Consulte o CID10 - Sanar Pós

CID A23: Brucelose

A230
Brucelose por Brucella melitensis
A231
Brucelose por Brucella abortus
A232
Brucelose por Brucella suis
A233
Brucelose por Brucella canis
A238
Outras bruceloses
A239
Brucelose não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A brucelose é uma zoonose bacteriana sistêmica causada por bactérias do gênero Brucella, caracterizada por um amplo espectro de manifestações clínicas, desde formas assintomáticas até quadros graves com envolvimento multissistêmico. A doença é transmitida ao homem principalmente pelo contato direto com animais infectados ou consumo de produtos de origem animal contaminados, como leite não pasteurizado e derivados. A fisiopatologia envolve a invasão bacteriana através de mucosas ou pele lesada, seguida de disseminação hematogênica e localização intracelular facultativa em células do sistema fagocítico mononuclear, como macrófagos, onde as bactérias podem persistir por longos períodos, levando a um curso clínico frequentemente crônico e recorrente. Epidemiologicamente, a brucelose é endêmica em regiões com práticas inadequadas de controle veterinário, como o Mediterrâneo, Oriente Médio, Ásia e partes da América Latina, com incidência variável conforme a exposição ocupacional e hábitos alimentares.

Descrição clínica

A brucelose apresenta um quadro clínico polimórfico, podendo ser aguda, subaguda ou crônica. A forma aguda geralmente se manifesta com febre ondulante (característica, mas não sempre presente), sudorese profusa, astenia, cefaleia, mialgias, artralgias e hepatoesplenomegalia. A forma subaguda e crônica pode cursar com sintomas inespecíficos como fadiga, depressão e dor osteoarticular persistente, com possibilidade de complicações focais como espondilite, artrite séptica, orquite, endocardite e neurobrucelose. O diagnóstico é desafiador devido à semelhança com outras doenças febris, exigindo alta suspeição clínica baseada na história epidemiológica.

Quadro clínico

O quadro clínico varia desde infecções assintomáticas até formas graves. Na apresentação aguda (sintomas com menos de 8 semanas), predominam febre (frequentemente ondulante, com picos vespertinos), calafrios, sudorese, astenia, anorexia, perda de peso, cefaleia, mialgias, artralgias e lombalgia. Sinais físicos comuns incluem hepatoesplenomegalia, linfadenopatia e, menos frequentemente, manifestações cutâneas. Formas crônicas (sintomas por mais de 12 meses) podem apresentar fadiga crônica, sintomas depressivos, dor osteoarticular persistente e complicações focais como espondilite (especialmente vertebral lombar), artrite periférica, orquite, epididimite, endocardite (principal causa de mortalidade), neurobrucelose (meningite, encefalite) e abscessos viscerais.

Complicações possíveis

Endocardite

Infecção das válvulas cardíacas, mais comum em válvula aórtica, com alto risco de insuficiência cardíaca e mortalidade se não tratada.

Neurobrucelose

Envolvimento do sistema nervoso central, incluindo meningite, encefalite, mielite ou abscessos, com sequelas neurológicas permanentes.

Osteoarticular

Espondilite (especialmente vertebral lombar), sacroileíte, artrite periférica e osteomielite, levando a dor crônica e limitação funcional.

Hepatoesplenomegalia com abscessos

Aumento de fígado e baço com formação de abscessos, podendo requerer drenagem cirúrgica.

Orquite e epididimite

Inflamação testicular e do epidídimo, causando dor e infertilidade em casos graves.

Epidemiologia

A brucelose é uma das zoonoses mais comuns globalmente, com estimativa de 500.000 novos casos humanos anuais, mas subnotificação é frequente. É endêmica em regiões do Mediterrâneo, Oriente Médio, Ásia Central, América Latina e partes da África. No Brasil, a incidência é baixa e esporádica, com surtos relacionados a consumo de queijos artesanais não pasteurizados. Grupos de risco incluem trabalhadores rurais, veterinários, matadouros e consumidores de laticínios não pasteurizados. A transmissão ocorre por contato direto com animais infectados (ex.: bovinos, caprinos, suínos) ou ingestão de produtos contaminados; a transmissão inter-humana é rara.

Prognóstico

O prognóstico da brucelose é geralmente bom com tratamento antibiótico adequado e precoce, com taxas de cura superiores a 90% em formas não complicadas. No entanto, formas crônicas ou com complicações (ex.: endocardite, neurobrucelose) têm maior morbidade e mortalidade (até 5% em endocardite). Fatores de mau prognóstico incluem diagnóstico tardio, tratamento inadequado, comorbidades e desenvolvimento de complicações focais. Recidivas podem ocorrer em 5-10% dos casos, frequentemente devido à terapia insuficiente ou persistência bacteriana.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