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CID A17: Tuberculose do sistema nervoso
A170
Meningite tuberculosa
A171
Tuberculoma meníngeo
A178
Outras tuberculoses do sistema nervoso
A179
Tuberculose não especificada do sistema nervoso
Mais informações sobre o tema:
Definição
A tuberculose do sistema nervoso é uma forma grave de tuberculose extrapulmonar, caracterizada pela infecção do sistema nervoso central (SNC) pelo Mycobacterium tuberculosis. Esta condição resulta da disseminação hematogênica do bacilo a partir de um foco primário, geralmente pulmonar, com subsequente formação de tubérculos meníngeos ou parenquimatosos. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória granulomatosa que pode levar a meningite, tuberculomas ou abscessos, causando danos neurológicos significativos devido a edema, hidrocefalia e vasculite. Epidemiologicamente, é mais comum em regiões endêmicas, crianças pequenas, idosos e indivíduos imunocomprometidos, como aqueles com HIV/AIDS, representando uma importante causa de morbimortalidade neurológica em populações vulneráveis.
Descrição clínica
A tuberculose do sistema nervoso manifesta-se principalmente como meningite tuberculosa, tuberculomas intracranianos ou espinhais, ou abscessos. A apresentação clínica é insidiosa, com sintomas prodrômicos inespecíficos como febre baixa, mal-estar e cefaleia, evoluindo para sinais meníngeos (rigidez de nuca, fotofobia), alterações do estado mental, déficits neurológicos focais (p. ex., paralisias de nervos cranianos, hemiparesia), convulsões e hipertensão intracraniana. Em estágios avançados, pode ocorrer hidrocefalia, infartos cerebrais por vasculite e coma. O curso é frequentemente subagudo ou crônico, com piora progressiva se não tratada.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável, dependendo da localização (meninges, parênquima cerebral ou medular). Na meningite tuberculosa, os sintomas evoluem em três estágios: prodrômico (febre, cefaleia, irritabilidade por 2-3 semanas), meningítico (rigidez de nuca, vômitos, alterações comportamentais) e de complicações (convulsões, déficits focais, coma). Tuberculomas podem causar sinais de massa intracraniana como cefaleia, vômitos, papiledema e déficits focais. Formas espinhais levam a mielopatia com paraparesia e disfunção esfincteriana. Sintomas sistêmicos como perda de peso e sudorese noturna podem estar presentes.
Complicações possíveis
Hidrocefalia
Obstrução do fluxo de LCR por exsudato meníngeo, levando a aumento da pressão intracraniana e déficits neurológicos.
Infartos cerebrais
Vasculite de arteríolas penetrantes causa isquemia, resultando em déficits focais como hemiparesia ou afasia.
Convulsões
Irritação cortical por inflamação ou tuberculomas, podendo evoluir para epilepsia crônica.
Deficit neurológico permanente
Paralisias de nervos cranianos, déficits cognitivos ou motores devido a dano neuronal irreversível.
Morte
Taxa de mortalidade elevada sem tratamento, especialmente em estágios avançados com coma.
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A tuberculose do sistema nervoso representa 1-5% de todos os casos de tuberculose e 5-10% das formas extrapulmonares. Incidência maior em regiões endêmicas como África Subsaariana e Sudeste Asiático, com taxas anuais estimadas em 1-2 casos por 100.000 em áreas de alta carga. Grupos de risco incluem crianças <5 anos, idosos, pessoas com HIV (risco 20 vezes maior), desnutridos e usuários de imunossupressores. No Brasil, é uma doença de notificação compulsória, com casos esporádicos em contextos de vulnerabilidade.
Prognóstico
O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e tratamento. Com terapia antituberculosa precoce, a sobrevida pode chegar a 80-90%, mas sequelas neurológicas são comuns em até 50% dos casos, incluindo deficits cognitivos, motores ou epilepsia. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, imunossupressão, coma ao diagnóstico, hidrocefalia e infartos múltiplos. O atraso no tratamento está associado a maior mortalidade e morbidade.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e de imagem. Critérios sugeridos incluem: (1) Sintomas sugestivos (cefaleia, febre, alterações neurológicas) por mais de 5 dias; (2) Líquido cefalorraquidiano (LCR) com pleocitose linfocítica, proteína elevada (>100 mg/dL) e glicose baixa (<45 mg/dL ou <60% da glicemia); (3) Evidência de tuberculose extrapulmonar ou contato conhecido; (4) Neuroimagem (TC ou RM) mostrando hidrocefalia, realce meníngeo basal ou tuberculomas; (5) Confirmação microbiológica por baciloscopia, cultura ou PCR para M. tuberculosis no LCR ou biópsia. A confirmação definitiva requer isolamento do bacilo.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Meningite bacteriana aguda
Apresentação aguda com febre alta, LCR com predominância de neutrófilos e identificação de patógenos como Streptococcus pneumoniae ou Neisseria meningitidis.
