Anúncio

Adenomiose uterina: sintomas, causas e tratamentos

Médica com estetoscópio, com modelo anatômico e ilustração de útero com adenomiose uterina ao fundo.

Índice

ÚLTIMAS VAGAS - SÓ ATÉ 22/04

Escolha a Pós que te acompanha de perto com condição especial + brindes exclusivos

*Consulte condições

Dias
Horas
Min

A adenomiose uterina representa uma condição ginecológica benigna, porém potencialmente incapacitante, caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometrial no miométrio. Esse processo provoca inflamação local, hipertrofia muscular e aumento uterino progressivo. Embora muitos casos permaneçam subdiagnosticados, o reconhecimento precoce melhora significativamente o manejo clínico e a qualidade de vida das pacientes.

Definição e fisiopatologia da adenomiose uterina

A adenomiose ocorre quando tecido endometrial funcional infiltra o miométrio e mantém atividade cíclica sob estímulo hormonal. Consequentemente, o tecido ectópico prolifera, sangra durante a menstruação e induz resposta inflamatória crônica no músculo uterino.

Além disso, o processo fisiopatológico promove:

  • Hipertrofia e hiperplasia miometrial
  • Espessamento da zona juncional
  • Aumento da produção local de prostaglandinas
  • Aumento da vascularização uterina

Como resultado, surgem dor pélvica e sangramento uterino anormal. Ademais, a doença apresenta dependência estrogênica clara, fato que explica a melhora espontânea após a menopausa.

Embora o mecanismo exato permaneça incompletamente elucidado, evidências atuais sugerem que a disfunção da zona juncional desempenha papel central na patogênese.

Epidemiologia e fatores de risco

A adenomiose afeta principalmente mulheres entre 35 e 50 anos. Entretanto, com a melhoria dos métodos de imagem, observa-se diagnóstico crescente em mulheres mais jovens. Além disso, a prevalência real provavelmente permanece subestimada devido à alta proporção de casos assintomáticos.

Diversos fatores associam-se ao desenvolvimento da doença. Entre eles, destacam-se:

  • Multiparidade
  • Idade reprodutiva tardia
  • Cirurgias uterinas prévias (especialmente cesariana e curetagem)
  • Exposição estrogênica prolongada.

Provavelmente, microtraumas na zona juncional facilitam a invasão do endométrio no miométrio. Portanto, história obstétrica e cirúrgica deve sempre integrar a avaliação clínica.

Etiopatogênese: principais teorias

Apesar de avanços recentes, a etiologia da adenomiose permanece multifatorial. Atualmente, quatro teorias principais tentam explicar o surgimento da doença.

Teoria da invasão endometrial

Essa hipótese propõe que o endométrio basal invade diretamente o miométrio após ruptura da zona juncional.

Além disso, procedimentos uterinos podem facilitar esse processo. Muitos autores consideram essa a teoria mais aceita.

Teoria do desenvolvimento mülleriano

Segundo essa hipótese, restos de tecido mülleriano ectópico persistem no miométrio desde a vida fetal. Posteriormente, sob estímulo hormonal, esse tecido se diferencia em endométrio funcional.

Teoria inflamatória pós-parto

Processos inflamatórios uterinos no puerpério poderiam fragilizar a interface endométrio-miométrio. Consequentemente, ocorreria migração glandular.

Teoria das células-tronco

Estudos mais recentes sugerem que células-tronco da medula óssea poderiam originar tecido endometrial ectópico dentro do miométrio. Entretanto, essa hipótese ainda carece de confirmação robusta.

Provavelmente, a adenomiose resulta da interação entre múltiplos mecanismos, modulados por fatores hormonais e inflamatórios.

Manifestações clínicas da adenomiose uterina

O espectro clínico da adenomiose varia amplamente. Enquanto algumas pacientes permanecem assintomáticas, outras apresentam sintomas intensos e progressivos. Portanto, o médico deve manter alto grau de suspeição clínica.

Sangramento uterino anormal

O sangramento uterino anormal representa uma das manifestações mais frequentes. Geralmente, a paciente relata:

  • Menorragia
  • Aumento da duração do fluxo
  • Ciclos mais intensos ao longo do tempo.

Além disso, perdas crônicas podem levar à anemia ferropriva. Em muitos casos, o sangramento constitui a principal queixa que leva à investigação.

Dismenorreia progressiva

A dismenorreia associada à adenomiose costuma apresentar início tardio e piora progressiva. Diferentemente da dismenorreia primária, a dor tende a intensificar-se ao longo dos anos.

Do ponto de vista fisiopatológico, o aumento de prostaglandinas e a hipercontratilidade miometrial explicam grande parte do quadro doloroso. Além disso, a inflamação local contribui para sensibilização nociceptiva.

Dor pélvica crônica

Muitas pacientes desenvolvem dor pélvica não cíclica. Esse sintoma geralmente indica doença mais extensa. Ademais, a dor pode associar-se a sensação de peso pélvico e desconforto à palpação uterina.

Como consequência, ocorre impacto significativo na qualidade de vida e na produtividade.

Dispareunia

Embora menos frequente que na endometriose, a dispareunia profunda pode ocorrer. Quando presente, geralmente sugere comprometimento mais difuso do miométrio.

