Redação Sanar
CID A99: Febres hemorrágicas virais não especificadas
A99
Febres hemorrágicas virais não especificadas
Mais informações sobre o tema:
Definição
A febre hemorrágica viral, não especificada, refere-se a um grupo de doenças infecciosas agudas causadas por vírus de diferentes famílias, caracterizadas por febre, manifestações hemorrágicas e alto potencial de letalidade. Essas enfermidades são zoonóticas, com reservatórios naturais em animais como roedores, artrópodes ou primatas, e a transmissão aos humanos ocorre por contato direto com fluidos corporais, vetores ou aerossóis. A fisiopatologia envolve dano endotelial generalizado, ativação do sistema de coagulação e resposta inflamatória exacerbada, levando a extravasamento vascular, choque e falência de múltiplos órgãos. Epidemiologicamente, são endêmicas em regiões tropicais e subtropicais, com surtos esporádicos que representam ameaças à saúde pública global devido à alta transmissibilidade e gravidade.
Descrição clínica
A febre hemorrágica viral apresenta um espectro clínico variável, iniciando-se com sintomas inespecíficos como febre alta, cefaleia, mialgia e artralgia, evoluindo para manifestações hemorrágicas como petéquias, equimoses, epistaxe, hematêmese e melena. O quadro pode progredir para instabilidade hemodinâmica, insuficiência renal, encefalite e coagulopatia, com letalidade que varia conforme o agente etiológico. O diagnóstico é desafiador devido à sobreposição de sintomas com outras doenças febris, exigindo alta suspeição clínica e confirmação laboratorial.
Quadro clínico
Fase prodrômica (2-7 dias): febre súbita, cefaleia intensa, mialgia, faringite, conjuntivite e exantema maculopapular. Fase crítica: aparecimento de sangramentos mucocutâneos, hematêmese, melena, hemorragia intracraniana, oligúria, confusão mental e choque. A evolução pode ser fulminante, com morte em 7-14 dias em casos graves.
Complicações possíveis
Choque hipovolêmico
Resultante de extravasamento capilar e perdas sanguíneas, levando a hipoperfusão tecidual.
Coagulação intravascular disseminada
Consumo de fatores de coagulação e plaquetas, com risco de trombose e hemorragia.
Insuficiência renal aguda
Secundária a hipoperfusão, necrose tubular ou deposição de imunocomplexos.
Encefalite
Inflamação cerebral com alteração do nível de consciência, convulsões e sequelas neurológicas.
Hemorragia maciça
Sangramento gastrointestinal ou intracraniano com alto risco de óbito.
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Epidemiologia
Doenças endêmicas em regiões da África Subsaariana, América do Sul e Ásia, com surtos associados a desmatamento, urbanização e contato com reservatórios. Incidência global é subnotificada; exemplos incluem Ebola na África Ocidental (2014-2016) e febre de Lassa na Nigéria. Transmissão inter-humana ocorre por fluidos corporais, exigindo medidas de controle rigorosas.
Prognóstico
O prognóstico é reservado, com letalidade variando de 5% a 90% dependendo do vírus (ex.: Ebola até 90%, Lassa 1-15%). Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, sangramento espontâneo, alto carga viral e comorbidades. Sobreviventes podem ter sequelas como astenia prolongada, artralgia e distúrbios neuropsiquiátricos.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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