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Alterações do hábito intestinal pós-colecistectomia videolaparoscópica | Colunistas

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A  colecistectomia  é  um  procedimento cirúrgico  que consiste  na  remoção  da  vesícula biliar, sendo frequentemente realizada, tendo em vista que, nos adultos, a prevalência de cálculos biliares varia de 15 a 20%.

Entretanto, a alteração do hábito intestinal após a colecistectomia é comum, sendo a diarréia o sintoma mais relatado, tendo sua prevalência variando entre 0,9-35,6%, tornando-se uma das sequelas pós-operatórias mais angustiantes referidas.

Levando em consideração a alta prevalência da correlação das alterações do hábito intestinal com a colecistectomia videolaparoscópica, o objetivo do texto é levar a você leitor o conhecimento sobre o ciclo enterohepático, a colecistectomia e a alteração do hábito intestinal.

Fígado e Vesícula biliar

O fígado desempenha diversas funções em nosso organismo, dentre elas, a função de produzir e secretar a bile, esta possui papel importante na emulsificação e absorção de gorduras.

A bile é secretada continuamente pelas células do fígado (os hepatócitos), passando por canais biliares do fígado (ductos hepáticos e colédoco) e pode ter dois destinos:

1. Vai diretamente para o intestino (o duodeno).

2. Entra pelo ducto cístico e é armazenada na vesícula biliar. Sendo esta, a maior parte.

De tal modo que para a bile armazenada na vesícula biliar ser liberada é necessário que ocorra contração da vesícula, fazendo com que a bile retorne para o ducto cístico, depois para o colédoco e posteriormente é secretada para o duodeno, onde os alimentos gordurosos serão digeridos. Abaixo segue a foto exemplificando anatomicamente essa relação.

Colecistectomia videolaparoscopica

A retirada da vesícula biliar é realizada por remoção cirúrgica e recebe o nome de colecistectomia. O procedimento vem sendo realizado há mais de um século e nos últimos 25 anos vem sofrendo inovação nos seus fundamentos técnicos, especialmente, em relação ao acesso e a exploração da via biliar principal.

No final do século vinte, a colecistectomia que antes era realizada por grande exposição do abdome com a laparotomia, passou a ser feita por meio de acessos menores como a minilaparotomia e em seguida pela videolaparoscopia, que é o acesso considerado como padrão na atualidade.

A videolaparoscopia por ser minimamente invasiva apresenta menor trauma  cirúrgico. Sendo associado ao menor  tempo  de  internação, retorno  precoce  às  atividades  profissionais  e melhor   resultado   estético   em   comparação   à convencional. 

A  colecistectomia  é  indicada  no  tratamento  da  litíase  biliar (colelitíase)    e    suas    complicações    e    nas neoplasias     da     vesícula     biliar.     Esse procedimento  pode  ser  realizado  por via abdominal, com a cirurgia aberta e por videolaparoscopia. 

Indicações para a Colecistectomia

As indicações mais frequentes para a realização da cirurgia consiste em:

  1. Litíase vesicular/Colelitíase e  suas  complicações: Um ou mais cálculos (‘pedras”) dentro da vesícula biliar.
  2. Colecistite  aguda: Inflamação aguda da vesícula biliar. Se desenvolve em horas e em muitos casos cursa com dor em hipocôndrio direito do abdome, algumas vezes acompanhada de febre, calafrios, náuseas e vômitos. Essa inflamação é geralmente resultado da obstrução do ducto cístico por um cálculo.
  3. Litíase na via biliar principal: É menos comum e está geralmente associada a parada da contração da vesícula biliar (estase da bile). Tipicamente apresenta-se com dor recorrente nos quadrantes superiores do abdómen, a que se podem associar náuseas ou vómitos.
  4. Pancreatite  aguda  biliar: É uma inflamação súbita do pâncreas que pode ser leve ou potencialmente letal, sendo a dor abdominal grave o seu principal sintoma.Cálculos biliares é uma das principais causas da pancreatite aguda. O quadro normalmente cursa com melhora.
  5. Câncer na vesícula biliar: É  um  câncer  pouco  frequente e no  Brasil não  há  fonte  segura  sobre  a  sua  incidência  real  ou estimada. Sintomas geralmente só se manifestam quando a doença já está em estágio avançado.

