Anúncio

Resumo de varíola (completo) – Sanarflix

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Definição

A varíola é uma doença viral exantemática, causada pelo Poxvirus variolae, exclusiva de humanos. Durante a Idade Média, juntamente com a Peste Negra, foi responsável por várias epidemias e por milhares de mortes. Ela causa uma doença inicialmente muito parecida com a varicela (catapora), mas que tinha repercussões clínicas muito mais graves. 

A imunização, descoberta pelo médico inglês Edward Jenner no século XVIII, foi um dos mais importantes avanços da medicina. Só a partir da vacinação em massa da população em nível mundial, proposto no Programa Global de Erradicação da Varíola, criado em 1966, foi possível controlar a doença definitivamente. O último caso registrado ocorreu em 26 de outubro de 1977, na Somália. 

Epidemiologia da varíola 

No passado, a varíola era endêmica em épocas de inverno e primavera, acometendo principalmente crianças e adultos. A varíola teria surgido na Índia, sendo descrita na Ásia e na África desde antes da era cristã. Em 1967, 33 países ainda eram considerados endêmicos, com cerca de 10-15 milhões de casos notificados por ano. Como a mortalidade média atingia a casa dos 30% em pessoas não vacinadas, cerca de 3 milhões de mortes ocorriam anualmente. 

No hemisfério norte a varíola endêmica ocorria no inverno e na primavera e era principalmente uma doença de crianças e adultos jovens. No hemisfério sul, onde no mesmo período ocorria com o verão e outono, também aumentavam a incidência da varíola, quando esta era endêmica. 

A introdução da varíola no território brasileiro ocorreu em 1953, com a primeira epidemia nacional,  na ilha de Itaparica na Bahia, disseminando-se para o resto do país. O vírus chegou ao Brasil a partir do transporte de escravos no século XVI. 

A imunização, descoberta pelo médico inglês Edward Jenner no século XVIII, e a utilização da imunização em larga escala, permitiu a diminuição drástica da incidência da doença entre os séculos XVIII e XX. 

A varíola maior endêmica foi erradicada dos Estados Unidos em 1926, e a varíola menor durante a década de 1940. A erradicação foi mais lenta na Ásia, África e em partes das Américas. No Brasil, foi instituída a Campanha de Erradicação da Varíola em agosto de 1966,  e só durante a fase de ataque, encerrada em 16 de outubro de 1971, cerca de 88% da população brasileira havia sido vacinada. A última notificação da doença foi em abril daquele ano e desde então não há registro de casos de varíola no Brasil. 

A última infecção natural por varíola no mundo na ocorreu Somália em outubro de 1977. O último caso conhecido no mundo, em setembro de 1978, resultou de um acidente de laboratório em Birmingham, na Inglaterra. No entanto, atualmente, há o medo de um possível ataque com o vírus da varíola como arma biológica, por se saber que este agente é de alta transmissibilidade e letalidade.

Virologia e fisiopatologia

O vírus varíola é do gênero Orthopoxvirus, da subfamília Chordopoxvirinae da família Poxviridae.  O vírus tem uma estrutura complexa com uma membrana externa, dois corpos laterais e um núcleo em formato de haltere que contém uma única molécula de DNA de fita dupla. É um dos vírus mais resistentes, em particular, aos agentes físicos. 

A transmissão ocorre a partir de secreções das vias aéreas superiores de pessoa a pessoa. Os vírus se multiplicam no trato respiratório localmente e então se espalham para os linfonodos regionais por meio de macrófagos circulantes. A multiplicação dentro dos gânglios linfáticos leva a uma viremia primária com disseminação do vírus para órgãos linfóides, como o baço. A amplificação viral dentro dos órgãos linfóides leva a uma viremia secundária, que está associada ao início dos sintomas e à erupção cutânea característica da varíola. O vírus pode ser encontrado a partir de amostras da orofaringe, lesões cutâneas, medula óssea, baço, fígado e rins.    

As vesículas da pele características da varíola ocorrem devido à presença do vírus dentro de pequenos vasos sanguíneos dérmicos, produzindo edema endotelial e infecção das células epidérmicas. A partir do corte histológicos das lesões, pode-se encontrar os chamadas corpos de Guarnieri, que são levemente basofílicos ou acidofílicos. 

Histologia de uma lesão maculopapular de varíola (aumento de 500x)
Histologia de uma lesão maculopapular de varíola (aumento de 500x). Fonte: UptoDate

A infecção pelo vírus varíola estimula respostas específicas de células T citotóxicas, anticorpos neutralizantes e a produção de interferons.  Essas respostas imunes restringem a replicação viral e induzem imunidade prolongada nos pacientes que se recuperam.  

Quadro clínico da varíola

O paciente que apresenta a doença sistêmica, apresenta uma fase pré-eruptiva, com duração de dois a quatro dias, que pode ocorrer com febre alta, mal estar intenso, cefaleia, mialgia, náuseas e prostração, podendo apresentar dores abdominais intensas e delírio. Posteriormente, doença progride para a fase exantemática, com o aparecimento de lesões cutâneas, que comumente seguem uma sequência cronológica de mácula ou pápula, vesícula, pústula e formação de crostas, em surto único, de duração média entre 1 e 2 dias, distribuição centrífuga no corpo, atingindo mais face e membros. Observa-se o mesmo estágio evolutivo das lesões, em uma determinada área, o que ajuda a diferenciar da varicela, que apresenta estágios diferentes de evolução em um mesmo segmento do corpo. 

Lesões cutâneas na Varíola
Lesões cutâneas na Varíola . Fonte: UptoDate

Diagnóstico da varíola

Desde que a varíola foi erradicada em 1977, então dificilmente um médico em atuação presenciou um caso de varíola e, portanto, pode não reconhecer as lesões características.

O diagnóstico pode feito a partir de um exame direto de material de lesões da pele ou mucosas, utilizando microscopia clássica ou técnicas de imunofluorescência direta ou indireta. Pode-se, também, realizar busca pelo antígeno nas lesões da pele e soro ou isolamento e identificação do vírus. 

Tratamento da varíola 

O tratamento da varíola historicamente foi de suporte, mantendo-se o balanço hidroeletrolítico e promovendo cuidados intensivos quando necessário.  No entanto, em julho de 2018, mesmo com a doença erradicada, o agente antiviral tecovirimat foi aprovado para o tratamento da varíola nos Estados Unidos. A antibioticoterapia é indicada, para o tratamento de infecções bacterianas secundárias, que são frequentes.

Quer aprender mais sobre varíola? Então experimente agora o SanarFlix por 7 dias grátis.

Posts relacionados:

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

Não vá embora ainda!

Temos conteúdos 100% gratuitos para você!

🎁 Minicursos com certificado + e-books

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