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CID A19: Tuberculose miliar
A190
Tuberculose miliar aguda de localização única e especificada
A191
Tuberculose miliar aguda de múltiplas localizações
A192
Tuberculose miliar aguda não especificada
A198
Outras tuberculoses miliares
A199
Tuberculose miliar não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A tuberculose miliar é uma forma disseminada e grave de tuberculose, caracterizada pela disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis, resultando na formação de inúmeros pequenos focos granulomatosos (com diâmetro de 1 a 2 mm) que se assemelham a grãos de milho, daí o termo 'miliar'. Esta condição representa uma reativação de um foco primário latente ou uma infecção primária progressiva, com envolvimento sistêmico e potencialmente fatal se não tratada adequadamente. A fisiopatologia envolve a ruptura de um foco caseoso em um vaso sanguíneo, permitindo a disseminação bacilar por via hematogênica, levando ao estabelecimento de lesões em múltiplos órgãos, como pulmões, fígado, baço, meninges e medula óssea. Epidemiologicamente, é mais comum em crianças pequenas, idosos, imunossuprimidos (por exemplo, pacientes com HIV/AIDS, usuários de corticosteroides ou transplantados) e em regiões com alta endemicidade de tuberculose, sendo um marcador de falha no controle da infecção tuberculosa.
Descrição clínica
A tuberculose miliar apresenta um quadro clínico variável, desde formas subagudas até agudas e fulminantes, com sintomas constitucionais proeminentes como febre, sudorese noturna, perda de peso e astenia. O envolvimento pulmonar pode causar tosse seca ou produtiva, dispneia e, em casos avançados, insuficiência respiratória. A disseminação para outros órgãos resulta em manifestações específicas, como meningite tuberculosa (cefaleia, rigidez de nuca, alterações do nível de consciência), envolvimento hepático e esplênico (hepatomegalia, esplenomegalia), e comprometimento ocular (coriorretinite). Em crianças, pode haver atraso no desenvolvimento e baixo ganho ponderal. A apresentação pode ser atípica em imunossuprimidos, com febre de origem indeterminada e ausência de achados radiológicos clássicos.
Quadro clínico
O quadro clínico da tuberculose miliar é inespecífico e polimorfo, com início insidioso ou agudo. Sintomas constitucionais incluem febre (geralmente contínua ou intermitente), sudorese noturna profusa, anorexia, perda de peso significativa e astenia. No sistema respiratório, observa-se tosse seca ou produtiva, dispneia progressiva e, raramente, hemoptise. Manifestações extrapulmonares são comuns: neurológicas (cefaleia, vômitos, confusão mental, convulsões na meningite tuberculosa), abdominais (dor abdominal, hepatomegalia, esplenomegalia), oculares (visão turva, fotofobia na uveíte), e cutâneas (lesões papulosas ou ulceradas). Em crianças, pode haver irritabilidade, atraso no desenvolvimento e baixo ganho ponderal. Exame físico pode revelar linfadenopatia generalizada, hepatosplenomegalia e, em alguns casos, sinais meníngeos. A apresentação pode mimetizar outras doenças febris, como sepse ou neoplasias.
Complicações possíveis
Meningite tuberculosa
Inflamação das meninges por disseminação bacilar, levando a hidrocefalia, déficits neurológicos focais e alto risco de mortalidade.
Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)
Insuficiência respiratória grave devido ao extenso envolvimento pulmonar e inflamação alveolar.
Hepatite granulomatosa
Comprometimento hepático com elevação de enzimas hepáticas, icterícia e risco de insuficiência hepática.
Insuficiência adrenal
Destruição das glândulas adrenais por granulomas, resultando em doença de Addison com hipotensão e alterações eletrolíticas.
Osteomielite ou artrite tuberculosa
Envolvimento ósseo ou articular, causando dor, deformidades e limitação funcional.
