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Como se apresenta o Autismo em crianças

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O Transtorno do Espectro do Autismo em crianças (TEA) é um transtorno do desenvolvimento neurológico, caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos. O TEA, segundo o DSM-5, é um dos transtornos do neurodesenvolvimento, um grupo de transtornos iniciados no período do desenvolvimento. Tipicamente se iniciam em fases muito iniciais da vida, antes da criança entrar na escola.

O TEA tem origem nos primeiros anos de vida, mas sua história da doença e momento do diagnóstico não é uniforme. Em algumas crianças, os sintomas são aparentes logo após o nascimento. Na maioria dos casos, no entanto, os sintomas do TEA só são consistentemente identificados entre os 12 e 24 meses de idade.  O diagnóstico do TEA ocorre, em média, aos 4 ou 5 anos de idade, representando um atraso no diagnóstico. Essa situação é lamentável, tendo em vista que a intervenção precoce está associada a ganhos significativos no funcionamento cognitivo e adaptativo da criança.

O TEA é também frequentemente associado a outros transtornos psiquiátricos (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, depressão e ansiedade), cuja prevalência chega a 70%. Ademais, 40% dos autistas têm dois ou mais transtornos mentais comórbidos. Também é comum encontrar outras condições médicas (epilepsia; transtornos genéticos) associadas. Dificuldades motoras são também relativamente comuns entre indivíduos com TEA, embora sua presença não seja necessária para o diagnóstico.

Etiologia

O TEA é causado por uma combinação de fatores genéticos e fatores ambientais. Estudos comparando gêmeos idênticos e gêmeos fraternos mostram que a taxa de concordância do TEA é significativamente maior entre os primeiros do que entre os segundos, sugerindo um forte componente genético na etiologia do autismo.

Há fortes evidências de que vacinas NÃO causam autismo, e o estudo preliminar que sugeriu essa associação foi desconsiderado porque seu autor falsificou dados.

Sinais e sintomas

São sinais sugestivos no primeiro ano de vida:

  • Perder habilidades já adquiridas, como balbucio ou gesto dêitico de alcançar, contato ocular ou sorriso social;
  • Não se voltar para sons, ruídos e vozes no ambiente;
  • Não apresentar sorriso social;
  • Baixo contato ocular e deficiência no olhar sustentado;
  • Baixa atenção à face humana (preferência por objetos);
  • Demonstrar maior interesse por objetos do que por pessoas;
  • Não seguir objetos e pessoas próximos em movimento;
  • Apresentar pouca ou nenhuma vocalização;
  • Não aceitar o toque;
  • Não responder ao nome;
  • Imitação pobre;
  • Baixa frequência de sorriso e reciprocidade social, bem como restrito engajamento social (pouca iniciativa e baixa disponibilidade de resposta)
  • Interesses não usuais, como fixação em estímulos sensório-viso-motores;
  • Incômodo incomum com sons altos;
  • Distúrbio de sono moderado ou grave;
  • Irritabilidade no colo e pouca responsividade no momento da amamentação;

A avaliação formal do Desenvolvimento Neuropsicomotor é fundamental e indispensável e faz parte da consulta pediátrica. Seque principais marcos do desenvolvimento infantil:

Principais marcos do desenvolvimento infantil.

Sinais de Alerta

É importante a família e o Médico Generalista estar atento aos sinais de alerta:

Meses Sinais de alerta
6 meses Poucas expressões faciais, baixo contato ocular, ausência de sorriso social e pouco engajamento sociocomunicativo.
9 meses Não faz troca de turno comunicativa, não balbucia “mamã/papá”, não olha quando chamado, não olha para onde o adulto aponta, imitação pouca ou ausente.
12 meses Ausência de balbucios, não apresenta gestos convencionais (abanar para dar tchau), não fala “mamãe/papai”, ausência de atenção compartilhada
Qualquer idade Perda de habilidades

Assim que uma criança apresenta comprovados atrasos ou desvios no desenvolvimento neuropsicomotor, ela deve ser encaminhada para avaliação e acompanhamento com médico especializado em desenvolvimento neuropsicomotor, com avaliação formal para TEA com o Psiquiatra Infantil ou o Neuropediatra.

