As apostas esportivas ganharam espaço rapidamente no cotidiano brasileiro. Com acesso permanente por smartphones, publicidade associada ao esporte, bônus, notificações e apostas em tempo real, as plataformas digitais reduziram as barreiras entre o usuário e o jogo. Consequentemente, médicos de diferentes especialidades começaram a encontrar pacientes com repercussões financeiras, emocionais, familiares e clínicas relacionadas às apostas.
Esse fenômeno não diz respeito apenas à Psiquiatria. Pelo contrário, médicos da Atenção Primária, emergência, neurologia, clínica médica, medicina de família e outras áreas podem ocupar uma posição importante na identificação precoce. Afinal, muitos pacientes procuram atendimento inicialmente por insônia, ansiedade, depressão, irritabilidade, conflitos familiares, consumo de álcool ou sintomas somáticos, sem relatar espontaneamente o comportamento de apostar.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 1,2% da população adulta mundial apresente transtorno do jogo. Além disso, a organização destaca que os danos relacionados ao jogo alcançam pessoas que não preenchem critérios diagnósticos e também familiares, parceiros e outras pessoas próximas.
Por que as apostas esportivas se tornaram uma questão médica?
A aposta envolve dinheiro ou outro bem de valor diante de um resultado incerto. Entretanto, o ambiente digital adicionou características que podem favorecer a repetição do comportamento. Por exemplo, o paciente consegue apostar em poucos segundos, em qualquer horário e praticamente em qualquer lugar.
Além disso, as plataformas podem oferecer apostas durante a própria partida, notificações, recompensas variáveis, bônus e múltiplas oportunidades sucessivas de jogo. Dessa forma, o intervalo entre intenção, aposta e resultado diminui significativamente. O Ministério da Saúde chama atenção justamente para esses recursos e para a possibilidade de o usuário permanecer mais tempo ou gastar mais dinheiro do que havia planejado.
Ao mesmo tempo, a associação entre apostas e eventos esportivos contribui para a normalização desse comportamento. Assim, apostar pode deixar de parecer uma atividade financeira de risco e assumir, para alguns usuários, o aspecto de extensão da experiência de assistir a uma partida.
No Brasil, o tamanho dessa exposição chama atenção. Em pesquisa nacional de 2024, o DataSenado entrevistou 21.808 pessoas e estimou que 13% dos brasileiros com 16 anos ou mais haviam realizado apostas esportivas nos 30 dias anteriores. Isso correspondia, naquele levantamento, a aproximadamente 22 milhões de pessoas. Entre os apostadores, homens e indivíduos mais jovens apareceram com maior frequência.
Contudo, frequência elevada de apostas não equivale automaticamente a transtorno do jogo. O diagnóstico depende principalmente da perda de controle, da persistência do comportamento e de suas consequências.
O que é transtorno do jogo?
A CID-11 da OMS inclui o transtorno do jogo entre os transtornos decorrentes de comportamentos aditivos. Da mesma forma, o DSM-5-TR coloca o transtorno do jogo no grupo dos transtornos relacionados a substâncias e transtornos aditivos, embora não exista consumo de uma substância psicoativa nesse comportamento.
Segundo a CID-11, três componentes assumem importância central:
- Prejuízo no controle sobre o comportamento de jogar
- Prioridade crescente dada ao jogo em relação a outros interesses e atividades
- Continuação ou intensificação do jogo apesar das consequências negativas
Além disso, o padrão precisa produzir sofrimento ou prejuízo significativo no funcionamento pessoal, familiar, social, educacional ou profissional. Portanto, o valor financeiro perdido, isoladamente, não define o diagnóstico. Um paciente de alta renda também pode desenvolver transtorno do jogo caso o comportamento comprometa seu funcionamento, seus relacionamentos ou sua capacidade de controlar as apostas.
Quais são os critérios do DSM-5-TR?
O DSM-5-TR exige pelo menos quatro critérios em um período de 12 meses para o diagnóstico de transtorno do jogo. Entre eles, a American Psychiatric Association descreve comportamentos como necessidade de apostar valores progressivamente maiores, irritabilidade ao tentar parar, tentativas malsucedidas de controle e preocupação persistente com apostas.
Na prática clínica, o médico deve investigar:
- Necessidade de apostar quantias progressivamente maiores para atingir a excitação desejada
- Inquietação ou irritabilidade ao tentar diminuir ou interromper as apostas
- Tentativas repetidas e malsucedidas de controlar ou parar o jogo
- Pensamentos frequentes sobre apostas, resultados anteriores ou próximas oportunidades
- Apostas realizadas durante momentos de sofrimento emocional
- Retorno ao jogo após perdas para tentar recuperar o dinheiro
- Mentiras ou ocultação da extensão do envolvimento com apostas
- Prejuízo ou perda de relacionamentos, trabalho, estudos ou oportunidades profissionais
- Dependência de terceiros para resolver dificuldades financeiras provocadas pelo jogo
Além disso, o médico precisa avaliar se um episódio maníaco explica melhor o comportamento. Essa diferenciação importa porque aumento de gastos, impulsividade e comportamento de risco também podem ocorrer durante episódios de mania.
