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CID D26: Outras neoplasias benignas do útero
D260
Neoplasia benigna do colo do útero
D261
Neoplasia benigna do corpo do útero
D267
Neoplasia benigna de outras partes do útero
D269
Neoplasia benigna do útero, não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria D26 da CID-10 refere-se a neoplasmas benignos do útero que não se enquadram em classificações mais específicas, como miomas uterinos (códigos D25). Neoplasmas benignos são crescimentos anormais de células que não invadem tecidos adjacentes nem metastatizam, mas podem causar sintomas significativos dependendo do tamanho, localização e número. No útero, esses tumores geralmente originam-se do miométrio (músculo liso uterino) ou do endométrio, e incluem variantes como adenomiomas, leiomiomas atípicos ou tumores benignos raros. A fisiopatologia envolve proliferação celular desregulada, frequentemente influenciada por fatores hormonais, como estrogênio, que promovem o crescimento. Epidemiologicamente, neoplasmas benignos uterinos são comuns, especialmente em mulheres em idade reprodutiva, com prevalência estimada em até 70% em algumas populações, impactando a qualidade de vida devido a sintomas como sangramento anormal, dor pélvica e infertilidade.
Descrição clínica
Neoplasmas benignos do útero caracterizam-se por crescimento localizado, geralmente bem circunscrito, sem potencial de invasão ou metástase. Clinicamente, podem ser assintomáticos ou manifestar-se com sangramento uterino anormal (menorragia, metrorragia), dor pélvica, pressão abdominal, sintomas urinários ou intestinais por efeito de massa, e infertilidade. O exame físico pode revelar útero aumentado, irregular ou nodular. A histologia varia conforme o tipo, mas tipicamente mostra células bem diferenciadas, sem atipias significativas ou atividade mitótica elevada.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável, desde assintomático até sintomas como sangramento menstrual abundante ou prolongado, sangramento intermenstrual, dor pélvica crônica ou aguda (especialmente durante a menstruação), dispareunia, aumento do volume abdominal, e sintomas compressivos (ex.: frequência urinária, constipação). Em casos de infertilidade, pode haver distorção da cavidade uterina ou alteração na receptividade endometrial. A palpação abdominal ou ao exame ginecológico pode detectar massa pélvica ou útero aumentado.
Complicações possíveis
Anemia ferropriva
Resultante de sangramento uterino anormal crônico, levando a fadiga, palidez e comprometimento da qualidade de vida.
Dor pélvica crônica
Causada por compressão, degeneração ou torção do neoplasma, impactando atividades diárias e bem-estar.
Infertilidade
Devido a distorção da cavidade uterina ou alteração na implantação embrionária.
Complicações obstétricas
Em gestantes, pode levar a aborto, parto prematuro ou descolamento placentário.
Obstrução urinária ou intestinal
Por efeito de massa em neoplasmas grandes, causando hidronefrose ou constipação.
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Neoplasmas benignos uterinos são prevalentes em mulheres em idade reprodutiva, com pico de incidência entre 30-50 anos. Estima-se que afetem 20-50% das mulheres, variando com fatores étnicos e geográficos (mais comum em afrodescendentes). Fatores de risco incluem nuliparidade, obesidade, história familiar e exposição hormonal. No Brasil, são causa frequente de consultas ginecológicas e intervenções cirúrgicas.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente favorável, com baixo risco de malignização. A resolução sintomática é comum após tratamento adequado, mas recorrência pode ocorrer, especialmente em neoplasmas múltiplos ou não completamente ressecados. A fertilidade pode ser preservada com abordagens conservadoras, e a qualidade de vida melhora significativamente com manejo sintomático.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na combinação de história clínica, exame físico e exames de imagem. Critérios incluem: 1) Presença de massa uterina benigna confirmada por ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética, mostrando características como limites bem definidos, ecogenicidade homogênea e ausência de invasão; 2) Exclusão de malignidade por biópsia ou achados histopatológicos em espécimes cirúrgicos, demonstrando células bem diferenciadas sem atipia ou mitoses; 3) Correlação com sintomas clínicos sugestivos. A confirmação histológica é padrão-ouro após ressecção cirúrgica.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Leiomioma uterino (D25)
Neoplasma benigno comum do miométrio, frequentemente sintomático com sangramento e dor; diferencia-se por localização específica (submucoso, intramural, subseroso) e é classificado sob D25.
