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Sepse: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico, tratamento e particularidades

sepse e choque séptico

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Sepse é uma disfunção orgânica (Caracterizada por SOFA ≥ 2) potencialmente fatal, causada por uma resposta imune desregulada do hospedeiro a uma infecção.

Choque séptico é definido como sepse associada à hipotensão que persiste após ressuscitação com fluidos e que necessita de drogas vasopressoras ou na presença de hiperlactatemia após reanimação volêmica adequada.

Epidemiologia da Sepse

Apesar da mortalidade global da sepse apresentar redução nos últimos 20 anos, devido a melhoria no atendimento na emergência, a incidência da síndrome aumenta, o que justifica a elevação do número de mortes ao longo dos anos.

Alguns fatores contribuem para essa tendência, como o aumento da população e da expectativa de vida, aumentando a população suscetível de pessoas com idade avançada, doenças crônicas e imunossuprimidos.

Além disso, o uso indiscriminado de antibióticos e o consequente surgimento de resistência bacteriana a essas drogas representam um desafio a mais.

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Fisiopatologia

A causa da sepse é multifatorial e inclui os efeitos diretos dos microrganismos invasores ou de seus produtos tóxicos, liberação exagerada de mediadores inflamatórios e ativação do complemento. Além disso, alguns indivíduos podem ser geneticamente propensos a desenvolver esta síndrome. 

A fisiopatologia da sepse envolve fatores pró-coagulantes, fluxo microcirculatório, com piora da hipóxia tecidual, desvio do metabolismo aeróbio para o anaeróbio e o aumento da produção de lactato. 

A resposta endotelial aumenta a quimiotaxia de células para o local da infecção, mas também promove trombose microvascular, Coagulação intravascular disseminada (CIVD), aumento na permeabilidade capilar e hipotensão. 

Se aprofunde na fisiopatologia da sepse.

Manifestações clínicas da Sepse

As manifestações clínicas são variadas e dependem do sítio inicial da infecção, idade e condições prévias de saúde do paciente e do germe causador da doença.

  • Pressão arterial reduzida na sepse grave e no choque séptico;
  • Taquicardia é frequente;
  • Tempo de enchimento capilar aumentado (>4,5s) é um indicador de hipoperfusão tecidual e é um marcador para guiar a ressuscitação com fluidos;
  • Extremidades quentes e úmidas podem ocorrer pela vasodilatação, mas os pacientes podem apresentar extremidades frias, cianose e livedo reticular;
  • A febre pode ou não estar presente;
  • Agitação, inquietação, confusão delirium e coma;
  • Achados de insuficiência cardíaca podem ocorrer tardiamente pela disfunção cardíaca própria da sepse;
  • Taquipneia, desconforto respiratório, uso da musculatura acessória;
  • Oligúria é frequente;
  • Estase, hipomotilidade e desconforto abdominal. Pode evoluir com hemorragia digestiva e isquemia mesentérica.

Diagnóstico de sepse e choque séptico

Quick SOFA (q-SOFA ou SOFA rápido: 0-3 pontos)

Objetivo: Rastreamento de pacientes com probabilidade de ter sepse.

Faz o diagnóstico precoce de sepse, sendo uma ferramenta para usar à beira do leito que identifica pacientes com suspeita/documentação de infecção que estão sob maior risco de desfechos adversos.

Critérios

  • PA Sistólica < 100 mmHg
  • FR > 22 ipm
  • Alteração Estado Mental (Glaslow < 15) 

Se Qsofa positivo, aplicar o escore SOFA que avalia disfunção orgânica.

Critério clínico da sepse

 Infecção documentada ou suspeitada e aumento agudo de ≥ 2 pontos no escore SOFA em resposta a uma infecção (representando disfunção orgânica).

Critério clínico do choque séptico

Paciente com sepse e necessidade de vasopressor para manter a pressão arterial média (PAM) acima de 65 mmHg e lactato > 2 mmol/L (18 mg/dL) após reanimação volêmica adequada. 

Tratamento da sepse e choque séptico

Em até 3 horas:

  • Deve ter uma dosagem do lactato;
  • Obter hemocultura antes da administração de antibióticos, sem atrasar a antibioticoterapia;
  • Administrar antibióticos de largo espectro;
  • Administrar 30ml/kg de cristalóide no paciente com hipotensão ou lactato >/= 4mmol/L.

Em até 6 horas:

  • Prescrever noradrenalina para manter PAM >64mmHg se hipotensão não responsiva à reposição volêmica;
  • Nova dosagem de lactato se a inicial estiver elevada. 

Resumo dos principais pontos

  • O paciente séptico deve ser identificado rapidamente;
  • Os critérios do q-SOFA são: PA sistólica < 100mmHg; FR>22ipm e alteração do estado mental;
  • As primeiras 3 a 6 horas do tratamento são essenciais e, se bem conduzidas, reduzem a morbimortalidade do paciente;
  • Ressuscitação com fluidos deve ser precoce e agressiva;
  • Coleta de culturas, antibioticoterapia precoce e controle de foco infeccioso (se necessário);
  • Não tolerar hipotensão e prescrever noradrenalina, se necessário, para manter a PAM > 65 mmHg;
  • Hidrocortisona é indicada se aumento frequente da noradrenalina ou em choque refratário a noradrenalina;
  • Vasopressina ou epinefrina são úteis no choque refratário.

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Referências bibliográficas

  • Instituto Latino-Americano para Estudos da Sepse. Sepse: um problema de saúde pública / Instituto Latino-Americano para Estudos da Sepse. Brasília: CFM, 2015.
  • Martins, HS, Brandão, RA, Velasco, IT. Emergências Clínicas – Abordagem Prática – USP. Manole, 12ª edição, 2018.
  • Martins H S, Santos R , Arnaud F et al. Medicina de Emergência: Revisão Rápida. 1ª edição. Barueri, SP: Manole, 2016.
  • Oliveira, CQ, Souza, CMM, Moura, CGG. Yellowbook: Fluxos e condutas da medicina interna. SANAR, 1ª ed, 2017.
  • Procianoy R, Silveira R. The challenges of neonatal sepsis management. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, 2020.
  • Procianoy R, Silveira R. Uma revisão atual sobre sepse neonatal. Boletim Científico de Pediatria-Vol 1, Nº1, 2012
  • Singer, M., Deutschman, C. S., Seymour, C. W., Shankar-Hari, M., Annane, D., Bauer, M., … Angus, D. C. (2016). The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). Jama, 315(8),801–10. doi:10.1001/jama.2016.0287
  • Taniguchi LU, Bierrenbach A, et. al. Sepsis-related deaths in Brazil: an analysis of the national mortality registry from 2002 to 2010. Crit Care. 2014; 5;18(6):608.

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