WHO. Tuberculous meningitis. In: Guidelines on the Management of Tuberculosis. 2022.
Meningite viral
Curso mais benigno, LCR com pleocitose linfocítica mas glicose normal, associada a vírus como enterovírus ou herpes.
UpToDate. Viral Meningitis. 2023.
Meningite fúngica (p. ex., criptocócica)
Comum em imunossuprimidos, LCR semelhante, mas identificação de Cryptococcus no LCR por tinta da China ou antígeno.
IDSA Guidelines for Cryptococcal Meningitis. 2010.
Neurosarcoidose
Doença granulomatosa sistêmica com envolvimento meníngeo, mas sem evidência de M. tuberculosis, frequentemente com envolvimento pulmonar.
ATS/ERS/WASOG Statement on Sarcoidosis. 1999.
Tumores do SNC (p. ex., glioma ou metastático)
Massa intracraniana com sintomas focais, mas LCR geralmente não mostra padrão infeccioso típico; confirmação por biópsia.
NCCN Guidelines for Central Nervous System Cancers. 2023.
Exames recomendados
Líquido cefalorraquidiano (LCR)
Análise bioquímica e citológica; cultura e baciloscopia para M. tuberculosis; PCR para DNA bacteriano.
Confirmar meningite, avaliar padrão inflamatório e detectar M. tuberculosis.
Tomografia computadorizada (TC) ou Ressonância magnética (RM) cerebral
Imagens de crânio com contraste para detectar hidrocefalia, realce meníngeo basal, tuberculomas ou infartos.
Avaliar extensão da doença, complicações e guiar manejo.
Radiografia ou TC de tórax
Identificar focos pulmonares primários ou associados de tuberculose.
Apoiar diagnóstico de tuberculose disseminada.
Teste tuberculínico (PPD) ou IGRA
Testes de hipersensibilidade retardada ou interferon-gamma release assay para infecção tuberculosa.
Avaliar exposição prévia ao M. tuberculosis, mas podem ser falso-negativos em imunossuprimidos.
Biópsia meníngea ou cerebral
Coleta de tecido para histopatologia (granulomas caseificantes) e cultura.
Confirmação diagnóstica em casos duvidosos.
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Uso de isoniazida ou regimes alternativos em contatos de doentes ou indivíduos com teste positivo para prevenir reativação.
Controle de infecção em serviços de saúde
Ventilação adequada, uso de máscaras N95 e isolamento de casos bacilíferos para reduzir transmissão.
Rastreamento em grupos de risco
Testes tuberculínicos ou radiografia em imunossuprimidos, contatos e populações vulneráveis para detecção precoce.
Vigilância e notificação
No Brasil, a tuberculose do sistema nervoso é de notificação compulsória imediata (dentro 24 horas) ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), conforme Portaria MS nº 204/2016. A vigilância inclui investigação de contatos, monitoramento de resistência medicamentosa e integração com programas de controle da tuberculose. Profissionais de saúde devem notificar casos suspeitos ou confirmados para facilitar intervenções de saúde pública.
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A meningite tuberculosa é a forma mais frequente, com início insidioso de cefaleia, febre e rigidez de nuca, evoluindo para alterações neurológicas focais e coma se não tratada.
O diagnóstico é confirmado pela combinação de achados clínicos, LCR sugestivo (pleocitose linfocítica, proteína alta, glicose baixa), neuroimagem e isolamento de M. tuberculosis no LCR ou biópsia por cultura ou PCR.
Hidrocefalia, infartos cerebrais por vasculite e déficits neurológicos permanentes são as complicações mais sérias, podendo levar a incapacidade ou morte.
Sim, em pacientes com HIV, o regime antituberculoso é similar, mas requer ajuste de dose e monitoramento de interações medicamentosas com antirretrovirais, além de tratamento concomitante do HIV.
A BCG é eficaz na prevenção de formas graves como meningite tuberculosa em crianças, mas não protege contra infecção latente ou formas adultas; outras medidas como tratamento de infecção latente são essenciais.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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