Quer passar em bioestatística? Esse post tem tudo que você precisa para guiar seus estudos nesta disciplina.
A bioestatística é uma aplicação da estatística nas ciências da saúde e biológicas. A associação do conhecimento da estatística com o pensamento científico faz com que seja possível estabelecer estratégias de qualidade para um estudo.
Embora seja comum relacionar a estatística apenas com o conhecimento matemático, seu uso auxilia a fazer observações, definir questões, elaborar hipóteses, coletar dados, analisar e realizar conclusões com rigor científico.
Nesse contexto, o uso desse conhecimento nas ciências da saúde torna possível realizar adaptações de suas ferramentas às inúmeras questões envolvidas na pesquisa nesse campo.
Conhecer as aplicações da bioestatística à medicina é um importante fator que possibilita ao médico e ao estudante analisar criticamente o conhecimento que está disponível através de ferramentas bem estruturadas.
Aqui nesse resumo, preparamos uma visão geral para que você conheça, revise e compreenda a importância que a bioestatística tem para a medicina.
Confira!
O que é a disciplina de bioestatística e qual a importância na graduação de medicina?
A disciplina de bioestatística pode parecer mais desafiadora para alguns estudantes devido a necessidade de conhecer alguns conceitos mais complexos da estatística, os quais incluem:
- Probabilidade;
- Distribuições;
- Intervalos de confiança;
- Alguns conceitos de matemática avançada;
- Testes de hipóteses;
- Entre outros.
Pode ser necessário ainda conhecer alguns softwares de manipulação de dados estatísticos bem específicos como o SPSS, R e outros.
Contudo, com a prática e com orientação, é possível aprender esses conceitos rapidamente.
Embora possa ser considerada por muitos como uma matéria desnecessária em medicina, o conhecimento da bioestatística é indispensável para considerarmos o que hoje chamamos de medicina baseada em evidências.
Conseguir consumir ciência de qualidade e aplicá-la à prática médica é um desafio considerando o número crescente de artigos e conhecimentos sendo produzidos diariamente. Por isso, dominar os conceitos chaves da bioestatística é importante.
Importância da bioestatística
A bioestatística nos permite a compreender os testes diagnósticos desde sua interpretação à validade. Nesse contexto, entender a sensibilidade, especificidade e a relação entre valores preditivos são conceitos importantes.
Além disso, a avaliação de risco e probabilidade nos possibilita entender o risco do desenvolvimento de certas condições de saúde em populações específicas, além de orientar estratégias de enfrentamento para essas situações.
O planejamento, a condução e a análise de estudos em medicina também são possibilitadas pela bioestatística, pois se torna possível avaliar os vieses inseridos no trabalho e pensar criticamente sobre a real relevância e aplicabilidade desses na prática.
Por fim, mas não menos importante, uma vez que compreendemos todos esses aspectos, nossa comunicação com os pacientes pode ser facilitada ao ajudá-los no processo decisório e do cuidado compartilhado.
A bioestatística certamente nos acompanha não apenas na graduação, mas também em toda a prática médica.
O que a bioestatística estuda?
A bioestatística é um amplo campo do conhecimento que se ocupa a estudar o uso de métodos estatísticos como suporte ao pensamento científico.
Na estatística descritiva, o ponto de partida é a identificação das variáveis e como os dados podem ser apresentados. A partir dessa compreensão, conseguimos entender os tipos de tabelas e gráficos a serem inseridos num estudo, por exemplo.
Separamos abaixo os tópicos principais que a bioestatística estuda em sua aplicação à saúde.
Coleta de dados, medidas de tendência e variabilidade
A coleta de dados consiste em uma etapa crucial para o levantamento das informações que serão analisadas estatisticamente. Essa fase inclui inicialmente um processo detalhado de planejamento, seleção de dados e desenho da amostra do estudo.
A partir disso, ocorre a definição de variáveis, as estratégias da coleta em si (questionários, entrevistas, entre outras), o consentimento ético para atividades que envolvem seres humanos e os métodos de validação dos dados.
As medidas de tendência nos permitem agrupar os dados para descrevê-los considerando o conjunto que eles compõem. As medidas mais comuns nesse contexto são as medidas de tendência central (MTC).
