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CID I30: Pericardite aguda

I300
Pericardite aguda idiopática não específica
I301
Pericardite infecciosa
I308
Outras formas de pericardite aguda
I309
Pericardite aguda não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A pericardite aguda é uma síndrome clínica caracterizada pela inflamação do pericárdio, com duração inferior a 4-6 semanas, frequentemente manifestada por dor torácica pleurítica, atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas sugestivas. A fisiopatologia envolve a ativação do sistema imune, com infiltração de células inflamatórias (como neutrófilos e linfócitos) no espaço pericárdico, resultando em derrame pericárdico, fibrose ou, em casos graves, tamponamento cardíaco. Epidemiologicamente, é a doença pericárdica mais comum, com incidência anual estimada em 27,7 casos por 100.000 habitantes, afetando predominantemente adultos jovens do sexo masculino, e impactando significativamente a morbidade devido a recorrências em até 30% dos casos.

Descrição clínica

A pericardite aguda apresenta-se classicamente com dor torácica pleurítica, que pode ser agravada pela inspiração profunda, decúbito dorsal e aliviada pela posição sentada e inclinação anterior. O atrito pericárdico é um sinal patognomônico, audível em até 85% dos casos, mas pode ser transitório. Outros achados incluem febre baixa, taquicardia e sinais de derrame pericárdico, como hipofonese de bulhas. Em casos de derrame significativo, pode haver dispneia e sinais de tamponamento cardíaco (triade de Beck: hipotensão, distensão venosa jugular, bulhas cardíacas abafadas).

Quadro clínico

Dor torácica pleurítica retroesternal ou precordial, irradiada para trapézio (sinal de Kert), febre, mal-estar, taquicardia e atrito pericárdico. Em derrames volumosos: dispneia, ortopneia e sinais de baixo débito cardíaco. Em tamponamento: triade de Beck, pulso paradoxal (>10 mmHg de queda na pressão arterial sistólica durante a inspiração).

Complicações possíveis

Tamponamento cardíaco

Acúmulo rápido de líquido no pericárdio, causando compressão cardíaca, hipotensão e choque, requerendo pericardiocentese de emergência.

Pericardite constritiva

Fibrose e espessamento pericárdico crônico, levando a restrição ao enchimento ventricular e insuficiência cardíaca direita.

Pericardite recorrente

Episódios repetidos de inflamação pericárdica em até 30% dos casos, frequentemente associados a etiologias autoimunes ou idiopáticas.

Derrame pericárdico massivo

Acúmulo de grande volume de líquido, podendo causar dispneia e requerer drenagem para alívio sintomático.

Epidemiologia

Incidência anual de 27,7 casos por 100.000 habitantes, com pico em adultos jovens (20-50 anos) e predomínio masculino (razão 2:1). A forma idiopática/viral é predominante em regiões temperadas, enquanto a tuberculosa é mais comum em áreas endêmicas. Fatores de risco incluem infecções virais recentes, doenças autoimunes, irradiação torácica e insuficiência renal.

Prognóstico

Geralmente favorável na pericardite aguda idiopática, com resolução em 1-3 semanas com tratamento adequado. No entanto, recorrências ocorrem em 15-30% dos casos. Prognóstico reservado em etiologias específicas (ex.: tuberculosa, neoplásica), com maior risco de complicações como constrição ou tamponamento. Mortalidade é baixa (<1%) em casos não complicados, mas pode chegar a 20% em pericardite purulenta ou associada a neoplasias.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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