O CID é a base para registros clínicos, laudos e faturamento. Nosso sistema facilita a busca rápida e precisa do código certo, com sinônimos e filtros médicos atualizados.
Escolher o CID correto evita glosas e retrabalho. Com a nossa ferramenta, você encontra o código ideal em segundos, direto pela descrição clínica — sem abrir PDF ou manual extenso.
Use nosso buscador inteligente para encontrar o CID mais adequado com base no termo clínico, especialidade ou condição do paciente. Tudo validado com a CID-10 da OMS e atualizações nacionais.
CID I31: Outras doenças do pericárdio
I310
Pericardite adesiva crônica
I311
Pericardite constritiva crônica
I312
Hemopericárdio não classificado em outra parte
I313
Derrame pericárdico (não-inflamatório)
I318
Outras doenças especificadas do pericárdio
I319
Doença não especificada do pericárdio
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria I31 da CID-10 abrange uma variedade de transtornos do pericárdio que não se enquadram em classificações específicas como pericardite aguda ou derrame pericárdico isolado. O pericárdio é uma membrana serosa que envolve o coração, composta por camadas visceral e parietal, e sua disfunção pode resultar em condições como pericardite crônica, aderências pericárdicas, calcificação pericárdica e outras anomalias. Esses transtornos podem ser idiopáticos, infecciosos, autoimunes, neoplásicos ou secundários a procedimentos cardíacos, com impacto clínico variando desde assintomático até insuficiência cardíaca ou tamponamento cardíaco. Epidemiologicamente, são mais comuns em adultos, com incidência aumentada em contextos de doenças sistêmicas como lúpus ou insuficiência renal, e representam uma causa significativa de morbidade cardiovascular global.
Descrição clínica
Os transtornos do pericárdio classificados em I31 incluem condições como pericardite constritiva, onde há espessamento e fibrose do pericárdio levando a restrição do enchimento ventricular; derrame pericárdico crônico, caracterizado por acúmulo persistente de líquido no espaço pericárdico; e anomalias como cistos ou tumores pericárdicos. Clinicamente, podem manifestar-se com dor torácica, dispneia, fadiga, sinais de insuficiência cardíaca direita (como edema periférico e hepatomegalia), ou ser assintomáticos. A apresentação depende da etiologia e da cronicidade, com possibilidade de evolução para complicações graves como tamponamento cardíaco ou síndrome restritiva.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável: pacientes podem apresentar dispneia progressiva, ortopneia, fadiga, dor torácica pleurítica ou atípica, tosse, e sinais de insuficiência cardíaca direita como edema de membros inferiores, ascite e hepatomegalia. Na pericardite constritiva, é comum o sinal de Kussmaul (aumento paradoxal da pressão venosa jugular durante a inspiração) e pulsus paradoxus. Sintomas constitucionais como febre baixa e perda de peso podem ocorrer em etiologias infecciosas ou neoplásicas. A apresentação pode ser insidiosa, com agravamento sob estresse fisiológico.
Complicações possíveis
Tamponamento cardíaco
Acúmulo rápido de líquido pericárdico causando compressão cardíaca e colapso hemodinâmico, requerendo intervenção urgente.
Insuficiência cardíaca direita crônica
Devido à restrição do enchimento ventricular, levando a edema, ascite e deterioração funcional.
Fibrose e calcificação pericárdica progressiva
Pode resultar em pericardite constritiva refratária, necessitando de pericardiectomia.
Arritmias cardíacas
Taquiarritmias ou bradiarritmias secundárias à irritação miocárdica ou distúrbios eletrolíticos.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
A incidência de transtornos pericárdios em I31 é estimada em 1-2% em autópsias, com prevalência maior em regiões endêmicas para tuberculose. A pericardite constritiva representa cerca de 0,2-0,5% das doenças cardíacas em países desenvolvidos, mas é mais comum em áreas com alta carga de tuberculose. Fatores de risco incluem história de radioterapia torácica, cirurgia cardíaca, doenças autoimunes e idade avançada. No Brasil, dados do DATASUS indicam hospitalizações significativas por doenças pericárdicas, com variações regionais.
