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CID B18: Hepatite viral crônica
B180
Hepatite viral crônica B com agente Delta
B181
Hepatite crônica viral B sem agente Delta
B182
Hepatite viral crônica C
B188
Outras hepatites crônicas virais
B189
Hepatite viral crônica não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A hepatite viral crônica é uma inflamação hepática persistente por mais de seis meses, causada por infecção viral, caracterizada por necrose hepatocelular e inflamação portal. As principais etiologias incluem os vírus da hepatite B (HBV), C (HCV) e D (HDV), com mecanismos patogênicos distintos: o HBV pode integrar-se ao DNA hepatocítico, levando a replicação viral contínua e resposta imune mediada por linfócitos T citotóxicos; o HCV frequentemente escapa da resposta imune devido à alta taxa de mutação, resultando em cronicidade em até 85% dos casos; o HDV, um vírus defeituoso que requer o HBV para replicação, acelera a progressão da doença. Epidemiologicamente, a hepatite B crônica afeta cerca de 257 milhões de pessoas globalmente, com alta endemicidade em regiões da Ásia e África, enquanto a hepatite C crônica atinge aproximadamente 71 milhões, com distribuição heterogênea. O impacto clínico varia de portador assintomático a cirrose e carcinoma hepatocelular, representando uma causa significativa de morbimortalidade hepática mundial.
Descrição clínica
A hepatite viral crônica manifesta-se clinicamente por um espectro que vai desde a ausência de sintomas até fadiga, mal-estar, anorexia, icterícia, hepatomegalia e esplenomegalia. Em fases avançadas, podem surgir sinais de doença hepática crônica, como aranhas vasculares, eritema palmar, ascite e encefalopatia hepática. A progressão para cirrose ocorre em 15-40% dos casos de hepatite B crônica e em 20-30% dos de hepatite C crônica ao longo de décadas, com risco aumentado de carcinoma hepatocelular.
Quadro clínico
O quadro clínico é frequentemente insidioso, com sintomas inespecíficos como fadiga, astenia, artralgias e desconforto abdominal no hipocôndrio direito. Icterícia pode estar presente em exacerbacoes. Sinais físicos incluem hepatomegalia (70-80% dos casos), esplenomegalia (20-30%) e, em estágios avançados, manifestações de hipertensão portal (ascite, varizes esofágicas) e insuficiência hepática (encefalopatia, coagulopatia). Exacerbações agudas podem mimetizar hepatite aguda.
Complicações possíveis
Cirrose hepática
Fibrose hepática avançada com distorção arquitetural, levando a hipertensão portal e insuficiência hepática.
Carcinoma hepatocelular
Neoplasia maligna primária do fígado, com risco aumentado em portadores de hepatite B e C crônica.
Descompensação hepática
Episódios de ascite, encefalopatia hepática ou hemorragia por varizes, indicando progressão da doença.
Hepatite fulminante
Necrose hepática maciça em exacerbações agudas, rara mas com alta mortalidade.
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Globalmente, a hepatite B crônica afeta cerca de 257 milhões de pessoas, com alta prevalência na África Subsaariana e Ásia Oriental; a hepatite C crônica atinge aproximadamente 71 milhões, com distribuição variável (e.g., Egito tem taxas históricas altas). No Brasil, estima-se 0,5-0,7% de prevalência de HBsAg e 1-2% de anti-HCV. A transmissão do HBV é predominantemente vertical e sexual em áreas endêmicas, e parenteral para HCV. Grupos de risco incluem usuários de drogas injetáveis, profissionais de saúde e receptores de hemoderivados.
Prognóstico
O prognóstico varia com a etiologia, carga viral, grau de fibrose e comorbidades. Na hepatite B crônica, a supressão viral com antivirais melhora a sobrevida, mas o risco de cirrose é de 8-20% em 5 anos; na hepatite C crônica, a cura com antivirais de ação direta reduz drasticamente a progressão. Sem tratamento, a mortalidade relacionada ao fígado em 10 anos pode chegar a 15% em cirróticos. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, sexo masculino, consumo de álcool e coinfecção por HIV.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e histológicos: persistência de elevação de aminotransferases (ALT/AST) por >6 meses, sorologia positiva para marcadores virais (HBsAg positivo por >6 meses para HBV; anti-HCV e RNA-HCV positivo para HCV; anti-HDV e RNA-HDV positivo para HDV), e biópsia hepática mostrando inflamação portal e periportal com graus variáveis de necrose e fibrose (índice de atividade histológica ≥4 no escore de Knodell). Diretrizes da AASLD e EASL recomendam confirmação com carga viral quantitativa e avaliação de fibrose por elastografia.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Esteatohepatite não alcoólica
Doença hepática crônica com esteatose, inflamação e balonização hepatocelular, associada a síndrome metabólica, sem marcadores virais.