Um aspecto particularmente característico consiste no chamado chasing losses, ou perseguição das perdas. Nesse padrão, o paciente interpreta novas apostas como uma estratégia para recuperar o dinheiro perdido. Entretanto, novas perdas aumentam a pressão financeira e emocional, o que, por sua vez, estimula outras apostas. Assim, surge um ciclo progressivamente difícil de interromper.
Jogo recreativo, jogo de risco e transtorno do jogo não são a mesma coisa
A prática ocasional de apostas não significa necessariamente doença. Entretanto, danos podem surgir antes que o paciente cumpra todos os critérios para transtorno do jogo.
Por isso, uma abordagem clínica baseada apenas na pergunta “o paciente tem ou não tem transtorno?” pode deixar casos importantes sem intervenção.
O Ministério da Saúde orienta que os profissionais considerem diferentes níveis de risco relacionados ao comportamento de apostar. Além disso, dados apresentados pelo órgão a partir do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas apontam a presença de padrões de risco, jogo problemático e transtorno do jogo na população brasileira.
Assim, o médico deve observar um continuum. Inicialmente, o indivíduo pode apostar de maneira ocasional e controlada. Posteriormente, porém, pode aumentar frequência, tempo e valores. Em seguida, começam a surgir perdas financeiras, conflitos e tentativas frustradas de interromper o comportamento. Finalmente, alguns pacientes desenvolvem perda significativa de controle e comprometimento funcional.
Quais sinais devem chamar atenção durante a consulta?
O paciente nem sempre menciona apostas espontaneamente. Vergonha, culpa e medo de julgamento podem dificultar a revelação do problema. Portanto, o médico precisa criar espaço para perguntas diretas e não moralizantes.
Alguns sinais aumentam a suspeita:
- Endividamento recente ou empréstimos frequentes
- Pedidos recorrentes de dinheiro para familiares
- Insônia ou inversão do ciclo sono-vigília
- Irritabilidade quando não consegue apostar
- Ansiedade associada aos resultados das apostas
- Tentativas repetidas de recuperar perdas
- Ocultação de gastos e movimentações financeiras
- Queda no desempenho profissional ou acadêmico
- Conflitos familiares relacionados ao dinheiro
- Aumento do consumo de álcool ou outras substâncias
- Humor deprimido após perdas financeiras
- Uso das apostas como fuga de sentimentos desagradáveis
Além disso, perdas aparentemente incompatíveis com a renda, múltiplos empréstimos, venda de patrimônio ou uso de dinheiro destinado a despesas básicas devem aumentar a preocupação clínica.
Como rastrear problemas com apostas no consultório?
O NICE recomenda que profissionais de saúde perguntem diretamente sobre apostas, especialmente quando encontram fatores de risco ou consequências potencialmente relacionadas ao jogo. Perguntas simples como “Você costuma apostar?” e “Você se preocupa com a quantidade de dinheiro ou tempo que dedica às apostas?” podem abrir a investigação.
Além disso, o médico pode explorar aspectos objetivos:
Perguntas úteis durante a anamnese
- Com que frequência você aposta?
- Quanto tempo passa em aplicativos ou sites de apostas?
- Quanto dinheiro costuma gastar por semana ou por mês?
- Já gastou mais do que havia planejado?
- Já tentou diminuir ou parar e não conseguiu?
- Depois de perder, costuma apostar novamente para recuperar o dinheiro?
- Já escondeu apostas ou dívidas da família?
- As apostas já prejudicaram trabalho, estudos ou relacionamentos?
- Já pediu dinheiro emprestado por causa das apostas?
- Como você se sente depois de uma perda importante?
Além disso, instrumentos validados podem complementar a avaliação. Uma revisão sistemática e metanálise encontrou desempenho promissor em ferramentas breves como NODS-CLiP, Brief Problem Gambling Screen e formas reduzidas do Problem Gambling Severity Index. Entretanto, nenhum instrumento substitui a avaliação clínica.
O médico precisa investigar comorbidades
O transtorno do jogo raramente ocorre em completo isolamento. Pelo contrário, diversos pacientes apresentam outros transtornos psiquiátricos ou comportamentos aditivos.
O Ministério da Saúde destaca associações com transtornos relacionados ao uso de substâncias, ansiedade, transtornos do humor e risco de autolesão. Da mesma forma, a literatura aponta associação com depressão, transtorno bipolar, TDAH e outros quadros psiquiátricos.
