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Redução do risco de hospitalização por COVID-19 com vacina | Colunistas

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                A “corrida das vacinas”, observada desde o início da pandemia de COVID-19, gerou diversos frutos. Vacinas de diversas marcas estão sendo aplicadas na população ao redor do mundo. O tempo recorde de produção destes imunizantes gerou questionamentos acerca de sua eficácia. Será que, na prática, as vacinas de fato reduzem o risco de hospitalização?

A Pandemia de COVID-19

                Desde o final de 2019, o mundo se deparou com um dos maiores desafios dos últimos séculos. Um vírus, da família Coronaviridae, surgiu na província de Wuhan, na China, e de lá se espalhou por todo o planeta, gerando consequências imensuráveis. O SARS-CoV-2 promove uma infecção respiratória grave, de difícil controle e, o pior de tudo, sem nenhum tratamento disponível até o momento. Por isso, iniciou-se, ao redor do globo, uma verdadeira “corrida” para tentar produzir uma vacina contra a COVID-19.

                Em tempo recorde, diversos imunizantes foram produzidos por diversas farmacêuticas. AstraZeneca, CoronaVac, Pfizer, Moderna… Cada dia mais a população entrou em contato com esses nomes, que representariam a esperança de dias melhores. E, apesar de todas terem cumprido os testes clínicos necessários para seu lançamento e uso, o fato de sua produção estar na mira de quase oito bilhões de pessoas gerou questionamentos acerca de sua eficácia.

                Atualmente, poucos meses após o início das vacinações, o que se pode afirmar com relação a seus efeitos? Diversos estudos sobre as várias vacinas indicam que, apesar de uma variação de eficácia entre as marcas, todos os imunizantes ajudariam a reduzir a necessidade de hospitalização. Ou seja, mesmo que o paciente imunizado venha a contrair a doença, esta será menos grave.

A pandemia de COVID-19 tem assolado o mundo há mais de um ano, e as vacinas surgem como possível fonte de esperança (https://www.bbc.com/portuguese/geral-56247362 – acesso em 03/05/2021)

Os estudos

                Uma análise preliminar feita na Escócia concluiu que, já na primeira dose recebida das vacinas de Oxford/AstraZeneca ou da Pfizer/BioNTech, houve uma redução significativa da necessidade de internação. Com relação à primeira, esta redução foi de 94%. Já com relação à segunda, foi um pouco menor, de 85%. Estes resultados se referem a um período entre 28 e 34 dias após a primeira dose da vacina.

                Estes dados foram avaliados numa amostra de toda a população escocesa – 5,4 milhões de pessoas. À época da pesquisa, entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021, em torno de 21% da população já havia recebido a primeira dose, formando um total de 1,14 milhões de pessoas vacinadas no país. Destas, cerca de 650 mil tinham recebido a vacina da Pfizer e 490 mil, a de Oxford. Nesse período, dos 8 mil casos de internados, apenas 58 correspondiam a pessoas de grupo vacinado.

                Os resultados da pesquisa foram publicados no final de fevereiro e, apesar de preliminares, promovem esperança após um ano de pandemia. O pesquisador Aziz Sheikh, um dos responsáveis pelo estudo, relatou que é esperado que outros países que usarem as duas vacinas e com uma estratégia de imunização semelhante à escocesa tenham resultados parecidos.

                Entretanto, o estudo também apontou que essa redução no número de hospitalização foi ficando menos significativo após o período de 4 semanas. Esse achado pode sugerir que a aplicação apenas de primeira dose pode não ser suficiente após um mês, devendo ser aplicada também a segunda dose em tempo hábil. Além disso, os pesquisadores ressaltam que a vacinação não foi utilizada de maneira isolada, mas sim em associação com outras estratégias, como o distanciamento social. Josie Murray, outra pesquisadora envolvida, salienta a importância de continuar seguindo as orientações de saúde pública para interromper a transmissão do vírus: higiene das mãos, distanciamento social, isolamento e testagem em caso de sintomas.

                Este estudo foi divulgado em forma de preprint no site da revista The Lancet – um dos periódicos de maior relevância na publicação científica – e envolveu pesquisadores das Universidades de Oxford, de Edimburgo, de St. Andrews, dentre outras. Foi feito sob a metodologia de coorte prospectivo, e utilizou diversas ferramentas, como os dados da vigilância epidemiológica sobre infectados e vacinados, relatórios da atenção primária, testes de RT-PCR e registros de hospitalização e mortalidade do país.

