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CID G20: Doença de Parkinson

G20
Doença de Parkinson

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Definição

A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa progressiva caracterizada pela perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra pars compacta, resultando em déficit de dopamina nos gânglios da base. Esta condição pertence ao grupo dos transtornos do movimento e manifesta-se clinicamente por uma tríade clássica de tremor de repouso, rigidez muscular e bradicinesia, frequentemente acompanhada por instabilidade postural. A fisiopatologia envolve a formação de corpos de Lewy, agregados proteicos intracelulares compostos principalmente por alfa-sinucleína, que contribuem para a disfunção neuronal e morte celular. Epidemiologicamente, é a segunda doença neurodegenerativa mais comum após a doença de Alzheimer, com incidência aumentando com a idade e pico de início geralmente entre 55 e 65 anos, afetando aproximadamente 1-2% da população acima de 60 anos. O impacto clínico inclui incapacidade progressiva, comprometimento da qualidade de vida e aumento da morbimortalidade devido a complicações motoras e não motoras.

Descrição clínica

A Doença de Parkinson apresenta um curso clínico insidioso e progressivo, com sintomas motores e não motores. Inicialmente, os sinais podem ser unilaterais, evoluindo para bilateralidade. A tríade motora cardinal inclui tremor de repouso (4-6 Hz), rigidez (resistência à movimentação passiva, podendo ser do tipo 'roda dentada' ou 'tubo de chumbo'), e bradicinesia (lentidão dos movimentos voluntários). Instabilidade postural surge em fases mais avançadas, aumentando o risco de quedas. Sintomas não motores comuns incluem distúrbios autonômicos (hipotensão ortostática, constipação, disfunção urinária), cognitivos (déficit executivo, demência), psiquiátricos (depressão, ansiedade, alucinações), e distúrbios do sono (insônia, distúrbio do comportamento do sono REM). A progressão é variável, com fases iniciais responsivas à levodopa e fases avançadas marcadas por flutuações motoras e discinesias.

Quadro clínico

O quadro clínico da DP é caracterizado por início insidioso e progressão lenta. Sintomas motores incluem tremor de repouso (geralmente começando nas mãos, 'pill rolling'), rigidez muscular (afetando tronco e membros), bradicinesia (dificuldade em iniciar movimentos, micrografia, hipomimia), e instabilidade postural (desequilíbrio, marcha festinante). Sintomas não motores são prevalentes e incluem distúrbios autonômicos (sialorreia, disfagia, constipação, hipotensão ortostática), cognitivos (comprometimento leve, demência em fases avançadas), psiquiátricos (depressão, ansiedade, apatia, psicose), sensoriais (anosmia, dor), e distúrbios do sono (insônia, distúrbio do comportamento do sono REM). Flutuações motoras (fenômeno 'on-off') e discinesias podem ocorrer com terapia crônica com levodopa.

Complicações possíveis

Discinesias

Movimentos involuntários coreicos ou distônicos, frequentemente associados ao uso crônico de levodopa.

Flutuações Motoras

Fenômenos 'on-off' com períodos de boa resposta medicamentosa alternando com piora dos sintomas.

Demência

Comprometimento cognitivo progressivo, comum em fases avançadas, afetando memória, funções executivas e atenção.

Disfagia e Aspiração

Dificuldade de deglutição levando a desnutrição, desidratação e pneumonia por aspiração.

Quedas e Fraturas

Resultantes de instabilidade postural, bradicinesia e rigidez, aumentando morbimortalidade.

Epidemiologia

A DP tem prevalência global de aproximadamente 0,3% na população geral, aumentando para 1-2% em pessoas acima de 60 anos e até 4% em maiores de 80 anos. Incidência anual é de 8-18 por 100.000 pessoas. É ligeiramente mais comum em homens (razão 1,5:1). Fatores de risco incluem idade avançada, história familiar, exposição a pesticidas e traumatismo craniano. A distribuição é mundial, com variações regionais possivelmente relacionadas a fatores ambientais e genéticos.

Prognóstico

O prognóstico da DP é variável, com progressão lenta mas inexorável. A sobrevida média após o diagnóstico é de 10 a 20 anos, dependendo da idade de início, comorbidades e acesso a tratamento. A resposta inicial à levodopa é um preditor positivo, enquanto sintomas axiais (ex.: instabilidade postural) e demência indicam pior prognóstico. Complicações como pneumonia e quedas são causas comuns de morte. Intervenções multidisciplinares podem melhorar a qualidade de vida e funcionalidade.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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