Portanto, a anamnese deve incluir avaliação de:
- Depressão
- Transtorno bipolar
- Transtornos de ansiedade
- TDAH e impulsividade
- Uso de álcool
- Uso de outras substâncias
- Alterações do sono
- Outros comportamentos compulsivos ou aditivos
- História de trauma e eventos estressores relevantes
Além disso, o médico deve revisar medicamentos. Fármacos que aumentam a atividade dopaminérgica, particularmente alguns agonistas dopaminérgicos utilizados na doença de Parkinson, podem aumentar comportamentos impulsivos em pacientes suscetíveis. O NICE também recomenda atenção a medicamentos como aripiprazol em determinados contextos clínicos.
Consequentemente, quando o comportamento surge após introdução ou aumento de dose de determinado medicamento, o médico precisa investigar uma possível relação temporal e discutir o manejo com o especialista responsável.
Risco de suicídio exige atenção imediata
Entre todos os aspectos da avaliação, o risco de suicídio merece prioridade.
Problemas relacionados ao jogo podem gerar dívidas, culpa, vergonha, ruptura familiar, perda profissional e sensação de ausência de saída. Além disso, o paciente pode ocultar a extensão das perdas por semanas ou meses, o que aumenta o isolamento.
A OMS relaciona o jogo prejudicial a maior risco de problemas de saúde mental e suicídio. Da mesma forma, a Nota Técnica do Ministério da Saúde destaca a associação entre problemas com apostas, ideação suicida e tentativas de suicídio, especialmente diante do endividamento.
Por isso, diante de perdas financeiras graves, desesperança, depressão, ruptura conjugal ou frases que indiquem desistência, o médico deve perguntar diretamente sobre:
- Pensamentos de morte
- Ideação suicida
- Plano suicida
- Acesso aos meios
- Tentativas anteriores
- Uso de álcool ou substâncias no momento
- Rede de apoio disponível
Caso identifique risco agudo, o profissional deve priorizar segurança, avaliação psiquiátrica imediata e encaminhamento para um serviço de urgência quando necessário. Nesse cenário, discutir apenas controle financeiro ou abstinência de apostas não atende à prioridade clínica.
Como tratar o transtorno do jogo?
O tratamento precisa considerar gravidade, comorbidades, situação financeira, risco suicida e disposição do paciente para mudar.
Além disso, o médico deve evitar uma abordagem baseada em culpa. Frases como “basta parar de apostar” ignoram mecanismos de dependência, impulsividade, reforço e sofrimento psíquico. Consequentemente, esse tipo de comunicação pode aumentar vergonha e afastar o paciente do cuidado.
Terapia cognitivo-comportamental
Atualmente, a terapia cognitivo-comportamental, ou TCC, ocupa posição central no tratamento. O NICE recomenda TCC específica para problemas relacionados ao jogo, tanto em formato grupal quanto individual. Além disso, a intervenção deve abordar prevenção de recaídas.
Durante a TCC, o terapeuta pode trabalhar distorções cognitivas frequentes, como:
- Crença de que uma sequência de perdas aumenta a chance de vitória
- Superestimação da capacidade de prever resultados esportivos
- Interpretação de ganhos ocasionais como prova de habilidade
- Tentativa de recuperar perdas por meio de novas apostas
- Minimização do impacto financeiro acumulado
Ao mesmo tempo, estratégias comportamentais ajudam o paciente a identificar gatilhos, limitar acesso às plataformas e desenvolver respostas alternativas.
Entrevista motivacional
Em pacientes ambivalentes, a entrevista motivacional também pode ajudar. O NICE recomenda considerar essa abordagem para fortalecer a motivação e o compromisso com a mudança.
Esse recurso assume importância porque muitos pacientes reconhecem os prejuízos, mas ainda acreditam que uma próxima aposta poderá solucionar as perdas anteriores.
Portanto, confrontos agressivos tendem a produzir resistência, enquanto perguntas estruturadas sobre vantagens, consequências e objetivos pessoais podem favorecer maior consciência do problema.
Medidas práticas e redução de acesso
Além da psicoterapia, algumas mudanças ambientais ajudam a reduzir oportunidades de aposta.
Entre elas:
- Utilizar mecanismos de autoexclusão das plataformas
- Remover aplicativos relacionados a apostas
- Desativar notificações e comunicações promocionais
- Estabelecer barreiras ao acesso imediato a recursos financeiros
- Organizar dívidas e orçamento com apoio adequado
- Compartilhar o plano de recuperação com uma pessoa de confiança quando o paciente concordar
- Identificar horários, emoções e situações que funcionam como gatilhos
Entretanto, essas medidas não substituem tratamento quando o paciente apresenta transtorno estabelecido.
Existe tratamento medicamentoso?