                A análise é extremamente relevante, pois é uma das primeiras a demonstrar a efetividade da vacina na prática, e não dentro do cenário de estudos clínicos. Além disso, comprovou uma alta eficácia da primeira dose, permitindo um maior volume de pessoas vacinadas no primeiro momento.

Retirada de dose do frasco da vacina Oxford/AstraZeneca para aplicação na cidade de Brighton, no sul da Inglaterra, no dia 26 de janeiro – Foto: Bem Stansall/AFP (https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/02/22/primeira-dose-de-vacina-reduziu-o-risco-de-internacao-por-covid-19-na-escocia-aponta-estudo-preliminar.ghtml – acesso em 03/05/2021)

Os achados brasileiros

                A Secretaria da Saúde do estado do Alagoas, no Brasil, afirmou que a vacinação também apresentou resultados: a população idosa vacinada também experimentou uma redução no risco de internação hospitalar. Segundo a Secretaria, os índices de internação de idosos acima de 80 anos eram de 17,31% no fim de março. Em apenas duas semanas, esse índice foi reduzido para 11,46%.

                Além da redução do risco de hospitalização, houve uma queda nos casos confirmados e hospitalizados nessa mesma faixa etária. Estes dados são importantes pois a população idosa é a que mais demanda atenção e cuidados no tratamento da doença. Estes pacientes apresentam quadros de rápida piora e demandam uma maior quantidade de leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A Secretaria de Saúde do Alagoas refere que a vacinação em idosos acima de 80 anos reduziu os índices de internação e de contágio entre essa população (https://www.saude.al.gov.br/vacinacao-contra-a-covid-19-reduz-risco-de-internacao-hospitalar-de-idosos-em-al/ – acesso em 03/05/2021)

Conclusão

                Os resultados da vacinação contra COVID-19 que temos até o momento são promissores: redução da necessidade de hospitalização e até possivelmente da transmissão viral. Além disso, na prática, já são observados bons resultados na prática, ao redor do mundo. Após um ano caótico, estes resultados são importantes para nos fornecer um pouco de esperança.

No entanto, apesar do otimismo inicial, é importante ter em mente que ainda é cedo para fazer afirmações precipitadas. O estudo escocês ainda precisa revisado pela comunidade científica, por se tratar de um preprint, alguns conceitos ainda podem mudar. Ademais, outros estudos são necessários, para avaliar os diversos cenários de vacinação. É importante lembrar também que as medidas de controle da transmissão devem ser reforçadas, apesar da vacinação estar progredindo. Distanciamento social, uso de máscaras, higiene das mãos e testagem e isolamento dos sintomático devem permanecer, associados a programas de vacinação eficientes.

Autora: Isabelle Stapf

Instagram: @isastapf


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

Vasileiou E, Simpson CR, Robertson C, et al. Effectiveness of first dose of COVID-19 vaccines Against hospital admissions in Scotland: national prospective cohort study of 5.4 million people. Lancet preprint. Doi: http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.3789264

Primeira dose da vacina reduziu o risco de internação por COVID-19 em até 94% na Escócia, aponta estudo preliminar: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/02/22/primeira-dose-de-vacina-reduziu-o-risco-de-internacao-por-covid-19-na-escocia-aponta-estudo-preliminar.ghtml

Vacinação contra a COVID-19 reduz risco de internação hospitalar de idosos em AL: https://www.saude.al.gov.br/vacinacao-contra-a-covid-19-reduz-risco-de-internacao-hospitalar-de-idosos-em-al/

Vacinas COVID-19: AstraZeneca e Pfizer têm efetividade confirmada na redução de hospitalizações: https://agencia.fiocruz.br/vacinas-covid-19-astrazeneca-e-pfizer-tem-efetividade-confirmada-na-reducao-de-hospitalizacoes

Vacina de Oxford reduziu em 94% risco de hospitalização, aponta estudo: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/02/24/vacina-de-oxford-reduz-em-94-riscos-de-hospitalizacao-mostra-estudo.htm

Única dose de vacina contra COVID-19 produzida no Brasil reduz hospitalização em 94%: https://www.semprefamilia.com.br/saude/unica-dose-de-vacina-da-covid-19-produzida-no-brasil-reduz-hospitalizacao-em-94/?ref=botao-fechar-sticky

Vacina da AstraZeneca protege contra hospitalizações pela COVID-19 na Escócia, inclusive em idosos: https://www.unasus.gov.br/especial/covid19/markdown/383

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