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A tuberculose miliar representa aproximadamente 1-3% de todos os casos de tuberculose, com incidência variável conforme a endemicidade regional. É mais frequente em crianças menores de 5 anos, idosos acima de 65 anos e indivíduos imunossuprimidos (ex.: HIV/AIDS, onde a incidência é até 10 vezes maior). Globalmente, a OMS estima que a tuberculose afete cerca de 10 milhões de pessoas anualmente, com a forma miliar sendo uma manifestação grave em áreas de alta transmissão. No Brasil, é uma doença de notificação compulsória, com casos concentrados em populações vulneráveis e regiões com baixos índices socioeconômicos. Fatores de risco incluem pobreza, aglomeração, desnutrição e acesso limitado a serviços de saúde.
Prognóstico
O prognóstico da tuberculose miliar depende da precocidade do diagnóstico, início do tratamento adequado, estado imunológico do paciente e presença de complicações. Com tratamento antituberculoso precoce e completo, a taxa de cura pode atingir 80-90%, mas a mortalidade é elevada (até 30-40%) em casos não tratados ou com envolvimento do SNC. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, imunossupressão (especialmente HIV coinfecção), atraso no diagnóstico, meningite tuberculosa e resistência a drogas. Sequelas neurológicas ou respiratórias podem persistir em sobreviventes. O acompanhamento rigoroso é essencial para monitorar resposta ao tratamento e detectar recidivas.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico da tuberculose miliar baseia-se em critérios clínicos, radiológicos, microbiológicos e histopatológicos. Critérios sugeridos incluem: 1) Quadro clínico compatível com febre prolongada, perda de peso e sintomas constitucionais; 2) Evidência radiológica de padrão miliar em radiografia de tórax (múltiplos nódulos milimétricos difusos) ou tomografia computadorizada de alta resolução; 3) Isolamento de M. tuberculosis em culturas de escarro, líquido cefalorraquidiano, sangue ou biópsia tecidual; 4) Achado histopatológico de granulomas caseificantes em biópsia de medula óssea, fígado ou outros tecidos; 5) Teste tuberculínico (PPD) ou IGRA (teste de liberação de interferon-gama) positivo em contextos apropriados, embora possam ser falso-negativos em imunossuprimidos. A confirmação microbiológica é essencial, mas o tratamento empírico pode ser iniciado com alta suspeita clínica e epidemiológica.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Histoplasmose disseminada
Infecção fúngica por Histoplasma capsulatum, que pode causar febre, perda de peso e padrão miliar em radiografia de tórax, mas é endêmica em certas regiões e o diagnóstico é confirmado por cultura ou detecção de antígeno.
Guidelines for the Prevention and Treatment of Opportunistic Infections in Adults and Adolescents with HIV. CDC, 2021.
Sarcoidose
Doença granulomatosa sistêmica de etiologia desconhecida, com envolvimento pulmonar e linfonodal, mas geralmente sem febre alta ou perda de peso acentuada; os granulomas são não caseificantes.
ATS/ERS/WASOG Statement on Sarcoidosis. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 1999.
Linfoma
Neoplasia hematológica que pode apresentar febre, sudorese noturna, perda de peso e envolvimento pulmonar, mas o diagnóstico é confirmado por biópsia tecidual e ausência de bacilos álcool-ácido resistentes.
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues. IARC, 2017.
Febre tifoide
Infecção bacteriana por Salmonella typhi, com febre contínua, dor abdominal e hepatosplenomegalia, mas sem padrão miliar radiológico; o diagnóstico é por hemocultura ou teste sorológico.
WHO Guidelines on Typhoid Fever. World Health Organization, 2018.
Coccidioidomicose disseminada
Infecção fúngica por Coccidioides species, que pode causar doença disseminada com envolvimento pulmonar miliar em áreas endêmicas, diagnosticada por sorologia ou cultura.
Infectious Diseases Society of America Guidelines for Coccidioidomycosis. Clinical Infectious Diseases, 2016.
Exames recomendados
Radiografia de tórax
Exame de imagem que pode revelar o padrão miliar clássico (múltiplos nódulos pequenos e difusos), auxiliando no diagnóstico inicial.
Detecção de alterações pulmonares sugestivas de disseminação hematogênica.
