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CID C01: Neoplasia maligna da base da língua
C01
Neoplasia maligna da base da língua
Mais informações sobre o tema:
Definição
A neoplasia maligna da base da língua é um carcinoma de células escamosas que se origina na porção posterior da língua, situada atrás do V lingual e anterior ao epiglote. Esta região é anatomicamente complexa, fazendo parte da orofaringe, e é frequentemente associada a fatores de risco como tabagismo, etilismo e infecção pelo papilomavírus humano (HPV). A doença é caracterizada por um comportamento agressivo, com tendência a invasão local precoce e metástase linfonodal, impactando significativamente a deglutição, fonação e qualidade de vida. Epidemiologicamente, representa uma parcela importante dos cânceres de cabeça e pescoço, com incidência variável conforme a prevalência dos fatores de risco na população.
Descrição clínica
A neoplasia maligna da base da língua manifesta-se frequentemente com sintomas como odinofagia, disfagia, massa cervical (devido a metástases linfonodais), otalgia referida, alterações na voz e, em estágios avançados, hemoptise ou obstrução das vias aéreas. O exame físico pode revelar ulceração ou massa irregular na base da língua, com possível fixação aos tecidos adjacentes. A progressão local pode envolver a orofaringe, hipofaringe e estruturas neurovasculares, com metástases distantes comuns em pulmão, fígado e ossos.
Quadro clínico
Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, como dor de garganta persistente ou sensação de corpo estranho. Com a progressão, observa-se odinofagia intensa, disfagia para sólidos e líquidos, perda de peso não intencional, halitose e alterações na articulação da fala. A presença de linfadenopatia cervical unilateral ou bilateral é comum, podendo ser o primeiro sinal. Em casos avançados, pode haver trismo, paralisia de nervos cranianos (ex.: hipoglosso) e sintomas sistêmicos como fadiga e anemia.
Complicações possíveis
Obstrução das vias aéreas
Devido ao crescimento tumoral, podendo requerer traqueostomia de emergência.
Disfagia grave
Leva à desnutrição e necessidade de gastrostomia.
Metástases distantes
Comum em pulmão, fígado e ossos, piorando o prognóstico.
Fístulas orocutâneas
Complicação pós-cirúrgica ou por necrose tumoral.
Síndromes paraneoplásicas
Raras, como hipercalcemia ou caquexia.
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Representa aproximadamente 10-15% dos cânceres de orofaringe. Incidência maior em homens (razão 3:1) e em faixas etárias de 50-70 anos. A associação com HPV tem aumentado a incidência em populações mais jovens. No Brasil, é mais comum em regiões com alta prevalência de tabagismo e etilismo.
Prognóstico
O prognóstico depende do estágio ao diagnóstico, status do HPV e comorbidades. Em estágios iniciais (I-II), a sobrevida em 5 anos pode atingir 60-80%, enquanto em estágios avançados (III-IV) cai para 20-40%. Tumores HPV-positivos têm melhor resposta ao tratamento e sobrevida. Fatores negativos incluem invasão perineural, embolização vascular e metástases distantes.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é estabelecido pela combinação de história clínica sugestiva, exame físico detalhado (incluindo nasofibrolaringoscopia) e confirmação histopatológica por biópsia. Critérios incluem: 1) Evidência de massa ou ulceração na base da língua ao exame; 2) Biópsia com confirmação de carcinoma de células escamosas; 3) Estadiamento por imagem (TC ou RM de pescoço e tórax) para avaliar extensão local e metástases; 4) Avaliação do status do HPV por imuno-histoquímica ou PCR, se indicado. O estadiamento segue o sistema TNM da AJCC/UICC.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Neoplasia benigna da língua
Tumores como papilomas ou adenomas, que geralmente são assintomáticos e de crescimento lento, sem invasão.
OMS: Classificação de Tumores da Cabeça e Pescoço, 2017
Infecções orofaríngeas
Faringite bacteriana ou viral, abscessos periamigdalianos, que cursam com dor aguda e resposta a antibióticos.
UpToDate: Abordagem do Paciente com Dor de Garganta, 2023
Linfoma não Hodgkin
Pode apresentar massa em orofaringe, mas geralmente com linfadenopatia generalizada e sintomas B; diagnóstico por biópsia e imunofenotipagem.
NCCN Guidelines: Linfomas, 2023
Tuberculose laríngea
Rara, com ulcerações e granulomas, associada a sintomas constitucionais e história de exposição; confirmação por cultura ou PCR.
Diretrizes Brasileiras de Tuberculose, 2023
Metástase de outro primário
Tumores de pulmão, tireoide ou rim podem metastatizar para base da língua; requer investigação do sítio primário.
PubMed: Metastatic Tumors to the Head and Neck, 2022
Exames recomendados
Nasofibrolaringoscopia
Exame endoscópico para visualização direta da base da língua e avaliação de extensão da lesão.
Diagnóstico inicial e planejamento de biópsia
Biópsia incisional ou por agulha
Coleta de tecido para análise histopatológica e imuno-histoquímica.
Confirmação diagnóstica e subtipagem
Tomografia computadorizada (TC) de pescoço e tórax
Imagem de cortes para avaliar invasão local, metástases linfonodais e distantes.
Estadiamento e planejamento terapêutico
Ressonância magnética (RM) de pescoço
Melhor definição de partes moles e invasão neurovascular.
Detalhamento da extensão tumoral
PET-CT
Tomografia por emissão de pósitrons combinada com TC para detecção de doença metastática e avaliação de resposta.
Estadiamento avançado e follow-up
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Aconselhamento e intervenções para parar de fumar, reduzindo o risco de carcinogênese.
Moderação no consumo de álcool
Limitar a ingestão de bebidas alcoólicas para diminuir o efeito sinérgico com o tabaco.
Higiene oral regular
Manutenção de saúde bucal para reduzir inflamação crônica e fatores de risco.
Rastreamento em grupos de risco
Exames periódicos em indivíduos com história de tabagismo, etilismo ou infecção por HPV.
Vigilância e notificação
No Brasil, é de notificação compulsória para sistemas de câncer (SISCAN), conforme Portaria GM/MS nº 1.271/2014. Recomenda-se registro em registros de base populacional (RCBP) e acompanhamento para detecção precoce de recidivas.
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Tumores HPV-positivos geralmente têm melhor resposta ao tratamento e sobrevida, permitindo estratégias de desescalonamento terapêutico em alguns casos.
Utiliza-se o sistema TNM da AJCC/UICC, baseado em tamanho tumoral (T), envolvimento linfonodal (N) e metástases distantes (M), com exames de imagem e histologia.
Incluem quimiorradiação, cirurgia seguida de radioterapia adjuvante ou imunoterapia, dependendo do status do HPV e condições do paciente.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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