Redação Sanar
CID C78: Neoplasia maligna secundária dos órgãos respiratórios e digestivos
C780
Neoplasia maligna secundária dos pulmões
C781
Neoplasia maligna secundária do mediastino
C782
Neoplasia maligna secundária da pleura
C783
Neoplasia maligna secundária de outros órgãos respiratórios e não especificados
C784
Neoplasia maligna secundária do intestino delgado
C785
Neoplasia maligna secundária do intestino grosso e do reto
C786
Neoplasia maligna secundária do retroperitônio e do peritônio
C787
Neoplasia maligna secundária do fígado
C788
Neoplasia maligna secundária de outros órgãos digestivos e não especificados
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria C78 do CID-10 refere-se a neoplasias malignas secundárias que afetam órgãos do sistema respiratório e digestivo, indicando a presença de metástases provenientes de tumores primários localizados em outras partes do corpo. Essas metástases ocorrem quando células cancerosas se disseminam via corrente sanguínea, sistema linfático ou invasão direta, comprometendo a função de órgãos como pulmões, brônquios, traqueia, esôfago, estômago, intestinos, fígado e pâncreas. A fisiopatologia envolve processos de angiogênese, adesão celular e evasão do sistema imune, permitindo o estabelecimento de lesões secundárias que podem levar a sintomas como dispneia, tosse, dor abdominal, icterícia ou obstrução intestinal, dependendo da localização. Epidemiologicamente, essas metástases são comuns em cânceres avançados, com incidência variável conforme o tipo de tumor primário, sendo frequentes em neoplasias de pulmão, mama, cólon e próstata, e associadas a pior prognóstico devido ao estágio avançado da doença.
Descrição clínica
As neoplasias secundárias em órgãos respiratórios e digestivos manifestam-se clinicamente de forma variada, dependendo da localização e extensão das metástases. No sistema respiratório, podem causar tosse persistente, hemoptise, dispneia, dor torácica e derrame pleural, enquanto no sistema digestivo, sintomas incluem dor abdominal, náuseas, vômitos, perda de peso, icterícia obstrução intestinal ou ascite. A apresentação é frequentemente inespecífica, podendo mimetizar outras condições, e o diagnóstico requer confirmação histológica ou por imagem para diferenciar de tumores primários.
Quadro clínico
O quadro clínico é heterogêneo e depende da localização das metástases. Em órgãos respiratórios: dispneia, tosse produtiva ou seca, hemoptise, dor torácica, sibilos e sinais de derrame pleural. Em órgãos digestivos: dor abdominal, náuseas, vômitos, anorexia, perda de peso, icterícia (em metástases hepáticas), obstrução intestinal, melena ou ascite. Sintomas constitucionais como fadiga, caquexia e febre podem estar presentes, indicando doença sistêmica.
Complicações possíveis
Insuficiência respiratória
Comprometimento da função pulmonar por metástases extensas, levando a hipoxemia e necessidade de suporte ventilatório.
Obstrução intestinal
Bloqueio do trânsito intestinal por metástases peritoneais ou massas, causando vômitos, distensão abdominal e risco de perfuração.
Icterícia obstrutiva
Obstrução de vias biliares por metástases hepáticas ou peripancreáticas, resultando em acumulação de bilirrubina e disfunção hepática.
Derrame pleural ou ascite maligna
Acúmulo de líquido em cavidades serosas devido à infiltração neoplásica, causando dispneia ou desconforto abdominal.
Caquexia neoplásica
Síndrome de wasting com perda muscular e de gordura, associada a citocinas pró-inflamatórias e piora do estado geral.
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Epidemiologia
Neoplasias secundárias de órgãos respiratórios e digestivos são frequentes em pacientes com câncer avançado, representando uma causa significativa de morbimortalidade. A incidência varia com a prevalência de tumores primários; por exemplo, metástases pulmonares são comuns em câncer de mama, colorretal e renal, enquanto metástases hepáticas predominam em câncer colorretal e gástrico. Dados do INCA mostram que metástases contribuem para altas taxas de mortalidade em neoplasias, com distribuição global afetando ambos os sexos e aumentando com a idade.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente reservado, com sobrevida mediana variando de meses a poucos anos, dependendo do tipo de tumor primário, carga tumoral, localização das metástases e resposta ao tratamento. Fatores como performance status, presença de comorbidades e acesso a terapias direcionadas influenciam os desfechos. Em geral, metástases em múltiplos órgãos indicam doença avançada e curativa raramente é possível, focando-se no controle de sintomas e qualidade de vida.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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