CID B03: Varíola
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Definição
A varíola é uma doença infecciosa aguda, altamente contagiosa, causada pelo vírus da varíola (gênero Orthopoxvirus, família Poxviridae), caracterizada por um quadro clínico sistêmico com febre alta, mal-estar, cefaleia e dor lombar intensa, seguido pelo surgimento de um exantema maculopapular que evolui para pústulas umbilicais e, posteriormente, crostas. A doença possui duas formas principais: varíola maior (Variola major), com alta letalidade (até 30%), e varíola menor (Variola minor), de curso mais brando e letalidade inferior a 1%. A transmissão ocorre principalmente por via respiratória, através de gotículas ou aerossóis de indivíduos infectados, e o período de incubação varia de 7 a 17 dias. A varíola foi declarada erradicada globalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1980, após uma campanha massiva de vacinação, sendo o primeiro e único doença humana a alcançar esse status. No entanto, o vírus permanece armazenado em laboratórios de alta segurança para fins de pesquisa, levantando preocupações sobre seu potencial uso como arma biológica.
Descrição clínica
A varíola apresenta um curso clínico bifásico. A fase prodrômica, com duração de 2 a 4 dias, é marcada por início súbito de febre alta (39-40°C), mal-estar, cefaleia intensa, dor lombar (sinal de 'dorso quebrado'), vômitos e, ocasionalmente, delírio. Segue-se a fase exantemática, com o aparecimento de um exantema maculopapular que inicia na face e membros, progredindo para o tronco, e evolui sequencialmente para pápulas, vesículas, pústulas umbilicais (com depressão central) e, finalmente, crostas que se desprendem após 2 a 3 semanas, podendo deixar cicatrizes deprimidas. As lesões são tipicamente monomórficas (todas no mesmo estágio em uma dada área) e afetam a face, membros e palmas/plantas. A doença é mais grave em crianças, gestantes e imunossuprimidos, com complicações como encefalite, pneumonia, sepse e cegueira por ceratite.
Quadro clínico
O quadro clínico inicia com fase prodrômica de 2-4 dias: febre alta súbita (39-40°C), cefaleia intensa, mal-estar, mialgia (especialmente dor lombar), vômitos e, por vezes, delírio. Após a defervescência da febre, surge o exantema característico: máculas que progridem para pápulas em 1-2 dias, vesículas em 2-3 dias, pústulas umbilicais em 4-5 dias e crostas após 10-14 dias. As lesões são monomórficas, começam na face e membros (distribuição centrífuga), e afetam palmas e plantas. A forma hemorrágica (varíola negra) cursa com sangramento cutâneo e mucosal, evolução fulminante e letalidade próxima a 100%. A convalescência é prolongada, com cicatrizes deprimidas frequentes.
Complicações possíveis
Encefalite
Inflamação cerebral com alteração do nível de consciência, convulsões e sequelas neurológicas; taxa de 1-2% em varíola maior.
Pneumonia
Infecção pulmonar bacteriana secundária ou viral primária, contribuindo para insuficiência respiratória.
Ceratite e cegueira
Ulceração corneal por infecção viral, levando a opacidades e perda visual permanente.
Sepse bacteriana
Infecção sistêmica por bactérias oportunistas devido à barreira cutânea comprometida.
Cicatrizes cutâneas
Lesões deprimidas e desfigurantes, especialmente na face, com impacto psicossocial.
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Epidemiologia
A varíola foi endêmica em todo o mundo até o século XX, com surtos recorrentes e alta mortalidade. A campanha global de vacinação liderada pela OMS resultou na erradicação em 1980; o último caso natural ocorreu em 1977 na Somália. A incidência era maior em crianças e em regiões com baixa cobertura vacinal. Atualmente, não há transmissão natural, mas o vírus é mantido em dois laboratórios de referência (CDC e VECTOR). A vigilância é focada em potenciais eventos de liberação, com planos de resposta a emergências.
Prognóstico
O prognóstico da varíola varia conforme a forma: na varíola maior clássica, a letalidade é de 20-30%, sendo maior em crianças, gestantes e não vacinados; na forma hemorrágica, a letalidade aproxima-se de 100%. A varíola menor (Alastrim) tem letalidade <1%. Sobreviventes podem apresentar sequelas como cicatrizes cutâneas, cegueira e complicações neurológicas. A vacinação prévia confere proteção significativa, reduzindo a gravidade. Com a erradicação, o risco atual é teórico, relacionado a liberação acidental ou intencional do vírus.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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