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CID G10: Doença de Huntington
G10
Doença de Huntington
Mais informações sobre o tema:
Definição
A Doença de Huntington (DH) é uma desordem neurodegenerativa hereditária, autossômica dominante, caracterizada pela expansão anormal de repetições CAG no gene HTT no cromossomo 4p16.3, resultando na produção de uma proteína huntingtina mutante com ganho de função tóxica. A fisiopatologia envolve degeneração progressiva dos neurônios gabaérgicos no estriado, particularmente no núcleo caudado e putâmen, levando a disfunção dos circuitos cortico-estriato-tálamo-corticais, o que se manifesta clinicamente por coreia, distúrbios cognitivos e psiquiátricos. A doença tem penetrância completa e início tipicamente na meia-idade, com curso progressivo e fatal, representando um impacto significativo na qualidade de vida e sobrevida. Epidemiologicamente, a prevalência global é de aproximadamente 2-10 por 100.000 indivíduos, com variações regionais, e não há predileção por sexo.
Descrição clínica
A Doença de Huntington apresenta uma tríade clássica de sintomas: movimentos coreicos involuntários, declínio cognitivo progressivo e distúrbios psiquiátricos. A coreia inicia-se de forma insidiosa, com movimentos irregulares, bruscos e imprevisíveis que afetam face, tronco e membros, podendo evoluir para distonia e bradicinesia em fases avançadas. Os déficits cognitivos incluem lentidão do pensamento, dificuldades de memória, funções executivas prejudicadas e, eventualmente, demência. Os sintomas psiquiátricos comuns são depressão, ansiedade, irritabilidade, apatia e, em alguns casos, psicose. A progressão é inexorável, com duração média de 15-20 anos desde o início até o óbito, frequentemente por complicações como pneumonia por aspiração.
Quadro clínico
O quadro clínico é caracterizado por início insidioso entre 30-50 anos, com coreia como sinal inicial proeminente—movimentos involuntários, rápidos e sem propósito que pioram com estresse e melhoram com o sono. Distúrbios cognitivos surgem paralelamente, com lentificação psicomotora, dificuldade de planejamento e inflexibilidade mental. Sintomas psiquiátricos como depressão (presente em até 50% dos casos), ansiedade e comportamentos impulsivos são frequentes. Em fases avançadas, ocorre rigidez, bradicinesia, disfagia, disartria e caquexia, culminando em imobilidade e dependência total. A idade de início correlaciona-se inversamente com o número de repetições CAG.
Complicações possíveis
Pneumonia por aspiração
Devido a disfagia e comprometimento da deglutição, leading to recurrent respiratory infections.
Caquexia
Perda de peso severa por hipermetabolismo, dificuldades alimentares e aumento do gasto energético.
Quedas e traumatismos
Resultantes de instabilidade postural, coreia e distúrbios de marcha.
Depressão e suicídio
Alto risco de transtornos do humor, com taxas de suicídio aumentadas.
Infecções urinárias
Frequentes em fases avançadas devido à imobilidade e disfunção autonômica.
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A prevalência global da DH é de 2-10 casos por 100.000 pessoas, com maior frequência em populações de origem europeia. A incidência anual é de aproximadamente 0,3-0,7 por 100.000. Não há predileção por sexo, e a idade média de início é de 30-50 anos, embora formas juvenis (início <20 anos) representem 5-10% dos casos. Fatores genéticos são determinantes, com herdabilidade de 100% em casos familiares.
Prognóstico
O prognóstico é reservado, com progressão inexorável e óbito geralmente em 15-20 anos após o início dos sintomas. Fatores de pior prognóstico incluem início precoce (formas juvenis), maior número de repetições CAG, e presença de sintomas psiquiátricos graves. A morte resulta tipicamente de complicações como pneumonia, desnutrição ou infecções. Intervenções multidisciplinares podem melhorar a qualidade de vida, mas não alteram a história natural da doença.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame neurológico e confirmação genética. Critérios incluem: (1) história familiar sugestiva de DH ou coreia progressiva; (2) presença de coreia característica; (3) declínio cognitivo ou psiquiátrico; (4) teste genético positivo para expansão CAG no gene HTT (≥36 repetições). A ressonância magnética cerebral pode mostrar atrofia do núcleo caudado e putâmen. Diretrizes como as da Huntington's Disease Society of America recomendam aconselhamento genético pré e pós-teste devido às implicações éticas.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Coreia de Sydenham
Coreia aguda associada à infecção por Streptococcus, comum em crianças, com história de febre reumática e melhora espontânea.
Cardoso F. Sydenham's chorea. Handb Clin Neurol. 2011;100:221-9.
Doença de Wilson
Distúrbio do metabolismo do cobre com sintomas neurológicos (tremor, distonia), hepáticos e anel de Kayser-Fleischer, autossômico recessivo.
Roberts EA, Schilsky ML. Diagnosis and treatment of Wilson disease: an update. Hepatology. 2008;47(6):2089-111.
Coreacantocitose
Doença neurodegenerativa com coreia, acantócitos no sangue, e herança autossômica recessiva devido a mutações no gene VPS13A.
Para indivíduos em risco, visando decisões reprodutivas e teste preditivo.
Diagnóstico pré-natal
Teste genético em gestações de pais com DH para detecção precoce.
Estilo de vida saudável
Embora não previna a doença, pode mitigar complicações e melhorar qualidade de vida.
Vigilância e notificação
A DH não é de notificação compulsória na maioria dos países, incluindo o Brasil. Recomenda-se vigilância por meio de registros de doenças raras e centros especializados. O aconselhamento genético é crucial para famílias afetadas, visando a detecção precoce e planejamento. Em contextos de saúde pública, a vigilância focada em complicações e qualidade de vida é incentivada.
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Não, atualmente não há cura para a Doença de Huntington. O tratamento é sintomático e de suporte, visando controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
A idade média de início é entre 30 e 50 anos, mas varia conforme o número de repetições CAG; formas juvenis podem começar antes dos 20 anos.
Através de teste de DNA que quantifica as repetições CAG no gene HTT; 40 ou mais repetições confirmam o diagnóstico, com aconselhamento genético obrigatório.
Sim, drogas como tetrabenazina e antipsicóticos podem reduzir a coreia, mas os efeitos são variáveis e acompanhados de potenciais efeitos adversos.
Sim, é autossômica dominante, meaning que cada filho de um pai afetado tem 50% de chance de herdar a mutação.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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