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CID E23: Hipofunção e outros transtornos da hipófise

E230
Hipopituitarismo
E231
Hipopituitarismo induzido por droga
E232
Diabetes insípido
E233
Disfunção hipotalâmica não classificada em outra parte
E236
Outros transtornos da hipófise
E237
Transtorno não especificado da hipófise

Mais informações sobre o tema:

Definição

A categoria E23 da CID-10 engloba transtornos caracterizados por hipofunção da hipófise anterior, posterior ou de ambas, resultando em deficiências hormonais que afetam múltiplos sistemas orgânicos. A hipófise, ou glândula pituitária, atua como reguladora central do eixo endócrino, secretando hormônios como TSH, ACTH, FSH, LH, GH e prolactina, além de armazenar ADH e ocitocina produzidos pelo hipotálamo. A hipofunção pode ser congênita ou adquirida, com causas variando de tumores hipofisários, trauma craniano, radioterapia, doenças infiltrativas (ex.: sarcoidose) a eventos isquêmicos (ex.: síndrome de Sheehan). O impacto clínico é significativo, podendo levar a insuficiência adrenal, hipotireoidismo, hipogonadismo e alterações no crescimento, com morbidade elevada se não tratada. Epidemiologicamente, a incidência de hipopituitarismo é estimada em 4-5 casos por 100.000 habitantes/ano, com predomínio em adultos, mas podendo ocorrer em qualquer faixa etária, sendo os adenomas hipofisários a causa mais comum.

Descrição clínica

A apresentação clínica é heterogênea, dependendo dos hormônios deficientes, velocidade de instalação e causa subjacente. Sinais e sintomas incluem fadiga, fraqueza, perda de peso, intolerância ao frio, hipotensão, palidez, alterações menstruais, infertilidade, diminuição da libido, retardo de crescimento em crianças, e em casos graves, crise adrenal com hipotensão e hipoglicemia. A deficiência de ADH pode resultar em diabetes insipidus, com poliúria e polidipsia. A evolução é geralmente insidiosa, mas aguda em situações como apoplexia hipofisária.

Quadro clínico

Pacientes podem apresentar sintomas inespecíficos como astenia, anorexia, náuseas, cefaleia, visão turva (se compressão quiasmática), e sinais específicos conforme o hormônio: deficiência de ACTH - hipotensão, hiponatremia; deficiência de TSH - mixedema, constipação; deficiência de GH - baixa estatura em crianças, alteração da composição corporal em adultos; deficiência de gonadotrofinas - amenorreia, impotência; deficiência de ADH - poliúria, polidipsia. A apresentação aguda ocorre na apoplexia hipofisária com cefaleia súbita, oftalmoplegia e alteração do nível de consciência.

Complicações possíveis

Crise adrenal

Episódio agudo de insuficiência adrenal com hipotensão, choque e risco de morte, desencadeado por estresse.

Osteoporose

Resultante de deficiência de GH e hipogonadismo, levando a aumento do risco de fraturas.

Infertilidade

Devido a hipogonadismo hipogonadotrófico, com impacto na qualidade de vida.

Comprometimento cognitivo

Associado a deficiência de GH e hipotireoidismo, afetando memória e funções executivas.

Complicações cardiovasculares

Incluem dislipidemia, aumento do risco aterosclerótico e insuficiência cardíaca, relacionadas a deficiências hormonais múltiplas.

Epidemiologia

A hipofunção hipofisária tem incidência de aproximadamente 4-5 casos por 100.000 habitantes/ano e prevalência de 30-45 por 100.000. É mais comum em adultos, com pico na meia-idade, mas pode ocorrer em qualquer idade. Adenomas hipofisários são a causa mais frequente (cerca de 60% dos casos), seguidos por cirurgia/radioterapia. Não há predileção por sexo significativa, exceto na síndrome de Sheehan, exclusiva de mulheres. Fatores de risco incluem história de tumores intracranianos, trauma craniano e doenças autoimunes.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e reposição hormonal adequada, permitindo vida normal e prevenção de complicações agudas. No entanto, depende da causa subjacente: tumores podem requerer tratamento cirúrgico ou radioterápico, com risco de recidiva; causas permanentes exigem terapia vitalícia. Mortalidade está aumentada se não tratada, principalmente por crise adrenal. A qualidade de vida pode ser afetada por comorbidades e necessidade de medicação contínua.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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