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CID B19: Hepatite viral não especificada
B190
Hepatite viral, não especificada, com coma
B199
Hepatite viral, não especificada, sem coma
Mais informações sobre o tema:
Definição
A hepatite viral não especificada refere-se a uma infecção hepática aguda causada por vírus hepatotrópicos, sem identificação do agente etiológico específico (como vírus da hepatite A, B, C, D ou E). Esta categoria é utilizada quando há evidências clínicas, laboratoriais ou epidemiológicas de hepatite viral, mas não há confirmação do tipo viral por meio de testes sorológicos ou moleculares. A condição caracteriza-se por inflamação hepática, necrose de hepatócitos e elevação de enzimas hepáticas, podendo evoluir para formas fulminantes em casos graves. Epidemiologicamente, é mais comum em regiões com limitações diagnósticas ou em situações de apresentação atípica, representando um desafio para a vigilância em saúde pública devido à necessidade de investigação adicional para orientar medidas de controle.
Descrição clínica
A hepatite viral não especificada manifesta-se como uma síndrome clínica de hepatite aguda, com início súbito de sintomas como fadiga, mal-estar, anorexia, náuseas, vômitos, dor abdominal no hipocôndrio direito e icterícia. Pode haver febre baixa, urina escura (colúria) e fezes acólicas. O exame físico frequentemente revela hepatomegalia dolorosa e, em alguns casos, esplenomegalia. A evolução é variável, desde formas assintomáticas até hepatite fulminante com insuficiência hepática aguda. A duração dos sintomas geralmente é de algumas semanas, mas a recuperação completa pode levar meses. Em populações vulneráveis, como imunossuprimidos, o curso pode ser mais grave.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui fase prodrômica com sintomas inespecíficos (febre, cefaleia, mialgias), seguida de fase ictérica com icterícia, prurido, colúria e acolia fecal. Sintomas digestivos como náuseas, vômitos e dor abdominal são comuns. Em formas graves, podem surgir sinais de insuficiência hepática: encefalopatia (confusão, sonolência), ascite, e equimoses devido à coagulopatia. A hepatite fulminante é uma complicação rara, caracterizada por rápida deterioração neurológica e alto risco de óbito. A recuperação geralmente ocorre em 2 a 6 meses, mas fadiga prolongada pode persistir.
Complicações possíveis
Hepatite fulminante
Insuficiência hepática aguda com encefalopatia, coagulopatia e alto risco de óbito, requerendo transplante hepático urgente.
Hepatite crônica
Persistência da inflamação hepática por mais de 6 meses, podendo evoluir para cirrose e carcinoma hepatocelular, se o vírus for de potencial crônico.
Cirrose hepática
Fibrose avançada e distorção arquitetural do fígado, resultando em insuficiência hepática e complicações como hipertensão portal.
Carcinoma hepatocelular
Neoplasia primária do fícha associada a hepatite crônica, com maior incidência em infecções por HBV ou HCV.
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A hepatite viral não especificada tem distribuição global, com maior incidência em regiões com recursos diagnósticos limitados ou em surtos não investigados. Estima-se que represente uma proporção significativa dos casos de hepatite aguda em países em desenvolvimento. Dados da OMS indicam que hepatites virais causam aproximadamente 1,34 milhões de óbitos anuais, com muitos casos não especificados. Fatores de risco incluem exposição a água ou alimentos contaminados (para HAV e HEV), uso de drogas injetáveis, transfusões sanguíneas não rastreadas e contato sexual. A vigilância é essencial para identificar agentes emergentes.
Prognóstico
O prognóstico da hepatite viral não especificada é variável, dependendo da etiologia subjacente, idade do paciente, comorbidades e rapidez do diagnóstico. Na maioria dos casos, é autolimitada, com recuperação completa em semanas a meses. No entanto, se associada a vírus com potencial crônico (ex.: HBV, HCV não identificados), pode evoluir para hepatite crônica, cirrose ou carcinoma hepatocelular, com mortalidade aumentada. Hepatite fulminante tem prognóstico reservado, com taxa de mortalidade de até 80% sem transplante. Fatores de bom prognóstico incluem jovens sem comorbidades e resolução rápida dos sintomas.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se em achados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos, na ausência de identificação viral específica. Incluem: (1) História clínica sugestiva (ex.: exposição a fatores de risco, início agudo de sintomas); (2) Elevação de enzimas hepáticas (ALT e AST > 10 vezes o limite superior normal); (3) Aumento de bilirrubina total (>2,5 mg/dL); (4) Exclusão de outras causas de hepatite (ex.: tóxicas, autoimunes) por meio de história e exames complementares; (5) Sorologias negativas ou indeterminadas para HAV, HBV, HCV, HDV e HEV. A confirmação requer investigação adicional para descartar vírus conhecidos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Hepatite viral aguda por vírus específico (ex.: HAV, HBV)
Hepatite aguda com sorologia positiva para um vírus hepatotrópico específico, distinguível por testes sorológicos.