Tomografia computadorizada de tórax
Exame de alta resolução que define melhor o padrão miliar, nódulos e possíveis complicações, como cavitações ou derrame pleural.
Confirmação radiológica e avaliação da extensão da doença pulmonar.
Baciloscopia e cultura de escarro
Microscopia direta para bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) e cultura em meio específico para M. tuberculosis, com teste de sensibilidade a drogas.
Confirmação microbiológica e identificação de resistências.
Hemocultura para M. tuberculosis
Cultura de sangue em meios específicos para detectar bacteremia, útil em casos de disseminação.
Diagnóstico de tuberculose miliar com envolvimento sistêmico.
Biópsia de medula óssea ou fígado
Procedimento invasivo para obtenção de tecido para histopatologia (granulomas caseificantes) e cultura, indicado em casos de febre de origem indeterminada.
Confirmação histológica e microbiológica em pacientes com achados inconclusivos.
Teste tuberculínico (PPD) ou IGRA
Testes imunológicos para detecção de infecção latente ou ativa, mas podem ser falso-negativos em imunossuprimidos.
Apoio diagnóstico e rastreamento de contatos.
Ressonância magnética craniana ou punção lombar
Avaliação neurológica para meningite tuberculosa, com análise do líquido cefalorraquidiano (linfocitose, hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia).
Diagnóstico de envolvimento do sistema nervoso central.
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Procedimento para obtenção de tecido pulmonar para histopatologia e cultura, indicado em casos de diagnóstico incerto de tuberculose miliar.
Punção lombar
Coleta de líquido cefalorraquidiano para análise em suspeita de meningite tuberculosa associada à forma miliar.
Broncoscopia com lavado broncoalveolar
Exame endoscópico para coleta de amostras respiratórias para baciloscopia e cultura, útil em pacientes com tosse produtiva ou achados radiológicos atípicos.
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Administração de isoniazida ou outros esquemas para contatos de casos índices ou indivíduos com infecção latente, visando prevenir a reativação.
Controle de infecção em serviços de saúde
Uso de máscaras N95, ventilação adequada e precauções por aerossóis para reduzir a transmissão nosocomial.
Rastreamento de populações de risco
Busca ativa de casos em grupos vulneráveis (ex.: HIV positivos, privados de liberdade) para diagnóstico precoce.
Vigilância e notificação
A tuberculose miliar é de notificação compulsória imediata no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) no Brasil, conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. Profissionais de saúde devem notificar todo caso confirmado ou suspeito dentro de 24 horas. A vigilância inclui investigação de contatos, busca ativa de casos em populações de risco e monitoramento de resistência a drogas. Ações de controle envolvem tratamento diretamente observado (TDO), quimioprofilaxia para contatos e campanhas educativas. Em nível internacional, a OMS recomenda notificação e monitoramento contínuo para atingir as metas de eliminação da tuberculose.
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Sim, a tuberculose miliar pode ser contagiosa, pois envolve a disseminação de M. tuberculosis, que pode ser transmitido por aerossóis de pacientes com doença pulmonar ativa. No entanto, a forma miliar em si não é mais contagiosa que outras formas pulmonares; o risco depende da presença de bacilos no escarro. Isolamento respiratório é recomendado até a negativação da baciloscopia.
O esquema padrão para tuberculose miliar é similar ao da tuberculose pulmonar: fase inicial de 2 meses com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol (esquema RIPE), seguida de fase de manutenção de 4 a 7 meses com rifampicina e isoniazida. Em casos de meningite ou imunossupressão, a duração pode ser estendida para 9-12 meses. O tratamento deve ser diretamente observado (TDO) para garantir adesão.
A diferenciação baseia-se em achados clínicos (febre prolongada, perda de peso), radiológicos (padrão miliar em RX de tórax), microbiológicos (isolamento de M. tuberculosis) e epidemiológicos (histórico de contato ou fatores de risco). Exames como tomografia, culturas e biópsias são cruciais para excluir condições como histoplasmose, sarcoidose ou linfomas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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