Os conceitos chaves para compreender as MTC são conceitos da matemática. São eles: média, mediana e moda.
A variabilidade, por sua vez, identifica a diferença, a variação e a dispersão que valores dentro de um conjunto podem possuir. Esse é um método utilizado para entender como os valores individuais estão situados em relação as MTC e se são consistentes.
Dentro da variabilidade, os conceitos chave são: desvio padrão, variância, amplitude, o intervalo interquartil, o coeficiente de variação e os gráficos de dispersão.
De forma resumida, a variabilidade é uma medida que nos permite compreender a consistência e a confiabilidade dos dados avaliados.
Testes de hipóteses
O teste de hipóteses é uma forma de inferência estatística fortemente associada a aplicação de intervalos de confiança. Para considerar o teste de hipótese, o ponto chave é supor a existência de um parâmetro de interesse.
Por meio da testagem de hipótese, será utilizada uma regra para determinar quando uma hipótese pode ser rejeitada e é imperativo que essa regra se baseie na existência de uma amostra aleatória.
Existem dois tipos de hipótese considerado num teste: a hipótese nula (Ho), que é o completamento da hipótese alternativa; e a hipótese alternativa (Ha), que é o que o autor deseja verificar.
Regressão e correlação
A correlação nos ajuda a compreender o comportamento conjunto que duas variáveis possuem. O diagrama de dispersão é o gráfico que se utiliza para expor a relação entre esses dois elementos.
A correlação pode ser forte ou fraca conforme o que for analisado no diagrama de dispersão. Quando X e Y estão dispersos, entendemos que a relação é nula. Quando esses dois elementos formam uma elipse fechado em torno de uma reta, é forte.
Quando o diagrama de dispersão sugere uma relação linear entre duas variáveis, temos a regressão. A análise da regressão é um método para examinar o efeito de uma ou mais variáveis explicativas sobre uma variável resposta.
Os cálculos dos coeficientes da regressão linear simples incluem a reta da regressão, que nos permite estimar valores de Y e X no contexto do intervalo abordado.
Epidemiologia e estudos de coorte
A epidemiologia é uma ciência que estuda como as condições de saúde estão distribuídas nas populações e quais as causas associadas a elas. É por meio da identificação de padrões que essa ciência atua na saúde pública.
De forma geral, a epidemiologia e a bioestatísticas estão intimamente associadas pois se complementam na identificação, análise e compreensão dos problemas de saúde pública e auxiliam, em conjunto, o avanço das pesquisas nesse campo.
A verificação das eficácias de intervenções, predição e modelagem epidemiológica é um dos exemplos em que podemos compreender a atuação da epidemiologia em conjunto com a bioestatística.
Nesse contexto, o estudo de coorte é um dos tipos de estudo observacional mais comum entre os desenhos de estudo utilizados em pesquisas em saúde.
Testes de diagnóstico
Identificar a precisão, utilidade e acurácia de um teste diagnóstico diante de uma situação clínica é uma habilidade possibilitada pela bioestatística muito importante para a prática médica.
Os testes de diagnóstico são avaliados pela perspectiva da bioestatística a partir de conceitos específicos, os quais incluem:
- Sensibilidade;
- Especificidade;
- Valores preditivos (positivos ou negativos);
- Likelihood Ratio (razão de verossimilhança);
- Curva ROC (desempenho global de um teste);
- Vieses e precisão do teste.
Análise de sobrevivência
A análise de sobrevivência é uma técnica que avalia o aspecto temporal de um evento de interesse, desde o início de sua elaboração até um evento específico como a falha do dispositivo em um estudo.
Os principais conceitos que se relacionam a análise de sobrevivência, ou “análise do tempo de vida” para alguns autores, incluem:
- Curvas de sobrevivência
- Identificação das variáveis de interesse
- Censura
- Modelo de regressão (de Cox);
- Análise multivariada;
- Testes estatísticos, como o teste de Wilcoxon.
Medicina baseada em evidência
A medicina baseada em evidência nos permite compreender o grau de confiabilidade das informações médicas disponíveis na atualidade visando a prática médica de qualidade.
