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CID A21: Tularemia

A210
Tularemia ulceroglandular
A211
Tularemia oculoglandular
A212
Tularemia pulmonar
A213
Tularemia gastrointestinal
A217
Tularemia generalizada
A218
Outras formas de tularemia
A219
Tularemia, forma não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A tularemia é uma zoonose bacteriana aguda causada pela bactéria gram-negativa Francisella tularensis, um agente de bioterrorismo de categoria A devido ao seu alto potencial de disseminação e gravidade. A doença é caracterizada por uma apresentação clínica variável, incluindo formas ulceroglandular, glandular, oculoglandular, orofaríngea, tifóide e pneumônica, dependendo da via de inoculação e do subtipo bacteriano. A fisiopatologia envolve a invasão bacteriana através da pele, mucosas ou trato respiratório, seguida de disseminação linfática e hematogênica, com formação de granulomas e necrose tecidual. Epidemiologicamente, é endêmica em regiões do hemisfério norte, como América do Norte, Europa e Ásia, com incidência variável e surtos associados a exposições ocupacionais ou recreativas a animais infectados ou vetores artrópodes.

Descrição clínica

A tularemia manifesta-se clinicamente de forma abrupta, com início súbito de febre alta, calafrios, cefaleia, mialgias, artralgias e mal-estar geral, frequentemente acompanhados por linfadenopatia regional. As formas clínicas incluem: ulceroglandular (úlcera cutânea no local de inoculação com adenopatia regional), glandular (adenopatia sem úlcera), oculoglandular (conjuntivite com adenopatia pré-auricular), orofaríngea (faringite ou amigdalite com adenopatia cervical), tifóide (febre prolongada sem localização aparente) e pneumônica (pneumonia por inalação). A evolução pode ser grave, com complicações como sepse, meningite ou abscessos, especialmente em indivíduos imunocomprometidos.

Quadro clínico

O quadro clínico inicia-se após um período de incubação de 1 a 14 dias (média de 3 a 5 dias) com sintomas constitucionais como febre alta (39-40°C), calafrios, cefaleia, mialgias, artralgias, fadiga e anorexia. Dependendo da forma: ulceroglandular apresenta úlcera cutânea dolorosa com adenopatia regional; glandular tem adenopatia sem úlcera; oculoglandular inclui conjuntivite unilateral com lacrimejamento, fotofobia e adenopatia; orofaríngea causa dor de garganta, disfagia e úlceras orais; tifóide manifesta febre prolongada, sepse e sem localização; pneumônica provoca tosse, dor torácica e dispneia. A evolução não tratada pode ser fatal em até 30% dos casos, especialmente com o subtipo tularensis.

Complicações possíveis

Sepse

Disseminação hematogênica com falência de múltiplos órgãos, especialmente em formas tifóide ou não tratadas.

Meningite

Envolvimento do sistema nervoso central, com cefaleia intensa, rigidez de nuca e alterações neurológicas.

Abscessos

Formação de coleções purulentas em linfonodos, fígado, baço ou pulmões.

Pneumonia necrosante

Destruição tecidual pulmonar com risco de insuficiência respiratória.

Óbito

Taxa de mortalidade de 5-30% sem tratamento, dependendo do subtipo bacteriano e comorbidades.

Epidemiologia

A tularemia é endêmica em regiões temperadas do hemisfério norte, como Estados Unidos, Europa, Rússia e Japão, com incidência anual variável (ex.: 0,1-0,5 casos/100.000 nos EUA). No Brasil, é rara, com casos importados ou esporádicos. A transmissão ocorre por contato direto com animais infectados (ex.: coelhos, roedores), picadas de carrapatos (ex.: Dermacentor, Ixodes), mosquitos, ingestão de água ou alimentos contaminados, ou inalação de aerossóis. Grupos de risco: caçadores, agricultores, laboratoristas e militares. Sazonalidade: mais comum na primavera e verão em áreas endêmicas.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom com tratamento antibiótico precoce, com resolução dos sintomas em 2-3 semanas e baixa mortalidade (<2%). Sem tratamento, a mortalidade pode chegar a 30% para F. tularensis subtipo tularensis. Sequelas incluem adenopatia persistente, fadiga crônica e, raramente, complicações neurológicas ou pulmonares residuais. Fatores de mau prognóstico: atraso no diagnóstico, subtipo virulento, imunossupressão e formas disseminadas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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