Prognóstico
O prognóstico varia conforme a etiologia e a precocidade do tratamento. Em pericardite constritiva, a pericardiectomia pode melhorar a sobrevida, mas a mortalidade perioperatória é de 6-12%. Derrames crônicos idiopáticos têm bom prognóstico, enquanto causas neoplásicas ou infecciosas como tuberculose associam-se a maior morbimortalidade. A sobrevida em 5 anos para pericardite constritiva tratada é de aproximadamente 50-80%, dependendo de comorbidades.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, ecocardiográficos e por imagem. Inclui: história clínica sugestiva, exame físico com achados de insuficiência cardíaca direita, ecocardiograma mostrando espessamento pericárdico (>3-4 mm), derrame pericárdico, restrição diastólica (velocidade E' reduzida na Doppler tecidual), e tomografia computadorizada ou ressonância magnética cardíaca confirmando anomalias pericárdicas. Critérios adicionais podem envolver cateterismo cardíaco com equalização das pressões diastólicas. A confirmação etiológica pode requerer biópsia pericárdica ou análise do líquido pericárdico.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Pericardite aguda (I30)
Inflamação aguda do pericárdio com dor torácica característica e atrito pericárdico, geralmente de curta duração, diferindo da cronicidade em I31.
WHO ICD-10 Version:2019, I30
Miocardite (I40-I41)
Inflamação do miocárdio que pode simular sintomas de insuficiência cardíaca, mas com achados de disfunção ventricular esquerda predominante e sem espessamento pericárdico significativo.
UpToDate, 'Clinical manifestations and diagnosis of myocarditis in adults'
Cardiomiopatia restritiva (I42.5)
Doença do miocárdio com padrão restritivo de enchimento, sem envolvimento pericárdico primário, diferenciada por imagem cardíaca e biópsia.
European Society of Cardiology Guidelines for cardiomyopathies, 2014
Derrame pleural (J90-J94)
Acúmulo de líquido na cavidade pleural, que pode causar dispneia semelhante, mas localizado fora do pericárdio, distinguido por exames de imagem.
WHO ICD-10 Version:2019, J90-J94
Insuficiência cardíaca congestiva (I50)
Síndrome clínica de disfunção ventricular, sem evidência de doença pericárdica primária, com achados ecocardiográficos de fração de ejeção reduzida ou preservada.
Brazilian Guidelines on Heart Failure, 2018
Exames recomendados
Ecocardiograma transtorácico
Exame de imagem não invasivo para avaliar espessura pericárdica, derrame, restrição diastólica e função ventricular.
Detectar anomalias pericárdicas e guiar o manejo hemodinâmico.
Tomografia computadorizada cardíaca
Imagem de alta resolução para quantificar calcificação pericárdica, espessamento e avaliar estruturas adjacentes.
Confirmar diagnóstico de pericardite constritiva e excluir outras patologias.
Ressonância magnética cardíaca
Fornece avaliação detalhada da morfologia e função pericárdica, com realce tardio para fibrose.
Diferenciar entre pericardite constritiva e cardiomiopatia restritiva.
Cateterismo cardíaco
Medição invasiva das pressões cardíacas para demonstrar equalização diastólica em casos de constrição.
Confirmar diagnóstico hemodinâmico de pericardite constritiva.
Análise do líquido pericárdico
Coleta por pericardiocentese para citologia, cultura e bioquímica.
Identificar etiologia infecciosa ou neoplásica.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Identificar e tratar prontamente infecções como tuberculose para evitar complicações pericárdicas.
Monitorização pós-radioterapia
Acompanhamento cardíaco regular em pacientes submetidos a radioterapia torácica.
Controle de doenças autoimunes
Manejo adequado de condições como lúpus para reduzir risco de envolvimento pericárdico.
Vigilância e notificação
No Brasil, transtornos do pericárdio não são de notificação compulsória universal, mas casos associados a doenças infecciosas como tuberculose devem ser notificados conforme Portaria MS nº 204/2016. A vigilância é baseada em sistemas de saúde para monitorar complicações e surtos, com ênfase em etiologias preveníveis. Profissionais devem reportar suspeitas baseadas em critérios clínicos e laboratoriais.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
As causas incluem infecções (como tuberculose), doenças autoimunes (ex.: lúpus), pós-radiação, neoplasias, idiopáticas e associadas a insuficiência renal. A etiologia varia geograficamente, com tuberculose sendo predominante em regiões endêmicas.
A diferenciação baseia-se em imagem: na pericardite constritiva, há espessamento pericárdico e equalização de pressões ao cateterismo, enquanto na cardiomiopatia restritiva, o miocárdio está envolvido sem anomalias pericárdicas significativas. Ressonância magnética e cateterismo são cruciais.
A pericardiectomia é indicada em pericardite constritiva sintomática refratária ao tratamento médico, com evidência de restrição hemodinâmica. Deve ser considerada após avaliação de riscos, pois a mortalidade perioperatória pode chegar a 12%.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...