Conhecida também como MBE, ela possui uma série de fundamentos, já que se trata de um pensamento científico com rigor.
Associar o conhecimento teórico baseado em evidências com a prática clínica é um dos objetivos da MBE, considerando primordialmente uma assistência mais assertiva possível a partir da análise crítica do que está disponível de evidência.
Dessa forma, conhecer os desenhos de estudos, identificar vieses, conhecer os testes diagnósticos e os conceitos básicos de estatística são indispensáveis para compreender a BEM – sendo todos esses conhecimentos subsidiados pela bioestatística.
Como gabaritar uma prova de bioestatística?
O estudo da bioestatística envolve a compreensão de muitos conceitos de outras áreas, como a matemática. Por isso, a melhor forma para estudar essa disciplina é utilizar questões como recurso para fixar o aprendizado.
Além de questões, utilizar resumos e/ou mapas mentais pode ser uma ótima estratégia para ajudar na fixação de conceitos e organizar suas noções sobre os assuntos abordados nessa disciplina.
Um ponto importante também é tirar dúvidas. Diante de uma questão, é necessário buscar sanar qualquer dúvida ou dificuldade para que seja possível avançar no assunto.
Todos os temas de bioestatística são muito importantes e o destaque no momento do estudo deve ter um enfoque maior naqueles onde a dificuldade aparentemente é maior.
Quais são os assuntos mais cobrados na prova desta disciplina?
Conhecer os desenhos de estudos utilizados nas pesquisas em saúde é obrigatório para qualquer estudante de medicina, pois o desenho escolhido é capaz de nortear e estabelecer as regras utilizadas na coleta de dados e na seleção das amostras.
Nesse contexto, entender quais os tipos de estudos observacionais e estudos intervencionais é indispensável.
Exemplos de questões de bioestatística que podem aparecer em sua prova!
Para te ajudar em seus estudos, trouxemos algumas questões de bioestatísticas que podem cair em provas dessa disciplina. Entender a dinâmica dessas questões pode nortear seu estudo.
Confira com a gente!
Questão 1: Quais dos estudos abaixo estão inseridos no grupo de estudos observacionais?
- Caso-controle, transversal, coorte e ensaio clínico.
- Ensaio clínico randomizado, caso controle e coorte.
- Transversal, caso-controle e coorte.
Questão 2: Considere uma amostra de n = 5 pessoas. Qual a mediana da altura dessa população?
1,53m 1,64m 1,73m 1,50m 1,78m
a) 1,53m
b) 1,64m
c) 1,73m
d) 1,50m
e) 1,78m
Questão 3: Qual o conceito está relacionado ao comportamento entre duas variáveis?
a) Regressão
b) Correlação
c) Sensibilidade
d) Especificidade
e) Valor preditivo
Gabaritos
Gabarito da questão 1: Letra C. A inclusão de ensaio clínico nas outras alternativas faz com que as outras opções estejam incorretas.
Gabarito da questão 2: Letra B. A mediana representa o valor central dentro de um grupo. Após organizarmos esses números conforme a ordem crescente, conseguimos ver que 1,64m representa a mediana de altura dessa amostra.
Gabarito da questão 3: Letra B. A correlação nos ajuda a compreender o comportamento conjunto que duas variáveis possuem. O diagrama de dispersão é o gráfico que se utiliza para expor a relação entre esses dois elementos.
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Referências bibliográficas
- VIEIRA, S. Introdução à bioestatística. 6 ed. – Rio de Janeiro: GEN, 2021. 296p.
- ALENCAR NETO, J. N (org). Manuel de Medicina Baseada em Evidências. 1ª ed – Salvador, BA: Editora Sanar, 2021. 416p.
- MARTINEZ, E. Z. Bioestatística para os cursos de graduação da área de saúde. São Paulo: Blucher, 2015. 337p.
Sugestão de leitura complementar
- Sensibilidade e especificidade da força de preensão manual como discriminador de risco para multimorbidades em idosos – Sanar Medicina
- Aplicações da Epidemiologia – Sanar Medicina
- Equidade e saúde: Contribuições da Epidemiologia – Sanar Medicina
- Epidemiologia da asma: é necessário ampliar nossos conceitos – Sanar Medicina