Nenhum medicamento ocupa atualmente o papel de tratamento farmacológico universal de primeira linha para transtorno do jogo. Portanto, a psicoterapia específica permanece como principal estratégia inicial.
Contudo, algumas evidências apontam benefício de antagonistas opioides em pacientes selecionados. O NICE, por exemplo, recomenda considerar naltrexona quando uma intervenção psicológica adequada não produz o resultado esperado ou quando o paciente apresenta recaídas repetidas após tratamento psicológico. Ainda assim, a diretriz orienta acompanhamento especializado e ressalta o contexto de uso fora da indicação formal naquela jurisdição.
Consequentemente, o médico não deve transformar a farmacoterapia em resposta automática ao comportamento de apostar. Antes disso, precisa avaliar comorbidades, contraindicações, uso concomitante de opioides, função hepática, riscos individuais e regulamentação aplicável.
Além disso, o tratamento adequado de depressão, transtorno bipolar, TDAH ou transtornos relacionados ao uso de substâncias pode reduzir fatores que mantêm ou agravam o comportamento de apostar.
Qual é o papel da família?
Os danos relacionados às apostas frequentemente ultrapassam o indivíduo. Dívidas ocultas, empréstimos, conflitos conjugais e perda de confiança podem afetar todo o núcleo familiar. A OMS estima que outras pessoas próximas também sofrem impactos relevantes quando alguém desenvolve padrões prejudiciais de jogo.
Por isso, com autorização do paciente, a participação da família pode ajudar na recuperação. Entretanto, o médico deve evitar transformar familiares em agentes de vigilância permanente.
Em vez disso, a equipe pode orientar:
- Comunicação clara e sem humilhação
- Proteção do orçamento familiar
- Definição de limites financeiros
- Reconhecimento de situações de risco
- Apoio à adesão ao tratamento
- Busca de suporte psicológico também para familiares quando necessário
Assim, a intervenção deixa de se limitar ao ato de apostar e passa a contemplar os impactos sociais, emocionais e financeiros do problema.
Onde o paciente pode receber cuidado no SUS?
No Brasil, o Ministério da Saúde orienta a atenção às pessoas com problemas relacionados às apostas dentro da Rede de Atenção Psicossocial. A Atenção Primária pode identificar casos, realizar acolhimento inicial, avaliar comorbidades e organizar encaminhamentos. Além disso, os Centros de Atenção Psicossocial podem participar do cuidado conforme a gravidade e a complexidade de cada situação.
Em situações de crise psíquica grave, risco suicida ou outras emergências, o paciente precisa de avaliação nos serviços de urgência e emergência.
Portanto, o encaminhamento não deve ocorrer apenas quando o paciente acumula dívidas extremas. Quanto mais cedo o profissional identifica perda de controle e prejuízos, maior a oportunidade de interromper a progressão do problema.
O que o médico precisa levar para a prática clínica?
A expansão das apostas esportivas introduziu um novo elemento na avaliação da saúde mental e financeira dos pacientes. Entretanto, muitos casos permanecem ocultos porque o próprio paciente não relaciona ansiedade, insônia, depressão ou conflitos familiares ao comportamento de apostar.
Por isso, médicos de diferentes especialidades precisam incorporar perguntas sobre apostas quando o contexto clínico levantar suspeitas.
Na prática, cinco condutas merecem destaque:
- Perguntar diretamente sobre apostas quando houver indícios clínicos ou financeiros
- Avaliar perda de controle e prejuízo funcional, e não apenas valores apostados
- Investigar depressão, transtorno bipolar, TDAH, ansiedade e uso de substâncias
- Avaliar sempre risco de suicídio diante de endividamento, desesperança ou perdas graves
- Encaminhar para tratamento psicológico e cuidado especializado conforme a gravidade
Em síntese, apostas esportivas não representam um transtorno para todas as pessoas que apostam. Contudo, quando o jogo ganha prioridade sobre outras áreas da vida, o paciente perde controle e continua apostando apesar dos danos, o comportamento passa a exigir investigação clínica.
Nesse contexto, reconhecer o problema precocemente pode reduzir consequências psiquiátricas, financeiras, familiares e sociais. E, justamente por isso, perguntar sobre apostas já começa a fazer parte de uma anamnese contemporânea.
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Referências bibliográficas
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- BRASIL. Senado Federal. Instituto de Pesquisa DataSenado. Panorama Político 2024: apostas esportivas, golpes digitais e endividamento. Brasília, DF: Senado Federal, 2024. Disponível em: DataSenado — Panorama Político 2024. Acesso em: 24 ago. 2026.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Clinical descriptions and diagnostic requirements for ICD-11 mental, behavioural and neurodevelopmental disorders. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: WHO — ICD-11 Clinical Descriptions and Diagnostic Requirements. Acesso em: 24 ago. 2026.