WHO. Guidelines for the prevention, care and treatment of persons with chronic hepatitis B infection. 2015.
Hepatite autoimune
Doença hepática crônica mediada por autoimunidade, com autoanticorpos positivos (ex.: ANA, anti-LKM1) e resposta a imunossupressores.
EASL Clinical Practice Guidelines: Autoimmune hepatitis. Journal of Hepatology, 2015.
Hepatite tóxica ou induzida por drogas
Lesão hepática aguda devido a exposição a toxinas ou medicamentos, com história de uso e melhora após suspensão.
UpToDate. Drug-induced liver injury. 2023.
Esteatohepatite não alcoólica (NASH)
Inflamação hepática associada a esteatose, sem história de alcoolismo, comum em obesos e diabéticos.
AASLD Practice Guidance: NAFLD. Hepatology, 2018.
Hepatite isquêmica
Necrose hepatocelular por hipoperfusão hepática, frequentemente em contexto de choque ou insuficiência cardíaca.
UpToDate. Ischemic hepatitis. 2022.
Exames recomendados
Biópsia hepática
Procedimento invasivo para avaliação histológica, identificando necrose, inflamação e padrões sugestivos de etiologia viral.
Confirmar hepatite aguda e excluir outras doenças hepáticas crônicas ou autoimunes.
Sorologia para vírus hepatotrópicos (HAV, HBV, HCV, HDV, HEV)
Testes sorológicos para anticorpos e antígenos virais, como anti-HAV IgM, HBsAg, anti-HCV.
Identificar ou excluir infecções por vírus específicos, orientando o diagnóstico etiológico.
PCR para vírus hepatotrópicos
Detecção de RNA ou DNA viral no soro por reação em cadeia da polimerase.
Confirmar infecção aguda em casos sorologicamente indeterminados ou para detecção precoce.
Testes de função hepática (ALT, AST, bilirrubina, albumina, INR)
Avaliação de enzimas hepáticas, bilirrubina, síntese proteica e coagulação.
Quantificar a gravidade da lesão hepática e monitorar a evolução.
Ultrassonografia abdominal
Exame de imagem para avaliar tamanho, ecogenicidade e estrutura hepática, e detectar complicações como ascite.
Excluir obstruções biliares e avaliar alterações parenquimatosas.
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Lavagem adequada das mãos e acesso a água potável para reduzir transmissão fecal-oral.
Uso de preservativos
Prevenção da transmissão sexual de vírus como HBV e HCV.
Triagem de doadores de sangue
Testagem rigorosa de sangue e derivados para HBsAg, anti-HCV e outros marcadores.
Uso de material descartável
Em serviços de saúde e em uso de drogas, para evitar transmissão parenteral.
Vigilância e notificação
A hepatite viral não especificada é de notificação compulsória em muitos países, incluindo o Brasil, conforme Portaria MS nº 204/2016. Deve ser notificada ao sistema de vigilância epidemiológica (ex.: SINAN) dentro de 7 dias, com investigação para tentar especificar o agente. Medidas incluem coleta de amostras para sorologia e PCR, rastreamento de contactantes, e educação sobre higiene e prevenção. Em surtos, é recomendado isolamento de casos e desinfecção de fontes comuns. A notificação auxilia no monitoramento de tendências e na implementação de políticas de controle.
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Sim, se o agente etiológico for um vírus com potencial de cronicidade, como HBV ou HCV, e não for identificado e tratado. A investigação adicional é crucial para definir o risco.
Incluem exposição a água ou alimentos contaminados, uso de drogas injetáveis, transfusões sanguíneas não rastreadas, contato sexual desprotegido e viagens para áreas endêmicas.
A hepatite autoimune typically apresenta autoanticorpos positivos (ex.: ANA, anti-LKM1), elevação de IgG, e resposta a corticosteroides, enquanto a viral não especificada tem sorologias negativas e pode ter história epidemiológica sugestiva.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...