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CID A69: Outras infecções por espiroquetas
A690
Estomatite ulcerativa necrotizante
A691
Outras infecções de Vincent
A692
Doença de Lyme
A698
Outras infecções especificadas por espiroquetas
A699
Infecção por espiroqueta, não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria A69 do CID-10 engloba infecções causadas por espiroquetas não classificadas em outros códigos específicos, como sífilis (A50-A53), leptospirose (A27) ou febre recorrente (A68). As espiroquetas são bactérias Gram-negativas, helicoidais e móveis, incluindo gêneros como Borrelia, Treponema e Leptospira, que podem causar doenças sistêmicas com manifestações dermatológicas, neurológicas, cardíacas e musculoesqueléticas. A transmissão ocorre frequentemente por vetores (como carrapatos ou piolhos), contato direto com fluidos corporais ou exposição ambiental, e o curso clínico varia de agudo a crônico, dependendo da espécie e do estado imunológico do hospedeiro. Epidemiologicamente, essas infecções são endêmicas em regiões tropicais e subtropicais, com surtos associados a condições socioambientais precárias, afetando principalmente populações rurais ou com exposição ocupacional.
Descrição clínica
As infecções por espiroquetas sob A69 apresentam um espectro clínico diverso, incluindo febre, cefaleia, mialgias, artralgias, exantemas cutâneos (como eritema migrans na doença de Lyme), manifestações neurológicas (como meningite, neuropatias periféricas ou paralisia facial), e complicações cardiovasculares (como miocardite ou bloqueio cardíaco). A evolução pode ser aguda, com início súbito de sintomas após incubação variável, ou crônica, com recidivas e sequelas persistentes. O diagnóstico é desafiador devido à sobreposição de sintomas com outras doenças febris, exigindo alta suspeita clínica baseada em história epidemiológica e exames complementares.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável, podendo incluir fase aguda com febre de início abrupto, calafrios, cefaleia intensa, mialgias, artralgias, fadiga e exantemas (ex.: eritema migrans em doença de Lyme). Manifestações neurológicas comuns são meningite linfocítica, radiculoneurite, paralisia de nervos cranianos (especialmente facial) e encefalite. Comprometimento cardíaco pode se apresentar como bloqueio atrioventricular, miopericardite ou insuficiência cardíaca. Na fase crônica, observam-se artrite persistente, alterações cognitivas, fadiga crônica e lesões cutâneas atróficas. A história de exposição a vetores (carrapatos, piolhos) ou ambientes contaminados é crucial para suspeita.
Complicações possíveis
Neuroborreliose
Comprometimento do sistema nervoso, incluindo meningite, encefalite, radiculopatia e paralisia cranial, podendo levar a deficits neurológicos permanentes.
Artrite crônica
Inflamação articular persistente, especialmente em joelhos, com risco de erosões e limitação funcional.
Miocardite e bloqueio cardíaco
Inflamação do miocárdio e sistema de condução, potencialmente causando arritmias graves ou insuficiência cardíaca.
Síndrome pós-tratamento
Persistência de sintomas como fadiga, dor e disfunção cognitiva após terapia antibiótica adequada, possivelmente relacionada a respostas imunes persistentes.
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As infecções por espiroquetas sob A69 têm distribuição global, com maior incidência em regiões temperadas e tropicais. A doença de Lyme, por exemplo, é endêmica na América do Norte, Europa e Ásia, com taxas anuais variando de 1 a 100 casos por 100.000 habitantes, dependendo da área. Fatores de risco incluem exposição ocupacional (agricultura, veterinária), recreacional (caminhadas em áreas arborizadas) e condições socioeconômicas que favorecem infestação por vetores. Surtos são associados a mudanças climáticas e urbanização, com sazonalidade predominante no verão e outono.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente favorável com diagnóstico precoce e tratamento antibiótico adequado, com resolução completa na maioria dos casos agudos. Em infecções crônicas ou com diagnóstico tardio, pode haver sequelas persistentes, como artrite, neuropatias ou fadiga crônica. Fatores de pior prognóstico incluem atraso no tratamento, idade avançada, comorbidades e envolvimento de múltiplos órgãos. A mortalidade é baixa, mas complicações cardíacas ou neurológicas graves podem ser fatais se não manejadas rapidamente.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, epidemiológicos e laboratoriais, conforme diretrizes como as do CDC e IDSA. Critérios incluem: (1) história compatível com exposição a vetores ou ambientes de risco; (2) manifestações clínicas sugestivas (ex.: eritema migrans ≥5 cm, paralisia facial, artrite); (3) confirmação sorológica com ELISA screening e Western blot para anticorpos IgM e IgG, com interpretação de acordo com o tempo de doença; (4) isolamento da espiroqueta em culturas (raramente factível) ou detecção por PCR em amostras de líquor, sangue ou tecidos. Em áreas endêmicas, o eritema migrans é suficiente para diagnóstico clínico.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Febre maculosa
Doença causada por Rickettsia rickettsii, transmitida por carrapatos, com febre, cefaleia, exantema maculopapular e possível evolução para complicações vasculares; diferencia-se por ausência de eritema migrans e sorologia específica para Rickettsia.