WHO Classification of Tumours of Female Reproductive Organs, 5th ed.
Adenomiose (N80.0)
Condição não neoplásica com invaginação do endométrio no miométrio, causando dor e sangramento; distingue-se pela ausência de massa discreta e achados de imagem característicos.
Journal of Minimally Invasive Gynecology, 2018
Neoplasmas malignos do útero (ex.: C54-C55)
Carcinomas endometriais ou sarcomas que podem mimetizar neoplasmas benignos, mas apresentam invasão, atipia citológica e potencial metastático; requer biópsia para diferenciação.
FIGO Staging for Gynecological Cancers, 2021
Pólipos endometriais (N84.0)
Proliferações benignas do endométrio que causam sangramento anormal; diferenciam-se por origem endometrial e aspecto pediculado na histeroscopia.
ACOG Practice Bulletin No. 128, 2021
Gestação ectópica (O00)
Pode apresentar massa pélvica e sangramento, mas associada a beta-hCG positivo e achados ultrassonográficos distintos; excluída por teste de gravidez.
UpToDate, 'Ectopic Pregnancy'
Exames recomendados
Ultrassonografia transvaginal
Exame de imagem inicial para avaliação de massa uterina, detecção de tamanho, localização e características ecogênicas.
Triagem e caracterização de neoplasmas benignos, diferenciando de outras patologias pélvicas.
Ressonância magnética pélvica
Fornece imagens detalhadas para avaliação de extensão, relação com estruturas adjacentes e confirmação de benignidade.
Planejamento cirúrgico e exclusão de malignidade em casos duvidosos.
Histeroscopia
Endoscopia da cavidade uterina para visualização direta e biópsia de lesões.
Avaliação de envolvimento endometrial e obtenção de amostra histológica.
Biópsia endometrial
Coleta de tecido endometrial para análise histopatológica.
Exclusão de neoplasmas malignos e confirmação de diagnóstico.
Hemograma completo
Avaliação de anemia devido a sangramento crônico.
Manejo de complicações e planejamento terapêutico.
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Manutenção de IMC adequado para reduzir produção periférica de estrogênio, fator de risco para crescimento neoplásico.
Uso de anticoncepcionais hormonais
Pode reduzir incidência e progressão de alguns neoplasmas benignos por supressão da ovulação e níveis hormonais.
Acompanhamento ginecológico regular
Exames de rotina para detecção precoce e monitoramento de mudanças em neoplasmas existentes.
Dieta equilibrada
Consumo de alimentos ricos em fibras e baixo em gorduras, associado a menor risco em alguns estudos.
Vigilância e notificação
Não é doença de notificação compulsória no Brasil. A vigilância é baseada em registros hospitalares e sistemas de saúde para monitorar tendências e complicações. Recomenda-se acompanhamento regular em mulheres sintomáticas ou com fatores de risco, com ênfase na detecção precoce de alterações malignas.
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Opções conservadoras incluem miomectomia (cirurgia de remoção do neoplasma), embolização da artéria uterina, e terapias medicamentosas como análogos de GnRH ou acetato de ulipristal para redução temporária do tamanho. A escolha depende do tipo, tamanho e localização do neoplasma, e deve ser discutida com equipe multidisciplinar.
O risco de malignização é muito baixo (inferior a 1% para leiomiomas, por exemplo). No entanto, alterações como crescimento rápido ou sintomas novos devem ser investigadas para excluir sarcomas ou outras malignidades, com exames de imagem e biópsia se indicado.
A diferenciação baseia-se em imagem e histologia: neoplasmas benignos (ex.: leiomiomas) originam-se do miométrio e são vistos como massas sólidas na ultrassonografia, enquanto pólipos são proliferações endometriais pediculadas, melhor visualizados na histeroscopia. A biópsia confirma o diagnóstico.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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