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CID A27: Leptospirose
A270
Leptopirose icterohemorrágica
A278
Outras formas de leptospirose
A279
Leptospirose não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A leptospirose icterohemorrágica é uma forma grave da leptospirose, caracterizada por icterícia, insuficiência renal aguda, hemorragias e alta letalidade. É causada por espiroquetas do gênero Leptospira, principalmente Leptospira interrogans sorovar Icterohaemorrhagiae, transmitidas através do contato com água ou solo contaminados pela urina de animais reservatórios, como roedores. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica da bactéria, com tropismo por rins, fígado e pulmões, resultando em vasculite, necrose tubular aguda e colestase. Epidemiologicamente, é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com picos durante chuvas e inundações, afetando principalmente adultos jovens do sexo masculino em atividades ocupacionais ou recreacionais de risco.
Descrição clínica
A leptospirose icterohemorrágica apresenta um curso bifásico: fase septicêmica aguda com início abrupto de febre alta, cefaleia, mialgias intensas (especialmente em panturrilhas), conjuntivite e prostração, seguida por fase imune com icterícia, oligúria ou anúria, manifestações hemorrágicas (petéquias, equimoses, hemoptise, hematêmese) e sinais de disfunção orgânica múltipla. A icterícia é intensa e de início precoce, diferenciando-se de outras hepatites. A evolução pode ser fulminante, com síndrome de Weil (icterícia, insuficiência renal e hemorragia) e alto risco de óbito.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui início abrupto com febre (39-40°C), calafrios, cefaleia intensa, mialgias (destaque para panturrilhas e região lombar), conjuntivite não purulenta, fotofobia e prostração. Na fase imune (dias 4-7), surgem icterícia intensa, oligúria/anúria, náuseas, vômitos, dor abdominal, hepatomegalia, esplenomegalia e manifestações hemorrágicas (petéquias, equimoses, epistaxe, hemoptise, hematêmese, melena). Complicações graves incluem insuficiência renal aguda, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), miocardite, choque e meningoencefalite. A evolução pode ser rápida para óbito em casos não tratados.
Complicações possíveis
Insuficiência renal aguda
Necrose tubular aguda requerendo suporte dialítico em casos graves.
Hemorragias graves
Hemorragia pulmonar, gastrointestinal ou intracraniana, podendo levar a choque hipovolêmico.
Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)
Edema pulmonar não cardiogênico com hipoxemia refratária.
Miocardite
Arritmias, insuficiência cardíaca aguda ou parada cardíaca.
Meningoencefalite
Comprometimento do SNC com alteração do nível de consciência, convulsões ou déficits neurológicos.
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A leptospirose icterohemorrágica é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com alta incidência no Sudeste Asiático, América Latina e Caribe. No Brasil, é uma doença de notificação compulsória, com surtos associados a enchentes e áreas urbanas com saneamento inadequado. A incidência é maior em adultos jovens (20-50 anos), do sexo masculino, envolvidos em ocupações de risco (agricultura, pecuária, limpeza de esgotos) ou atividades recreacionais (natação em águas contaminadas). A sazonalidade mostra picos durante períodos chuvosos. Roedores, especialmente Rattus norvegicus, são os principais reservatórios.
Prognóstico
O prognóstico da leptospirose icterohemorrágica é reservado, com letalidade de 5-15% mesmo com tratamento adequado, podendo chegar a 50% em casos complicados com insuficiência renal, SDRA ou hemorragias maciças. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, icterícia precoce, oligúria, hipotensão e elevação de creatinina. O diagnóstico e tratamento precoces com antibióticos e suporte intensivo melhoram significativamente a sobrevida. Sequelas podem incluir insuficiência renal crônica, fibrose pulmonar ou distúrbios neurológicos persistentes.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se em achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. Clinicamente, a tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragias sugere fortemente a doença. Laboratorialmente, o diagnóstico confirmatório é feito por isolamento de Leptospira em culturas (sangue, LCR, urina) ou por sorologia (ELISA para IgM, teste de microaglutinação - MAT com título ≥1:800 ou quadruplicação do título em amostras pareadas). PCR para DNA de Leptospira em sangue ou urina é altamente específico. Critérios epidemiológicos incluem história de exposição a água contaminada, roedores ou ambientes endêmicos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Hepatite viral aguda
Pode apresentar icterícia e elevacão de transaminases, mas geralmente sem mialgias intensas, insuficiência renal precoce ou hemorragias proeminentes. A sorologia para vírus hepatotrópicos (HAV, HBV, HCV) é diagnóstica.
