculino. Fatores de risco incluem hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, tabagismo e cardiopatias. A distribuição geográfica reflete a prevalência de doenças cardiovasculares, sendo mais comum em países desenvolvidos. Dados do Global Burden of Disease indicam que as SVCT contribuem substancialmente para a carga global de doenças cerebrovasculares.
Prognóstico
O prognóstico das SVCT é variável, dependendo da etiologia subjacente e da implementação de medidas preventivas. Sem tratamento, o risco de AVC isquêmico subsequente é elevado, estimado em até 10-20% no primeiro ano. Com manejo adequado, incluindo terapia antitrombótica e controle de fatores de risco, a recorrência e a progressão para AVC podem ser significativamente reduzidas. Fatores como idade avançada, comorbidades cardiovasculares e etiologia embólica conferem pior prognóstico.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se na história clínica de episódio neurológico focal de início agudo com resolução completa dentro de 24 horas, na ausência de infarto em neuroimagem (ex.: tomografia computadorizada ou ressonância magnética cerebral). Diretrizes como as da American Heart Association/American Stroke Association recomendam avaliação urgente para confirmar a natureza transitória e excluir AVC estabelecido. A confirmação pode envolver testes vasculares (ex.: ultrassonografia Doppler de carótidas) e cardíacos para identificar a etiologia.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Acidente vascular cerebral isquêmico
Episódio de déficit neurológico focal com evidência de infarto em neuroimagem, diferindo pela persistência dos sintomas além de 24 horas ou achados imageológicos.
Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: 2019 Update. Stroke. 2019;50(12):e344-e418.
Enxaqueca com aura
Sintomas neurológicos focais transitórios, como escotomas cintilantes, frequentemente associados a cefaleia, mas com evolução mais lenta e história de enxaqueca recorrente.
Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211.
Crise epiléptica focal
Eventos paroxísticos com sintomas motores ou sensitivos focais, mas tipicamente com alteração da consciência ou atividade epileptiforme no EEG, e duração mais curta.
Fisher RS, et al. ILAE official report: a practical clinical definition of epilepsy. Epilepsia. 2014;55(4):475-82.
Hipoglicemia
Sintomas neurológicos difusos ou focais, como confusão ou fraqueza, associados a baixos níveis de glicose sanguínea, com resolução após correção metabólica.
Cryer PE, et al. Hypoglycemia in diabetes. Diabetes Care. 2003;26(6):1902-12.
Tumor cerebral
Déficits neurológicos progressivos ou intermitentes, mas com evidência de massa em neuroimagem e ausência de resolução completa espontânea.
Louis DN, et al. The 2016 World Health Organization Classification of Tumors of the Central Nervous System: a summary. Acta Neuropathol. 2016;131(6):803-20.
Exames recomendados
Ressonância magnética cerebral com difusão
Exame de imagem para detectar restrição de difusão, excluindo infarto agudo e confirmando a natureza transitória do evento.
Diferenciar SVCT de AVC isquêmico e identificar lesões isquêmicas silenciosas.
Ultrassonografia Doppler de carótidas
Avaliação não invasiva do fluxo sanguíneo e detecção de estenose ou placas ateroscleróticas em artérias carótidas.
Identificar fontes emboligênicas ou doença arterial extracraniana.
Eletrocardiograma (ECG)
Registro da atividade elétrica cardíaca para detectar arritmias, como fibrilação atrial, que podem causar embolização.
Avaliar etiologia cardíaca e orientar terapia antitrombótica.
Ecocardiograma transtorácico ou transesofágico
Imagem cardíaca para identificar fontes embólicas, como trombos intracardíacos ou valvulopatias.
Detectar cardiopatias emboligênicas e guiar profilaxia.
Hemograma e coagulograma
Exames laboratoriais para avaliar plaquetas, tempo de protrombina e outros parâmetros de coagulação.
Excluir distúrbios hematológicos ou trombofílicos que predisponham a eventos isquêmicos.
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Implementação de estratégias para gerenciar hipertensão, diabetes, dislipidemia e obesidade.
Anticoagulação em cardiopatias emboligênicas
Uso de anticoagulantes em pacientes com fibrilação atrial ou outras condições de alto risco embólico.
Antiagregação plaquetária
Administração de antiagregantes como AAS em indivíduos com aterosclerose para prevenir eventos isquêmicos.
Vigilância e notificação
No Brasil, as SVCT não são de notificação compulsória obrigatória, mas a vigilância é recomendada em serviços de saúde para monitorar tendências e implementar estratégias preventivas. Programas como o SAMU e unidades de AVC devem registrar casos para melhorar o manejo precoce. A notificação voluntária pode ser feita em sistemas como o SINAN para fins epidemiológicos, com ênfase na educação sobre sinais de alerta.
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A SVCT é um episódio transitório de disfunção neurológica que se resolve completamente dentro de 24 horas, sem evidência de infarto em neuroimagem, enquanto o AVC envolve déficit persistente com infarto estabelecido.
Fatores de risco incluem hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, tabagismo, fibrilação atrial e história prévia de doença cardiovascular, todos contribuindo para aterosclerose e eventos embólicos.
O tratamento baseia-se em antiagregantes plaquetários (ex.: AAS ou clopidogrel) para a maioria dos casos, ou anticoagulantes (ex.: varfarina) se houver etiologia cardíaca emboligênica, além de controle de fatores de risco com estatinas e anti-hipertensivos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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