CID B01: Varicela [Catapora]
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Definição
A varicela, também conhecida como catapora, é uma doença infecciosa aguda, altamente contagiosa, causada pelo vírus varicela-zoster (VZV), um membro da família Herpesviridae. Caracteriza-se por um exantema vesicular generalizado, pruriginoso, que evolui para pústulas, crostas e eventual resolução, frequentemente acompanhado de sintomas sistêmicos como febre, mal-estar e cefaleia. A infecção primária pelo VZV resulta em varicela, enquanto a reativação do vírus latente nos gânglios sensoriais pode levar ao herpes zoster (cobreiro) mais tarde na vida. A varicela é uma das doenças exantemáticas clássicas da infância, com distribuição global e sazonalidade em regiões temperadas, sendo mais comum no final do inverno e início da primavera. A transmissão ocorre principalmente por via respiratória (gotículas) ou por contato direto com lesões cutâneas, com alto potencial de disseminação em ambientes fechados como escolas e creches. Embora geralmente autolimitada em crianças saudáveis, pode evoluir com complicações graves, especialmente em adultos, imunossuprimidos e neonatos, incluindo pneumonia, encefalite e infecções bacterianas secundárias.
Descrição clínica
A varicela apresenta um curso clínico típico, iniciando com um pródromo de 1 a 2 dias com febre baixa a moderada, mal-estar, cefaleia e anorexia, seguido pelo surgimento do exantema maculopapular que rapidamente evolui para vesículas claras ('em pétalas de rosa') sobre base eritematosa, com posterior formação de pústulas e crostas. As lesões surgem em surtos sucessivos, resultando no polimorfismo característico (presença simultânea de máculas, pápulas, vesículas, pústulas e crostas), com distribuição centrípeta, predominando no tronco, face e couro cabeludo, e podendo envolver membranas mucosas (ex.: orofaringe, conjuntivas). O prurido intenso é comum e pode levar a escoriações e infecções bacterianas secundárias. A fase de crostas persiste por 5 a 10 dias, com resolução sem cicatrizes na maioria dos casos, a menos que haja infecção secundária. Em adultos, o quadro tende a ser mais grave, com febre mais alta, exantema mais extenso e maior risco de complicações.
Quadro clínico
O quadro clínico da varicela é dominado pelo exantema vesicular pruriginoso, que surge em surtos sucessivos, com polimorfismo lesional (máculas, pápulas, vesículas, pústulas e crostas simultaneamente). As lesões iniciam no tronco e face, com distribuição centrípeta, e podem envolver couro cabeludo e mucosas (ex.: orofaringe, causando lesões ulceradas dolorosas). Sintomas prodrômicos incluem febre (38-39°C), mal-estar, cefaleia e anorexia, precedendo o exantema por 1-2 dias. Em crianças, o curso é geralmente benigno e autolimitado, com resolução em 7-10 dias. Em adultos, imunossuprimidos e neonatos, o quadro pode ser mais grave, com febre alta, exantema mais extenso, e maior risco de complicações como pneumonia, encefalite, hepatite e infecções bacterianas secundárias (ex.: celulite, abscessos, fascite necrosante). A varicela congênita (por infecção materna no primeiro ou segundo trimestre) pode resultar em síndrome da varicela congênita, com malformações fetais.
Complicações possíveis
Infecções bacterianas secundárias da pele
Como celulite, impetigo, abscessos ou fascite necrosante, geralmente por Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes, devido a escoriações pelo prurido.
Pneumonia por varicela
Pneumonite viral primária, mais comum em adultos, imunossuprimidos e gestantes, com tosse, dispneia e infiltrados nodulares bilaterais na radiografia; pode ser grave e fatal.
Encefalite
Inflamação cerebral, apresentando-se com alteração do nível de consciência, convulsões ou déficits neurológicos focais; pode ocorrer durante ou após o exantema.
Hepatite
Inflamação hepática, geralmente assintomática, mas pode evoluir com icterícia e elevação de transaminases em casos graves.
Síndrome de Reye
Complicação rara associada ao uso de salicilatos em crianças com varicela, caracterizada por encefalopatia e degeneração gordurosa do fígado.
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Epidemiologia
A varicela tem distribuição global, com alta incidência em regiões temperadas (ex.: Europa, América do Norte) e menor em tropicais, possivelmente devido a fatores climáticos e de aglomeração. Antes da vacinação, mais de 90% dos casos ocorriam em crianças 90% em países com programas robustos. A transmissão é por via aérea ou contato direto, com alta contagiosidade (taxa de ataque secundário de 80-90% em suscetíveis). Sazonalidade é observada em climas temperados, com picos no final do inverno e primavera. No Brasil, a vacina foi incorporada ao PNI em 2013, levando a declínio nos casos. Grupos de risco incluem imunossuprimidos, gestantes não imunes e neonatos.
Prognóstico
O prognóstico da varicela é geralmente excelente em crianças imunocompetentes, com resolução completa em 7 a 10 dias e baixa taxa de complicações (<2%). Em adultos, imunossuprimidos, neonatos e gestantes, o prognóstico é mais reservado, com maior risco de complicações graves (ex.: pneumonia, encefalite) e mortalidade (taxa de letalidade em adultos é cerca de 30 vezes maior que em crianças). Complicações como pneumonia e encefalite podem resultar em sequelas permanentes ou óbito. A vacinação reduziu significativamente a incidência e gravidade da doença. Após a infecção, confere imunidade duradoura, mas o vírus permanece latente, com risco de herpes zoster posterior.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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