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CID E15: Coma hipoglicêmico não-diabético
E15
Coma hipoglicêmico não-diabético
Mais informações sobre o tema:
Definição
O coma hipoglicêmico não-diabético é uma emergência médica caracterizada por perda de consciência (coma) resultante de hipoglicemia grave (glicemia tipicamente <40 mg/dL ou 2,2 mmol/L), na ausência de diabetes mellitus. Esta condição reflete uma falha crítica na regulação da glicose sanguínea, onde mecanismos contra-regulatórios (como secreção de glucagon, epinefrina, cortisol e hormônio do crescimento) são insuficientes ou inadequados para prevenir a neuroglicopenia. A hipoglicemia não-diabética pode ser classificada como reativa (pós-prandial) ou em jejum, sendo esta última mais frequentemente associada a coma. O impacto clínico é significativo, com risco de dano neurológico irreversível, convulsões e morte se não tratado prontamente. Epidemiologicamente, é menos comum que o coma hiperglicêmico diabético, mas possui etiologias diversas, incluindo insulinoma, insuficiência adrenal, hipopituitarismo, doenças hepáticas graves, erros inatos do metabolismo, e causas iatrogênicas (como uso de insulina ou sulfonilureias em não-diabéticos).
Descrição clínica
O coma hipoglicêmico não-diabético representa uma síndrome clínica de disfunção neurológica grave devido à privação de glicose no cérebro. O sistema nervoso central é altamente dependente da glicose como substrato energético, e a neuroglicopenia leva a alterações progressivas, desde confusão e letargia até coma profundo. A condição é definida pela tríade de Whipple: sintomas compatíveis com hipoglicemia, glicemia baixa documentada, e resolução dos sintomas com correção da glicose. Em não-diabéticos, a apresentação pode ser insidiosa ou aguda, frequentemente sem os sinais prodrômicos típicos (como sudorese, palpitações) observados em diabéticos, o que pode atrasar o diagnóstico.
Quadro clínico
O quadro clínico varia de acordo com a velocidade de instalação e gravidade da hipoglicemia. Sintomas neuroglicopênicos incluem: confusão mental, desorientação, alterações de comportamento, fraqueza, visão turva, cefaleia, convulsões (focais ou generalizadas), e progressão para coma (Glasgow ≤8). Sinais autonômicos (adrenérgicos) como sudorese, tremores, palpitações e fome podem estar presentes, mas são menos proeminentes ou ausentes em casos crônicos ou em idosos. Exame físico pode revelar hipotermia, bradicardia ou taquicardia, e sinais de doenças subjacentes (como hepatomegalia em doenças hepáticas). O coma é tipicamente de início rápido em causas iatrogênicas, mas insidioso em insulinomas.
Complicações possíveis
Dano neurológico permanente
Lesão cerebral irreversível devido à neuroglicopenia prolongada, podendo resultar em déficits cognitivos, demência ou estado vegetativo persistente.
Convulsões
Crises epilépticas generalizadas ou focais durante o episódio hipoglicêmico, com risco de status epilepticus.
Edema cerebral
Inchaço do tecido cerebral secundário à falha da bomba de sódio-potássio, podendo levar a herniação e morte.
Arritmias cardíacas
Distúrbios do ritmo cardíaco devido à liberação de catecolaminas ou efeitos diretos da hipoglicemia no miocárdio.
Morte
Óbito por depressão respiratória, edema cerebral ou arritmias se o coma não for revertido prontamente.
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A incidência exata é desconhecida devido à subnotificação, mas é considerada rara em comparação com hipoglicemia diabética. Estima-se que causas não-diabéticas representem menos de 5% de todos os casos de coma hipoglicêmico. Insulinomas têm incidência de 1-4 casos por milhão por ano. É mais comum em adultos, com pico na meia-idade, mas pode ocorrer em qualquer idade, incluindo crianças com erros inatos do metabolismo. Fatores de risco incluem história de doenças endócrinas, hepáticas, uso de drogas hipoglicemiantes, e desnutrição. Não há predileção por gênero ou etnia claramente estabelecida.
Prognóstico
O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e tratamento, da causa subjacente e da duração da hipoglicemia. Com tratamento imediato (glicose intravenosa), a recuperação neurológica pode ser completa, especialmente se a correção ocorrer dentro de minutos a horas. No entanto, hipoglicemia prolongada (>6 horas) está associada a dano neurológico permanente ou morte. Causas tratáveis como insulinoma (ressecção cirúrgica) têm bom prognóstico, enquanto doenças crônicas como insuficiência hepática terminal conferem prognóstico reservado. Mortalidade pode chegar a 10% em casos graves, segundo séries de casos.
Critérios diagnósticos
Baseiam-se na tríade de Whipple, adaptada para não-diabéticos: 1) Sintomas neurológicos compatíveis com hipoglicemia (e.g., confusão, coma); 2) Glicemia plasmática baixa documentada (<40 mg/dL ou 2,2 mmol/L) durante os sintomas; 3) Resolução dos sintomas após correção da glicose (e.g., com glicose intravenosa). Critérios adicionais incluem: ausência de diagnóstico prévio de diabetes mellitus, e investigação etiológica para excluir causas como insulinoma (teste de jejum prolongado), insuficiência adrenal (cortisol sérico), ou uso de drogas hipoglicemiantes. Diretrizes como as da Endocrine Society recomendam confirmação laboratorial e avaliação da causa subjacente.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Coma hiperglicêmico hiperosmolar não-cetótico (HHS)
Estado de alteração da consciência devido à hiperglicemia extrema e hiperosmolaridade, sem cetoacidose significativa, comum em idosos com diabetes tipo 2 ou não diagnosticado. Difere pela glicemia elevada (>600 mg/dL) e osmolaridade sérica aumentada.
