Redação Sanar
CID B87: Miíase
B870
Miíase cutânea
B871
Miíase das feridas
B872
Miíase ocular
B873
Miíase nasofaríngea
B874
Miíase auricular
B878
Miíase de outras localizações
B879
Miíase não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A miíase é uma infecção parasitária causada pela infestação de tecidos vivos ou mortos de vertebrados por larvas (bernes) de moscas da ordem Diptera. Essas larvas se alimentam do hospedeiro, podendo causar destruição tecidual, inflamação e infecções secundárias. A doença é classificada como uma zoonose e pode afetar humanos e animais, com manifestações clínicas variáveis dependendo da localização anatômica e da espécie de mosca envolvida. Epidemiologicamente, é mais comum em regiões tropicais e subtropicais, especialmente em áreas com condições sanitárias precárias, afetando populações de baixa renda, crianças, idosos e indivíduos com feridas crônicas ou imunodeprimidos. O impacto clínico varia desde lesões cutâneas autolimitadas até formas invasivas com risco de vida, exigindo manejo adequado para prevenir complicações.
Descrição clínica
A miíase caracteriza-se pela presença de larvas de moscas em tecidos corporais, com manifestações que dependem do tipo (cutânea, cavitária ou traumática). Na forma cutânea, observam-se lesões furunculoides com orifício central por onde as larvas respiram, podendo haver dor, prurido, secreção serossanguinolenta e movimento perceptível das larvas. Em casos cavitários (ex.: nasal, ocular, auricular), há sintomas como obstrução, dor, secreção purulenta e risco de invasão de estruturas profundas. A miíase traumática ocorre em feridas abertas, com agravamento da lesão e infecção secundária. O diagnóstico é baseado na identificação das larvas, e o curso pode ser benigno ou grave, dependendo da extensão e localização.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a localização: miíase cutânea apresenta lesões furunculoides com eritema, edema, dor e secreção; miíase cavitária (ex.: nasal) causa epistaxe, obstrução, rinorreia purulenta e dor facial; miíase ocular pode levar a ceratite, uveíte e perda visual; miíase auricular provoca otalgia, otorreia e perda auditiva; miíase traumática em feridas mostra agravamento da lesão com tecido necrótico, odor fétido e sinais de infecção. Sintomas sistêmicos como febre, mal-estar e linfadenopatia podem ocorrer em infestações extensas ou complicadas.
Complicações possíveis
Infecção bacteriana secundária
Desenvolvimento de celulite, abscessos ou sepse devido à introdução de bactérias pelas larvas ou através da lesão.
Necrose tecidual
Destruição extensa de tecidos por ação enzimática das larvas, podendo levar à perda de função ou necessidade de desbridamento.
Disseminação sistêmica
Rara invasão de órgãos internos, como cérebro ou pulmões, com risco de vida.
Deformidades ou sequelas funcionais
Danos permanentes em estruturas como olhos, ouvidos ou nariz, resultando em deficiências sensoriais.
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Epidemiologia
A miíase é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, como América Latina, África e Ásia, com maior incidência em áreas rurais ou com saneamento básico inadequado. Dados da OMS indicam subnotificação, mas estima-se milhares de casos anuais globalmente. Grupos de risco incluem crianças, idosos, pessoas com feridas crônicas, diabéticos e imunodeprimidos. Surtos podem ocorrer em condições de desastres naturais ou conflitos. No Brasil, é mais frequente no Norte e Nordeste, associada a pobreza e exposição ambiental.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, consistindo na remoção completa das larvas e manejo de infecções. Casos não complicados resolvem em dias a semanas, com cicatrização completa. Prognóstico reservado em infestações extensas, cavitárias ou em imunodeprimidos, onde há maior risco de complicações como sepse ou sequelas permanentes. Fatores como acesso a cuidados de saúde, higiene e espécie de mosca influenciam o desfecho.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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