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CID B15: Hepatite aguda A
B150
Hepatite A com coma hepático
B159
Hepatite A sem coma hepático
Mais informações sobre o tema:
Definição
A hepatite aguda tipo A é uma doença infecciosa causada pelo vírus da hepatite A (VHA), um picornavírus de RNA de cadeia simples, transmitido principalmente pela via fecal-oral. Caracteriza-se por inflamação hepática aguda, com necrose hepatocelular e infiltrado inflamatório, resultando em elevação de transaminases e possíveis manifestações clínicas como icterícia, mal-estar e febre. A infecção é geralmente autolimitada em indivíduos imunocompetentes, sem evolução para cronicidade, mas pode apresentar formas graves, incluindo hepatite fulminante, especialmente em adultos e idosos. Epidemiologicamente, é endêmica em regiões com saneamento básico inadequado, com maior incidência em crianças, embora a vacinação tenha reduzido significativamente sua prevalência em muitos países.
Descrição clínica
A hepatite aguda tipo A manifesta-se tipicamente com um pródromo de sintomas inespecíficos, como febre, fadiga, anorexia, náuseas, vômitos e dor abdominal, seguido pelo aparecimento de icterícia, colúria e acolia fecal. O exame físico pode revelar hepatomegalia dolorosa e, menos comumente, esplenomegalia. A fase ictérica geralmente dura de 2 a 4 semanas, com resolução espontânea na maioria dos casos. Em crianças, a infecção é frequentemente assintomática ou subclínica, enquanto em adultos os sintomas são mais pronunciados e prolongados.
Quadro clínico
O quadro clínico evolui em fases: incubação (15-50 dias), pródromo (sintomas constitucionais como febre, mal-estar, mialgias), fase ictérica (icterícia, colúria, acolia, hepatomegalia) e convalescença. Sintomas extra-hepáticos são raros, mas podem incluir artralgias e exantema. Em casos graves, pode progredir para hepatite fulminante com encefalopatia hepática, coagulopatia e alto risco de óbito.
Complicações possíveis
Hepatite fulminante
Forma grave com necrose hepática maciça, encefalopatia, coagulopatia e alto risco de óbito; ocorre em <1% dos casos, mais comum em adultos.
Colestase prolongada
Icterícia persistente por mais de 12 semanas, com prurido e elevação de fosfatase alcalina; geralmente autolimitada.
Recidiva da hepatite
Episódio de reativação dos sintomas e elevação de transaminases após resolução inicial; rara e benigna.
Insuficiência renal aguda
Associada a hepatite fulminante ou síndrome hepatorrenal, com piora do prognóstico.
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Endêmica em regiões com saneamento precário, com alta incidência em crianças. No Brasil, a incidência diminuiu com a vacinação infantil. Transmissão é fecal-oral, com surtos relacionados a água e alimentos contaminados. A soroprevalência é maior em áreas tropicais e em populações de baixa renda.
Prognóstico
Geralmente excelente, com resolução completa em 2-3 meses na maioria dos casos, sem sequelas ou cronicidade. A letalidade é baixa (<0,5%), mas aumenta em idosos e portadores de doenças hepáticas preexistentes. Imunidade é duradoura após a infecção.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. Critérios incluem: elevação de transaminases (ALT > 10 vezes o limite superior), sorologia positiva para IgM anti-VHA (indicando infecção aguda), e história de exposição a fatores de risco (ex.: viagens a áreas endêmicas, contato com caso confirmado). A confirmação é sorológica, com detecção de IgM anti-VHA no soro.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Hepatite aguda B
Infecção por HBV, que pode ser diferenciada pela sorologia (HBsAg positivo, anti-HBc IgM) e potencial para cronicidade.
WHO. Guidelines for the prevention, care and treatment of persons with chronic hepatitis B infection. 2015.
Hepatite aguda C
Causada por HCV, com sorologia positiva para anti-HCV e RNA-HCV, geralmente assintomática na fase aguda.
AASLD/IDSA. Recommendations for testing, managing, and treating hepatitis C. 2018.
Hepatite autoimune
Doença crônica com autoanticorpos positivos (ex.: ANA, anti-LKM1) e resposta a imunossupressores.
EASL Clinical Practice Guidelines: Autoimmune hepatitis. Journal of Hepatology, 2015.
Hepatite por toxinas
Induzida por drogas (ex.: paracetamol) ou álcool, com história de exposição e padrão laboratorial característico.
UpToDate. Drug-induced liver injury. 2021.
Mononucleose infecciosa
Causada por EBV, com linfadenopatia, faringite e teste monot positivo, podendo simular hepatite.
CDC. Epstein-Barr Virus and Infectious Mononucleosis. 2020.
Exames recomendados
Sorologia para IgM anti-VHA
Detecção de anticorpos IgM específicos contra o VHA no soro.
Confirmar infecção aguda, pois IgM é positiva na fase inicial e persiste por 3-6 meses.
Transaminases (ALT, AST)
Dosagem de alanina aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST) no soro.
Avaliar o grau de lesão hepatocelular; níveis elevados são característicos.
Bilirrubina total e frações
Medição de bilirrubina direta e indireta no soro.
Confirmar icterícia e diferenciar causas hepáticas de outras.
Painel de hepatite viral
Testes sorológicos para HBV, HCV e outros vírus hepatotrópicos.
Excluir outras hepatites virais no diagnóstico diferencial.
Ultrassonografia abdominal
Exame de imagem não invasivo do fígado e vias biliares.
Avaliar tamanho hepático, ecogenicidade e excluir obstruções biliares.
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Melhorar acesso a água potável e esgotamento sanitário para reduzir a transmissão fecal-oral.
Higiene pessoal
Lavar as mãos com água e sabão após usar o banheiro e antes de manipular alimentos.
Imunoglobulina humana
Administração pós-exposição em contactantes suscetíveis dentro de 2 semanas da exposição, para proteção imediata.
Vigilância e notificação
Doença de notificação compulsória no Brasil. Vigilância inclui investigação de casos, controle de surtos e monitoramento de cobertura vacinal. Medidas de prevenção focam em saneamento básico e higiene pessoal.
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Não, a hepatite A é uma infecção aguda e autolimitada, sem evolução para a forma crônica, diferentemente das hepatites B e C.
A vacinação é recomendada para crianças a partir de 12 meses, viajantes para áreas endêmicas, pessoas com doenças hepáticas crônicas e outros grupos de risco, conforme diretrizes do PNI.
O período de incubação varia de 15 a 50 dias, com média de 28 dias, durante o qual o vírus se replica sem sintomas aparentes.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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