CDC. Rocky Mountain Spotted Fever (RMSF). 2020.
Meningite viral
Inflamação das meninges por vírus (ex.: enterovírus), com cefaleia, febre e rigidez de nuca; diferencia-se por curso geralmente benigno, sem artrite ou cardite, e achados de PCR ou cultura negativos para espiroquetas.
Tunkel AR, et al. Practice Guidelines for Bacterial Meningitis. Clinical Infectious Diseases. 2004.
Artrite reumatoide
Doença autoimune com poliartrite simétrica e erosões articulares; diferencia-se por ausência de história epidemiológica para espiroquetas, sorologias negativas e resposta a imunossupressores.
ACR/EULAR Classification Criteria for Rheumatoid Arthritis. Arthritis & Rheumatology. 2010.
Mononucleose infecciosa
Causada por vírus Epstein-Barr, com febre, faringite, linfadenopatia e fadiga; diferencia-se por teste monospot positivo e ausência de manifestações neurológicas ou cardíacas típicas de espiroquetas.
Luzuriaga K, Sullivan JL. Infectious Mononucleosis. New England Journal of Medicine. 2010.
Sífilis secundária
Infecção por Treponema pallidum com exantema cutâneo, febre e linfadenopatia; diferencia-se por testes treponêmicos específicos (ex.: VDRL, FTA-ABS) e história sexual, sendo classificada em A51-A53.
Workowski KA, Bolan GA. Sexually Transmitted Diseases Treatment Guidelines. MMWR. 2015.
Exames recomendados
Sorologia (ELISA e Western blot)
Detecção de anticorpos IgM e IgG contra espiroquetas; ELISA como triagem e Western blot para confirmação, com interpretação baseada no tempo de sintomas.
Confirmar infecção ativa ou pregressa, auxiliando no diagnóstico de doenças como Lyme ou febre recorrente.
PCR (Reação em Cadeia da Polimerase)
Amplificação de DNA bacteriano em amostras de sangue, líquor, líquido sinovial ou biópsia tecidual.
Detectar presença direta do patógeno, útil em fases iniciais ou quando a sorologia é inconclusiva.
Hemograma completo
Avaliação de série branca (leucocitose ou leucopenia), série vermelha (anemia) e plaquetas (trombocitopenia).
Identificar sinais de infecção sistêmica e complicações hematológicas.
Punção lombar com análise do LCR
Coleta de líquor para contagem celular (linfocitose), dosagem de proteínas e glicose, e PCR específico.
Avaliar envolvimento do SNC em casos com sintomas neurológicos.
Ecocardiograma
Ultrassonografia cardíaca para avaliação de função ventricular, derrame pericárdico ou alterções valvares.
Detectar complicações cardíacas como miocardite ou bloqueio de condução.
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Aplicação de repelentes contendo DEET em pele e roupas, e uso de calças compridas e botas em áreas endêmicas para reduzir picadas de carrapatos.
Inspeção corporal pós-exposição
Verificação diária da pele e remoção precoce de carrapatos com pinça para reduzir risco de transmissão.
Controle ambiental
Manutenção de jardins, controle de roedores e aplicação de acaricidas em áreas de risco para diminuir populações de vetores.
Vigilância e notificação
No Brasil, essas infecções são de notificação compulsória conforme Portaria MS nº 204/2016, devendo ser reportadas ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) quando confirmadas. A vigilância inclui monitoramento de casos, investigação epidemiológica de surtos e medidas de controle de vetores. Profissionais de saúde devem notificar casos suspeitos ou confirmados para permitir intervenções de saúde pública, como educação comunitária e controle ambiental.
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Os principais vetores incluem carrapatos do gênero Ixodes (para doença de Lyme), piolhos corporais (para febre recorrente epidêmica) e, em menor escala, contato com água ou solo contaminados por urina de animais (para algumas leptospiroses atípicas). A identificação do vetor auxilia na suspeita clínica e medidas preventivas.
A doença de Lyme typically apresenta artrite assimétrica e oligoarticular, frequentemente com história de eritema migrans e exposição a carrapatos, além de sorologia positiva para Borrelia. Em contraste, artropatias como artrite reumatoide têm envolvimento simétrico, autoanticorpos específicos (ex.: fator reumatoide) e ausência de marcadores epidemiológicos para espiroquetas.
Sim, o tratamento precoce com antibióticos adequados (ex.: doxiciclina, amoxicilina) é altamente eficaz para a maioria das infecções agudas, com resolução dos sintomas. Em casos crônicos ou com diagnóstico tardio, a resposta pode ser incompleta devido a danos teciduais irreversíveis ou respostas imunes persistentes, necessitando de abordagem multidisciplinar.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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