WHO. Leptospirosis: Guidance for diagnosis, surveillance and control. 2003.
Febre amarela
Compartilha icterícia e hemorragias, mas a febre amarela tem curso monofásico, bradicardia relativa e diagnóstico por sorologia ou PCR específico.
WHO. Yellow fever: Fact sheet. 2021.
Malária por Plasmodium falciparum
Pode causar febre, icterícia e insuficiência renal, mas o esfregaço de sangue periférico positivo para parasitas e a ausência de mialgias proeminentes ajudam na diferenciação.
WHO. Guidelines for the treatment of malaria. 2015.
Dengue hemorrágico
Apresenta febre, cefaleia, mialgias e manifestações hemorrágicas, mas a icterícia é rara e a trombocitopenia é mais proeminente; diagnóstico por sorologia ou NS1.
WHO. Dengue: guidelines for diagnosis, treatment, prevention and control. 2009.
Hantavirose
Pode simular com síndrome cardiopulmonar ou renal, mas a icterícia é incomum; diagnóstico por sorologia específica para hantavírus.
CDC. Hantavirus Pulmonary Syndrome (HPS). 2020.
Exames recomendados
Hemograma completo
Pode mostrar leucocitose com desvio à esquerda, anemia normocítica normocrômica e trombocitopenia.
Avaliar resposta inflamatória e complicações hemorrágicas.
Função renal (ureia, creatinina)
Elevação de ureia e creatinina indicando insuficiência renal aguda.
Diagnosticar e monitorar nefropatia leptospirótica.
Bilirrubinas e transaminases
Bilirrubina total elevada (predominância direta), com transaminases moderadamente elevadas (ALT/AST geralmente <200 U/L).
Confirmar icterícia e avaliar envolvimento hepático.
Sorologia (MAT ou ELISA IgM)
MAT com título ≥1:800 ou ELISA positivo para IgM anti-Leptospira; amostras pareadas mostram quadruplicação do título.
Confirmação diagnóstica específica.
PCR para Leptospira
Detecção de DNA de Leptospira em sangue, urina ou LCR; útil na fase aguda.
Diagnóstico precoce e rápido.
Exame de urina
Pode mostrar proteinúria, piúria, cilindros granulosos e hematúria.
Avaliar envolvimento renal.
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Desratização e eliminação de abrigos em áreas urbanas e rurais.
Proteção individual
Uso de equipamentos de proteção (botas, luvas) em atividades de risco e evitar contato com água potencialmente contaminada.
Saneamento básico
Melhoria do abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem de águas pluviais.
Quimioprofilaxia
Doxiciclina 200 mg semanalmente durante exposição de risco em surtos ou situações epidemiológicas específicas.
Vigilância e notificação
A leptospirose icterohemorrágica é de notificação compulsória imediata no Brasil, conforme Portaria MS nº 204/2016. A vigilância inclui monitoramento de casos suspeitos e confirmados, investigação epidemiológica de surtos, controle de reservatórios e medidas educativas. Profissionais de saúde devem notificar ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) dentro de 24 horas. Em áreas endêmicas, a vigilância ambiental para controle de roedores e a promoção de saneamento básico são essenciais para prevenção.
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O período de incubação varia de 2 a 30 dias, com média de 5 a 14 dias, dependendo da carga bacteriana e do estado imune do hospedeiro.
Não, a transmissão direta de pessoa para pessoa é extremamente rara. A principal via é indireta, através do contato com água, solo ou alimentos contaminados pela urina de animais infectados.
Sinais de alerta incluem oligúria ou anúria, icterícia intensa de início rápido, hipotensão persistente, taquipneia ou dispneia, e sangramentos mucocutâneos ou internos, indicando necessidade de internação em UTI.
Sim, antibióticos como penicilina G são eficazes mesmo na fase tardia, reduzindo a duração dos sintomas e o risco de complicações, embora o benefício seja maior se iniciado precocemente (primeiros 4 dias).
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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