Pré-operatório

O paciente é orientado e deve permanecer em jejum por  8  horas. Além disso, no  banho  que  antecede a operação ter atenção especial com limpeza da parede abdominal e do umbigo.

Pós-operatório

De acordo com estudos, não houve repercussão significativa da dieta hipolipídica (menor teor de gorduras) na prevenção dos sintomas dispépticos no pós-operatório da colecistectomia videolaparoscopica.

Não existindo, portanto, na atualidade, motivo válido para restringir a dieta desse paciente.De modo que, cabe ao cirurgião avaliar cada paciente individualmente e ajustar a dieta às necessidades do paciente e às condições clínicas associadas.

Alterações do hábito intestinal

Os sintomas gastrointestinais pós-colecistectomia são geralmente inespecíficos e leves, como flatulência, náuseas, eructação, sensação de indigestão e mudanças do hábito intestinal. Infelizmente, apesar do número expressivo de pacientes sintomáticos, ainda não há na literatura estudos que determinem quais pacientes irão desenvolver alterações no hábito intestinal.

A diarreia ou a presença de fezes amolecidas são relatadas com frequência e representam o período de adaptação da via biliar à falta do seu local de armazenamento -a vesícula biliar-, apresentando melhora gradual ao longo do tempo.

A fisiopatologia da mudança do hábito intestinal é tema controverso entre o meio médico, ainda carece de estudos. A literatura tende a atribuir às alterações sofridas pelos ácidos biliares no ciclo enterohepático.

Tendo em vista que a colecistectomia remove o principal local de armazenamento dos ácidos biliares, consequentemente eles permanecem por mais tempo em contato com a mucosa do intestino entre as refeições. Os ácidos biliares sofrem um número maior de desidroxilação bacteriana, dificultando sua absorção intestinal, chegando em quantidades maiores no intestino grosso, sendo apontada como a principal causa das alterações do hábito intestinal sofridas no pós-operatório.

Tratamento

Existe uma medicação que é frequentemente utilizada nos casos intensos e persistentes, como a colestiramina que é um fármaco sequestrador de ácidos biliares. Porém a avaliação, prescrição e acompanhamento do médico são imprescritíveis.

Conclusão

Logo, conclui-se que existe uma alta relação entre a colecistectomia com as alterações do hábito intestinal. Contudo, ainda é necessário mais estudos na área para esclarecer melhor a fisiopatologia desta relação.

Se faz importante ressaltar o fato de que, cada caso deve ser acompanhado individualmente pelo médico, tendo em vista que cada paciente possui seu histórico médico pessoal e familiar. Espero que você, leitor, tenha aproveitado os conhecimentos aqui listados!

Autora: Maria Paula Ruback Bringel Chaves

Instagram: @mpruback


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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Veja também:

Referências:

  1. Canani, J. K., Cassiano, A., Mattei, B. M., Paglia, C. G., Tomielo, F. L., Zamboni, G., Ferrari, J., Pasinato, J., & Nardi, A. (2013). FISIOLOGIA HEPÁTICA. Ação Odonto, 1(1), 11. Recuperado de https://unoesc.emnuvens.com.br/acaodonto/article/view/3794
  2. COLECISTECTOMIA: ASPECTOS TÉCNICOS E INDICAÇÕES PARA O TRATAMENTO DA LITÍASE BILIAR E DAS NEOPLASIAS: http://revista2.grupointegrado.br/revista/index.php/sabios/article/view/1449/477
  3. ​​DEL GRANDE, Leonardo de Mello et al. PREVALENCE AND PREDICTORS OF CHANGES IN BOWEL HABITS AFTER LAPAROSCOPIC CHOLECYSTECTOMY. ABCD. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo) [online]. 2017, v. 30, n. 1 [Acessado 21 Julho 2021] , pp. 3-6. Disponível em: . ISSN 2317-6326. https://doi.org/10.1590/0102-6720201700010002.
  4. Menezes, Hunaldo Lima de et al. Estudo randomizado para avaliação da dieta hipolipídica nos sintomas digestivos no pós-operatório imediato da colecistectomia por videolaparoscopia. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões [online]. 2013, v. 40, n. 3 [Acessado 22 Julho 2021] , pp. 203-207. Disponível em: . Epub 30 Jul 2013. ISSN 1809-4546. https://doi.org/10.1590/S0100-69912013000300007.

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