AASLD Guidance: Chalasani N, et al. Hepatology. 2018;67(1):328-57.
Hepatite autoimune
Inflamação hepática crônica mediada por autoimunidade, com autoanticorpos positivos (ANA, anti-LKM1), hipergamaglobulinemia e resposta a imunossupressores.
EASL Clinical Practice Guidelines. J Hepatol. 2015;62(1):100-11.
Hepatotoxicidade por medicamentos
Lesão hepática induzida por drogas, com história de exposição a agentes hepatotóxicos e resolução após descontinuação.
AASLD Position Paper: Fontana RJ, et al. Hepatology. 2019;70(1):403-22.
Doença de Wilson
Distúrbio hereditário do metabolismo do cobre, com ceruloplasmina baixa, excreção urinária de cobre aumentada e depósitos de cobre no fígado.
EASL Clinical Practice Guidelines. J Hepatol. 2012;56(3):671-85.
Hemocromatose hereditária
Sobrecarga de ferro com saturação da transferrina elevada e ferritina alta, levando a fibrose hepática progressiva.
AASLD Practice Guideline: Bacon BR, et al. Hepatology. 2011;54(1):328-43.
Exames recomendados
Sorologia para HBV, HCV e HDV
Detecção de HBsAg, anti-HBc, anti-HCV, anti-HDV e confirmação com RNA/DNA viral.
Confirmar etiologia viral e estado de infecção crônica.
Testes de função hepática
Dosagem de ALT, AST, fosfatase alcalina, GGT, bilirrubina, albumina e tempo de protrombina.
Avaliar gravidade da lesão hepatocelular e função sintética hepática.
Elastografia transitória (FibroScan)
Medição não invasiva da rigidez hepática para estadiar fibrose.
Substituir biópsia em muitos casos para avaliação de fibrose.
Biópsia hepática
Análise histológica para grau de necroinflamação e estágio de fibrose.
Padrão-ouro para diagnóstico e prognóstico em casos selecionados.
Ultrassonografia abdominal
Imagem para detectar hepatomegalia, esplenomegalia, ascite e nódulos sugestivos de HCC.
Rastreio de complicações como cirrose e carcinoma hepatocelular.
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Testar HBsAg e anti-HCV em bancos de sangue para prevenir transmissão transfusional.
Práticas de biossegurança
Uso de equipamentos de proteção individual e descarte seguro de agulhas em serviços de saúde.
Educação em saúde
Campanhas sobre transmissão sexual e parenteral, e promoção de testagem em populações de risco.
Vigilância e notificação
A hepatite viral crônica é de notificação compulsória no Brasil, conforme Portaria MS nº 204/2016. A vigilância envolve monitoramento de casos confirmados, investigação de fontes de infecção e promoção de testagem em populações vulneráveis. Programas de rastreio para HBV e HCV são recomendados pela OMS em grupos de alto risco, com notificação aos sistemas nacionais (e.g., SINAN) para controle epidemiológico.
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Depende da etiologia: a hepatite C crônica é curável com antivirais de ação direta em >95% dos casos, enquanto a hepatite B crônica pode ser controlada com supressão viral, mas a eliminação completa do vírus é rara.
Incluem carga viral elevada, duração prolongada da infecção, sexo masculino, idade avançada, consumo de álcool, coinfecção com HIV ou HDV, e presença de fibrose significativa ao diagnóstico.
Recomenda-se ultrassonografia abdominal a cada 6 meses em pacientes com cirrose ou, em hepatite B, aqueles com fibrose avançada ou história familiar de HCC, de acordo com diretrizes da AASLD e EASL.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...