Kitabchi AE, et al. Hyperglycemic Crises in Adult Patients With Diabetes. Diabetes Care. 2009.
Cetoacidose diabética (CAD)
Emergência hiperglicêmica com acidose metabólica e cetose, frequentemente em diabetes tipo 1. Apresenta glicemia elevada, cetonúria e acidose, mas pode haver alteração de consciência progressiva para coma.
Wolfsdorf JI, et al. Diabetic Ketoacidosis in Children and Adolescents. Pediatric Diabetes. 2014.
Encefalopatia hepática
Alteração do estado mental devido à insuficiência hepática, com níveis elevados de amônia. Pode simular coma hipoglicêmico, mas associada a sinais de doença hepática e sem hipoglicemia.
Vilstrup H, et al. Hepatic Encephalopathy in Chronic Liver Disease: 2014 Practice Guideline by AASLD and EASL. Hepatology. 2014.
Acidente vascular cerebral (AVC)
Deficit neurológico focal agudo devido a isquemia ou hemorragia cerebral. Pode causar coma, mas geralmente com sinais focais e sem hipoglicemia, requerindo neuroimagem para diferenciação.
Powers WJ, et al. Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke. Stroke. 2019.
Intoxicação por drogas ou álcool
Depressão do SNC devido a substâncias como opioides, benzodiazepínicos ou etanol. Pode mimetizar coma hipoglicêmico, mas com história de uso e toxicologia positiva, sem hipoglicemia.
Mégarbane B, et al. Management of Drug Overdose in Adults. Critical Care. 2010.
Exames recomendados
Glicemia plasmática
Medição imediata da glicose no sangue, preferencialmente por método laboratorial (não apenas glicosímetro).
Confirmar hipoglicemia (<40 mg/dL) durante os sintomas, essencial para o diagnóstico.
Insulina sérica e peptídeo C
Dosagem de insulina e peptídeo C durante episódio hipoglicêmico.
Avaliar se a hipoglicemia é mediada por insulina (insulina elevada com peptídeo C elevado sugere insulinoma ou sulfonilureia; insulina elevada com peptídeo C baixo sugere insulina exógena).
Teste de jejum prolongado (72h)
Monitorização da glicemia, insulina e peptídeo C durante jejum supervisionado.
Diagnosticar insulinoma ou outras causas de hipoglicemia em jejum, observando hipoglicemia sintomática com insulina inadequadamente elevada.
Cortisol sérico e ACTH
Dosagem de cortisol (preferencialmente em crise) e ACTH.
Avaliar insuficiência adrenal ou hipopituitarismo como causa de hipoglicemia.
Função hepática e renal
Painel metabólico incluindo enzimas hepáticas, bilirrubina, albumina, ureia e creatinina.
Identificar doenças hepáticas ou renais graves que possam contribuir para hipoglicemia.
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Cuidado na prescrição e administração de insulina ou sulfonilureias em não-diabéticos, com verificação de doses e identificação do paciente.
Rastreamento de doenças endócrinas
Investigação de sintomas sugestivos de insulinoma ou insuficiência adrenal em pacientes com episódios recorrentes de hipoglicemia.
Controle de doenças crônicas
Manejo adequado de condições como cirrose hepática ou insuficiência renal para minimizar risco de hipoglicemia.
Vigilância e notificação
Não é uma doença de notificação compulsória nacional no Brasil, mas casos graves devem ser registrados em prontuários e sistemas de vigilância hospitalar para monitoramento de eventos adversos (e.g., relacionados a medicações). Em contextos de saúde pública, surtos por exposição a insulina ou sulfonilureias podem requerer notificação às autoridades sanitárias. Recomenda-se a investigação de causas subjacentes para prevenção de recorrências.
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O coma hipoglicêmico diabético ocorre em pacientes com diabetes, frequentemente devido a excesso de medicação (insulina ou sulfonilureias), e pode apresentar sinais autonômicos prodrômicos. O não-diabético ocorre na ausência de diabetes, com causas diversas como insulinoma ou doenças endócrinas, e pode ter apresentação mais insidiosa sem sintomas prodrômicos, exigindo investigação etiológica mais extensa.
O tratamento imediato inclui: 1) Acesso venoso e bolus de glicose intravenosa (25-50 g a 50%); 2) Se sem acesso venoso, administrar glucagon intramuscular; 3) Monitorização contínua da glicemia e sinais vitais; 4) Investigação da causa subjacente após estabilização. A correção deve ser rápida para prevenir dano neurológico.
Exames essenciais incluem: glicemia plasmática durante o episódio, insulina sérica e peptídeo C (para diferenciar insulinoma de insulina exógena), cortisol e ACTH (avaliar insuficiência adrenal), e testes de função hepática. O teste de jejum prolongado é padrão-ouro para insulinoma.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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