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CID C31: Neoplasia maligna dos seios da face
C310
Neoplasia maligna do seio maxilar
C311
Neoplasia maligna do seio etmoidal
C312
Neoplasia maligna do seio frontal
C313
Neoplasia maligna do seio esfenoidal
C318
Neoplasia maligna dos seios da face com lesão invasiva
C319
Neoplasia maligna do seio da face, não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
O código CID-10 C31 refere-se a neoplasias malignas dos seios paranasais, que são cavidades aéreas revestidas por mucosa no interior dos ossos da face, incluindo os seios maxilar, etmoidal, frontal e esfenoidal. Essas neoplasias são caracterizadas por crescimento celular descontrolado, invasivo e com potencial metastático, frequentemente associadas a exposições ambientais como poeiras de madeira, níquel e tabagismo. A localização anatômica específica influencia a apresentação clínica, o diagnóstico e o manejo, sendo o seio maxilar o mais comumente afetado. A incidência é baixa, representando menos de 1% de todos os cânceres, mas a morbidade é significativa devido à proximidade com estruturas críticas como órbita, base do crânio e nervos cranianos, podendo levar a complicações graves se não tratadas precocemente.
Descrição clínica
As neoplasias malignas dos seios paranasais geralmente apresentam-se com sintomas inespecíficos que podem mimetizar condições benignas, como rinossinusite crônica. Os sinais incluem obstrução nasal unilateral, epistaxe, dor facial ou cefaleia, hiposmia, e, em estágios avançados, proptose, diplopia, ou paralisia de nervos cranianos devido à invasão local. A progressão pode resultar em ulceração, deformidade facial ou sintomas neurológicos. O diagnóstico é frequentemente tardio, pois os sintomas iniciais são atribuídos a patologias inflamatórias comuns.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme o seio afetado: no seio maxilar, predominam dor facial, obstrução nasal e epistaxe; no etmoidal, massa nasal e dor periorbital; no frontal, cefaleia frontal e edema; e no esfenoidal, cefaleia occipital e sintomas neuroftalmológicos. Sintomas sistêmicos como perda de peso e fadiga podem ocorrer em doença avançada. A evolução é insidiosa, com diagnóstico frequentemente em estágios T3 ou T4 pela classificação TNM.
Complicações possíveis
Invasão orbital
Pode levar a proptose, diplopia, perda visual ou cegueira.
Invasão intracraniana
Risco de meningite, abscesso cerebral ou déficits neurológicos.
Metástases linfáticas ou à distância
Disseminação para linfonodos cervicais, pulmões ou ossos, piorando o prognóstico.
Obstrução das vias aéreas
Pode causar dificuldade respiratória ou infecções secundárias.
Deformidade facial
Resultante de crescimento tumoral ou tratamento cirúrgico, impactando qualidade de vida.
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Neoplasias malignas dos seios paranasais são raras, representando 0,2-0,8% de todos os cânceres, com incidência anual de aproximadamente 1 caso por 100.000 habitantes. São mais comuns em homens, com pico de incidência entre 50-70 anos. Variações geográficas existem devido a exposições ocupacionais, como maior incidência em trabalhadores de madeira e couro.
Prognóstico
O prognóstico depende do estágio ao diagnóstico, tipo histológico, margens cirúrgicas e comorbidades. Estágios iniciais (T1-T2) têm sobrevida em 5 anos de 60-80%, enquanto estágios avançados (T3-T4) caem para 20-40%. Fatores negativos incluem invasão de base do crânio, metástases e histologias agressivas. O seguimento rigoroso é essencial devido ao risco de recorrência local.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, imaginológicos e histopatológicos. Inclui história clínica detalhada com ênfase em fatores de risco, exame físico com rinoscopia anterior e posterior, e confirmação por biópsia histológica. A estadiagem segue o sistema TNM da UICC/AJCC, utilizando tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) para avaliar extensão local e metástases. Critérios adicionais envolvem exclusão de outras neoplasias e correlação com achados de imagem que mostram massa heterogênea com destruição óssea.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Rinossinusite crônica
Inflamação benigna dos seios paranasais com sintomas semelhantes, mas sem massa invasiva ou destruição óssea na imagem.
UpToDate: Chronic rhinosinusitis: Clinical manifestations, pathophysiology, and diagnosis.
Pólipos nasais
Proliferação benigna da mucosa nasal, geralmente bilateral e não destrutiva, diferenciada por histologia.
PubMed: Nasal polyps: etiology, pathogenesis, and treatment.
Neoplasias benignas (e.g., papiloma invertido)
Tumores não malignos que podem causar obstrução, mas com comportamento localmente agressivo sem metástases, distinguidos por biópsia.
OMS: Classification of Head and Neck Tumours.
Granulomatose com poliangiite
Doença autoimune que pode simular neoplasia com ulceração nasal e destruição tecidual, mas com achados sistêmicos e sorológicos.
Diretrizes Brasileiras de Reumatologia.
Metástases de outros sítios
Neoplasias primárias em outros órgãos (e.g., rim, pulmão) que metastatizam para seios paranasais, exigindo investigação do primário.
Micromedex: Metastatic tumors to the paranasal sinuses.
Exames recomendados
Tomografia computadorizada (TC) de seios da face
Avaliação detalhada da anatomia óssea, erosão e extensão tumoral.
Estadiamento local e planejamento cirúrgico.
Ressonância magnética (RM) com contraste
Melhor caracterização de partes moles, invasão perineural e envolvimento de estruturas como órbita e base do crânio.
Diferenciação entre tumor e tecidos adjacentes, e detecção de invasão.
Biopsia histológica
Coleta de tecido para análise patológica, confirmando malignidade e tipo histológico.
Diagnóstico definitivo e subclassificação.
Nasofibrolaringoscopia
Visualização direta da cavidade nasal e seios, permitindo avaliação de massa e coleta de material.
Avaliação clínica inicial e orientação para biópsia.
PET-CT
Imagem metabólica para detecção de metástases à distância e avaliação de resposta ao tratamento.
Estadiamento sistêmico e monitoramento.
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Uso de EPI em indústrias com exposição a poeiras carcinogênicas.
Cessação do tabagismo
Redução do risco através de programas de abandono do fumo.
Rastreamento em grupos de risco
Avaliação regular em trabalhadores expostos a carcinógenos.
Vigilância e notificação
No Brasil, é doença de notificação compulsória no sistema SINAN para câncer relacionado ao trabalho, conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. Profissionais de saúde devem notificar casos suspeitos ou confirmados, especialmente com histórico ocupacional, para vigilância epidemiológica e ações preventivas.
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Exposição ocupacional a poeiras de madeira, níquel e asbesto, tabagismo, e infecção por HPV são os principais fatores de risco.
Utiliza-se o sistema TNM da UICC/AJCC, baseado em exames de imagem como TC e RM para avaliar tamanho tumoral, invasão local e metástases.
A cirurgia ressecativa é o tratamento de escolha para doença localizada, visando margens livres, frequentemente combinada com radioterapia ou quimioterapia.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...