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CID B56: Tripanossomíase africana

B560
Tripanossomíase por Trypanosoma gambiense
B561
Tripanossomíase por Trypanosoma rhodesiense
B569
Tripanossomíase africana não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A tripanossomíase africana, também conhecida como doença do sono, é uma infecção parasitária causada por protozoários do gênero Trypanosoma, transmitida pela picada da mosca tsé-tsé (Glossina spp.). A doença é endêmica em regiões da África Subsaariana, sendo classificada em duas formas principais: a forma gambiense (causada por Trypanosoma brucei gambiense), que é crônica e representa mais de 95% dos casos notificados, e a forma rhodesiense (causada por Trypanosoma brucei rhodesiense), que é aguda e mais grave. A infecção evolui em duas fases: uma fase hemolinfática inicial, caracterizada por febre, cefaleia e linfadenopatia, seguida por uma fase meningoencefálica, com envolvimento do sistema nervoso central, levando a distúrbios do sono, alterações neurológicas e, se não tratada, ao óbito. A tripanossomíase africana é uma doença negligenciada com impacto significativo na saúde pública, especialmente em comunidades rurais, e sua vigilância é essencial para controle e eliminação.

Descrição clínica

A tripanossomíase africana apresenta um quadro clínico variável dependendo da forma (gambiense ou rhodesiense) e da fase da doença. Na fase hemolinfática, os sintomas incluem febre irregular, cefaleia, artralgia, prurido e linfadenopatia cervical posterior (sinal de Winterbottom na forma gambiense). Na fase meningoencefálica, há envolvimento do SNC com distúrbios do sono (insônia ou sonolência diurna), alterações comportamentais, tremores, ataxia e, progressivamente, coma. A forma rhodesiense tem início mais abrupto e evolução rápida, enquanto a gambiense é mais insidiosa. O diagnóstico tardio está associado a alta mortalidade.

Quadro clínico

Fase hemolinfática: febre intermitente, cefaleia, astenia, linfadenopatia (especialmente cervical posterior na forma gambiense), hepatosplenomegalia, e rash cutâneo. Fase meningoencefálica: distúrbios do sono (sonolência diurna e insônia noturna), alterações cognitivas, tremores, ataxia, hiperreflexia, e em estágios avançados, coma. A forma rhodesiense pode apresentar miocardite e insuficiência cardíaca. Sem tratamento, a doença é fatal.

Complicações possíveis

Coma e óbito

Progressão da fase neurológica não tratada leva a deterioração neurológica irreversível e morte.

Sequelas neurológicas

Déficits cognitivos, distúrbios psiquiátricos e motorres persistentes após o tratamento.

Miocardite

Especialmente na forma rhodesiense, causando arritmias e insuficiência cardíaca.

Desnutrição e caquexia

Devido à anorexia e metabolismo alterado durante a doença prolongada.

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Epidemiologia

A tripanossomíase africana é endêmica em 36 países da África Subsaariana, com cerca de 1.000 casos notificados anualmente (dados da OMS, 2020). A forma gambiense é predominante na África Ocidental e Central, enquanto a rhodesiense ocorre na África Oriental e Austral. A transmissão está ligada à exposição a moscas tsé-tsé em áreas rurais, afetando principalmente populações rurais, caçadores e viajantes. A incidência diminuiu significativamente nas últimas décadas devido a programas de controle.

Prognóstico

O prognóstico depende do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. Na fase hemolinfática, a cura é alcançada em mais de 90% dos casos com medicamentos como pentamidina ou suramina. Na fase meningoencefálica, o tratamento com melarsoprol ou eflornitina/nifurtimox é eficaz, mas a mortalidade pode chegar a 5-10%, e sequelas neurológicas são comuns em casos avançados. A forma rhodesiense tem pior prognóstico devido à evolução rápida. Sem tratamento, a doença é fatal em 100% dos casos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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