Comorbidades

A prevalência de distúrbios psiquiátricos, como transtorno do déficit de atenção/hiperatividade [TDAH], transtorno de ansiedade, depressão e transtorno bipolar, associados ao TEA, é de até 79% e mais alta que na população geral.

Outras comorbidades prevalentes são a deficiência intelectual, a epilepsia e distúrbios do sono. Bastante interessante é a modulação da deficiência intelectual sobre a gravidade dos sintomas do TEA e da epilepsia.

Os fatores de maior risco para epilepsia no TEA é a regressão de habilidades, o sexo feminino e a função cognitiva geral. Porém, o déficit cognitivo exerce maior influência

Além disso, a epilepsia e o TEA estão associados a múltiplos distúrbios do neurodesenvolvimento, como os distúrbios de linguagem e aprendizagem, TDAH, paralisia cerebral, ansiedade e transtornos do humor. A epilepsia e o TEA compartilham mecanismos fisiopatológicos comuns, o que aumenta a ocorrência concomitante.

A prevalência de problemas do sono entre crianças com desenvolvimento típico aumentou em todas as faixas etárias. É bastante comum também nos transtornos do neurodesenvolvimento, tais como no TEA, na deficiência intelectual (DI) e no TDAH. Os distúrbios do sono prejudicam a função e aumentam o ônus e o estresse para as famílias de crianças com TEA. Ademais, agravam os sintomas dos domínios centrais do TEA, como as habilidades sociais e déficits de comunicação, maiores taxas de comportamentos estereotipados e maior apego a rotinas disfuncionantes23.

Conduta

O diagnóstico de autismo é clínico. Os testes de rastreamento incluem o Social Communication Questionnaire (1 ) e a Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised, with Follow-Up (M-CHAT-R/F).

Criança com atraso do DNPM OU MCHAT-R alterado

  1. orientar os pais quanto à estimulação adequada
    1. interação com os pais, harmonia no lar, brincadeiras, contato afetivo, tempo de tela, qualidade de tela, tempo de sono, alimentação, brincadeiras ao ar livre.
  2. Reavaliar em um mês
    1. se alcançou os marcos: manter acompanhamento e estimulação
    1. se não alcançou os marcos: encaminhar para serviço de estimulação interdisciplinar especializado, encaminhar para avaliação com médico especializado em TEA, manter consultas próximas com a criança e os pais para apoio e acompanhamento do tratamento de reabilitação.

Tratamento

O objetivo do tratamento é maximizar a aquisição de conteúdos cognitivos, melhorar a interação social, expandir os interesses, reduzir as repetições, maximizar a aquisição.

A principal terapêutica do autismo não é a intervenção médica. A atuação médica é auxiliar, junto com uma equipe multidisciplinar. As esferas principais são: intervenção psicossocial e intervenção educacional (psicológicos, fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, professores, pedagogos).

A divisão do tratamento farmacológico se dá em:

  • Sintomas centrais do autismo: drogas que pelo seu efeito neuroquímico agem nos sintomas centrais do autismo (dificuldade de comunicação e socialização, núcleo de interesses restritos). EX: BUMETANIDA, OCITONINA, SULFUROFANO
  • Complicações / comorbidades: drogas usadas para o tratamento dos distúrbios de comportamento associados ao autismo. EX: Irritabilidade (ANTIPSICÓTICOS), Sono (MELATONINA), entre outros.

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Perguntas Frequentes sobre Autismo em crianças:

1 – O que é Autismo em crianças?

Transtornos do espectro autista são distúrbios do neurodesenvolvimento caracterizado por deficiente interação e comunicação social, padrões estereotipados e repetitivos de comportamento e desenvolvimento intelectual irregular, frequentemente com retardo mental.

2 – Quais os sintomas do Autismo em crianças?

Os sintomas começam cedo na infância. Na maioria das crianças, a causa é desconhecida, embora, em alguns casos, existam evidências de um componente genético ou uma causa médica. O diagnóstico é baseado na história sobre o desenvolvimento e observação.

3 – Qual o tratamento do Autismo em crianças?

O tratamento consiste no controle do comportamento e às vezes tratamento medicamentoso.

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