Entenda a aplicabilidade do agonista da melatonina no tratamento dos pacientes com insônia e depressão, e quando escolhê-los. Bons estudos!
A insônia e a depressão são condições cada vez mais comuns na população geral. Por comprometerem intensamente a qualidade de vida dos pacientes, a aderência de medicações e hormônios que favorecem uma melhora do quadro são medidas cada vez mais necessárias, como é o caso do agonista de melatonina.
Insônia pela baixa de melatonina: problema de saúde pública
O sono é a ferramenta mais potente de conservação de energia, além de recuperação do tecido cerebral. Além disso, a função imunológica e cognição são diretamente afetadas pela boa qualidade do sono.
Por esse motivo, o sono insuficiente tem causado grande preocupação para a comunidade médica, sendo considerado um problema de saúde pública. Atualmente, entende-se que cerca de 30% dos adultos americanos relatam taxas baixas de sono.
Como resultado de insônia, uma série de doenças passam a ser associadas ao quadro. Não apenas a sonolência diurna excessiva, mas doenças cardiovasculares, obesidade e mortalidade por todas as causas.
Investigação da qualidade do sono do paciente: bons ou maus níveis de melatonina?
É difícil estimar a boa qualidade do sono de um paciente se não for questionado diretamente sobre ela.
Por isso, na história clínica deve se entender o horário típico em que o paciente dorme e acorda, além de saber se o seu trabalho é por turnos.
Entendido isso, faça as seguintes perguntas:
- O sono é revigorante?
- É difícil sair da cama no final do período de sono?
- Há despertares durante o período de sono?
Se você perceber que as informações sobre sono passadas pelo seu paciente são inconsistentes, ou sentir necessidade de entendê-las melhor, pense em um diário do sono. Essa é uma recomendação interessante para acompanhá-lo e entender se há necessidade de tratamento com agonista de melatonina.
O diário pode ser mantido por alguns dias, de 7 a 14 consecutivamente. Durante esse período, aconselhe o paciente a registrar o padrão de sono típico, ou seja, sem eventos não rotineiros. Dentre as informações que se pode incluir no diário estão a hora que:
- Se deita
- Adormeceu
- Acordou após o período de sono noturno
- Sai da cama durante o dia
- Número e duração das sonecas diurnas
- Número de vezes que o paciente acordou durante a noite
- Tempo que o paciente levou para voltar a dormir
Depressão, Insônia e ciclo circadiano
A insônia são condições que resultam na alteração do ciclo circadiano. Essa alteração é devido ao avanço do ciclo de vigília-sono, adormecendo no início da noite (19-20h) e despertando às 3-4h da manhã.
No caso da depressão, o mesmo pode ou não ocorrer. Isso porque alguns casos envolvem a hipersonia, enquanto outros, a insônia.
Com o avançar da idade, a melatonina endógena (natural), produzida pela glândula pineal, diminui com a idade. Os tratamentos hoje aplicados apresentam-se como um desafio, já que costumam causar dependência ou intolerância. Dentre eles, tem-se os benzodiazepínicos.
A insônia grave, como comentamos, se associa a uma diversidade de comorbidades, sendo também considerada uma. Ainda, mostra-se como uma condição estreita à transtornos de comportamento, em especial à depressão. Isso é reforçado pelas alterações de secreção hormonal, síntese e secreção de neurotransmissores alterados em pacientes deprimidos,
Pela forte associação entre a insônia e depressão, entende-se que a melhora de qualidade do sono dos pacientes deprimidos pode ter efeito antidepressivo importante.
Como o agonista de melatonina interfere no sono?
A Agomelatina é um potente agonista da melatonina (dos receptores MT1 e MT2), e tem um curto tempo de meia-vida biológica.
É utilizada para tratar a depressão grave, habitualmente administrada uma vez por dia, antes de deitar. Pode funcionar pela correção dos distúrbios nos ritmos circadianos, associados frequentemente à depressão.
Além de efeito antidepressivo, é capaz de melhorar os padrões de sono e a sensação de alerta no dia seguinte, sendo próxima das características de antidepressivo ideal.
Visa a melhorar todo o espectro de sintomas depressivos, não só o humor deprimido, mas também a ansiedade e a perda de interesse/prazer (anedonia).
Existem relatos de hepatotoxicidade em poucos pacientes, não devendo ser utilizada em pacientes com doença hepática.
Melatonina no tratamento da insônia e da depressão
O principal hormônio da glândula pineal é a melatonina, sendo que, com a idade, ocorre uma redução na sua produção.

A via principal para a síntese da melatonina parte da retina, que recebe os impulsos claro-escuro. Com isso, fisiologicamente os níveis de melatonina sérica variam, sendo altos durante a noite, e baixos durante o dia. Através do trato retino-supraquiasmático, estes impulsos atingem o núcleo supraquiasmático do hipotálamo, que é o relógio que gera a atividade rítmica circadiana.
Posteriormente, os estímulos atingem o núcleo paraventricular do hipotálamo, medula espinhal e gânglio cervical superior. A partir de então, a indução da síntese da melatonina ocorre após a estimulação de receptores beta e alfa-noradrenérgicos – localizados nos pinealócitos da glândula pineal.
Sobre eles, 85% da síntese de melatonina resulta da interação entre noradrenalina e betareceptores, enquanto somente 15% resulta da interação de alfa-adrenoreceptores. Imediatamente após a sua síntese, a melatonina, ou N-acetil-5-metoxitriptamina, é liberada na circulação e é distribuída para todos os órgãos devido à sua lipossolubilidade.
Apesar de apresentar resultados importantes no tratamento da insônia e depressão, os agonistas de melatonina merecem ser mais estudados, po um seguimento de tempo maior. Assim, será possível estabelecer relações mais conclusivas do hormônio aos efeitos antidepressivos.

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Perguntas Frequentes
- O uso de Agonista da melatonina é contraindicado em pacientes com doença hepática ativa?
Sim! Por suas propriedades hepatotóxicas - De que forma a agomelatonina atua?
Induz da síntese da melatonina após a estimulação de receptores beta e alfa-noradrenérgicos - Qual a indicação clínica do uso de agomelatonina?
É utilizada para tratar a depressão grave, habitualmente administrada uma vez por dia
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Referências
- MELATONIN AGONISTS IN THE TREATMENT OF
INSOMNIA AND DEPRESSION. DÉBORA MASCELLA KRIEGER. - Insufficient sleep: Evaluation and management. Kiran Maski, MD. UpToDate
- Como funciona a glândula pineal, o órgão enigmático que regula nosso sono. BBC.