Achados ao exame físico

No exame bimanual, o médico pode identificar:

  • Útero aumentado
  • Formato globoso
  • Consistência amolecida
  • Sensibilidade uterina.

Entretanto, esses achados não apresentam especificidade elevada. Portanto, a confirmação exige método de imagem.

Impacto reprodutivo

Evidências crescentes sugerem associação entre adenomiose e infertilidade. Além disso, a doença pode relacionar-se a:

  • Falha de implantação
  • Aborto espontâneo
  • Parto prematuro.

Dessa forma, em mulheres com infertilidade inexplicada, o clínico deve considerar essa hipótese diagnóstica.

Diagnóstico

Atualmente, o diagnóstico baseia-se na combinação de dados clínicos e exames de imagem. Embora a confirmação histológica ainda represente o padrão-ouro, na prática clínica a maioria dos casos recebe diagnóstico não invasivo.

Ultrassonografia transvaginal

A ultrassonografia transvaginal constitui o exame inicial de escolha devido à ampla disponibilidade e bom desempenho diagnóstico.

Principais achados:

  • Miométrio heterogêneo
  • Cistos miometriais
  • Espessamento da zona juncional
  • Estriações subendometriais
  • Assimetria das paredes uterinas

Além disso, a avaliação por examinadores experientes aumenta significativamente a acurácia.

Ressonância magnética

A ressonância magnética apresenta maior precisão para avaliar a zona juncional. Portanto, o médico deve solicitá-la quando:

  • O ultrassom permanece inconclusivo
  • Existe dúvida com leiomioma
  • Há planejamento cirúrgico
  • Ocorre investigação de infertilidade.

Apesar da maior acurácia, o custo limita o uso rotineiro.

Diagnóstico diferencial

O raciocínio clínico deve incluir:

  • Leiomiomas uterinos
  • Endometriose
  • Pólipos endometriais
  • Hiperplasia endometrial
  • Coagulopatias.

A distinção entre adenomiose e mioma pode ser particularmente desafiadora em alguns casos.

Tratamento da adenomiose uterina

O manejo deve ser individualizado. Antes de definir a estratégia, o médico deve considerar:

  • Intensidade dos sintomas
  • Idade da paciente
  • Desejo reprodutivo
  • Extensão da doença
  • Presença de anemia

O objetivo principal consiste em controlar dor e sangramento, preservando a fertilidade quando desejado.

Tratamento clínico

Anti-inflamatórios não esteroidais

Os AINEs constituem opção inicial para controle da dismenorreia leve. Eles reduzem a síntese de prostaglandinas e diminuem a hipercontratilidade uterina. Entretanto, raramente controlam casos moderados ou graves de adenomiose.

Contraceptivos hormonais combinados

Os anticoncepcionais combinados podem reduzir o fluxo menstrual e melhorar a dor. Além disso, o uso contínuo frequentemente proporciona maior benefício analgésico.

Contudo, a resposta clínica varia entre as pacientes.

Progestagênios isolados

Os progestagênios promovem decidualização e atrofia do tecido endometrial ectópico. Consequentemente, reduzem dor e sangramento.

Opções comuns incluem:

  • Dienogeste
  • Medroxiprogesterona
  • Desogestrel contínuo

Muitos especialistas consideram essa estratégia como terapia de primeira linha em pacientes sintomáticas.

Sistema intrauterino liberador de levonorgestrel

O SIU-LNG apresenta alta eficácia no controle do sangramento uterino anormal e melhora significativa da dismenorreia. Além disso, oferece ação local prolongada e preserva a fertilidade.

Por essas razões, muitos consensos o consideram uma das melhores opções terapêuticas para mulheres que desejam evitar cirurgia.

Análogos de GnRH

Os análogos de GnRH suprimem a produção estrogênica e reduzem o volume uterino. Portanto, indicam-se em casos moderados a graves ou como preparo pré-operatório.

Entretanto, efeitos hipoestrogênicos limitam o uso prolongado. Assim, o médico geralmente utiliza essa terapia por tempo definido.

Antagonistas de GnRH

Os antagonistas representam alternativa mais recente, com início de ação rápido e possibilidade de ajuste de dose. Contudo, custo e disponibilidade ainda restringem o uso em muitos cenários.

Tratamento intervencionista e cirúrgico

Adenomiomectomia

A adenomiectomia pode beneficiar pacientes com doença focal e desejo reprodutivo. Entretanto, a técnica apresenta maior complexidade que a miomectomia e envolve risco de recorrência.

Ablação endometrial

A ablação pode reduzir o sangramento em casos selecionados. Contudo, apresenta eficácia limitada na adenomiose profunda e não deve ser indicada para mulheres que desejam gestação.

Histerectomia

A histerectomia representa o tratamento definitivo. O médico deve considerá-la quando houver:

  • sintomas graves refratários
  • falha de múltiplas terapias
  • anemia recorrente
  • ausência de desejo reprodutivo

Quando bem indicada, a histerectomia elimina os sintomas relacionados à adenomiose.

Conheça nossa Pós em ginecologia

Eleve sua carreira com uma formação prática e especializada, focada nas últimas técnicas e atualizações do mercado.

Referências bibliográficas

  • UpToDate. Uterine adenomyosis.
  • UpToDate. Dysmenorrhea in adult females: Treatment.

Compartilhe este artigo:

Uma pós que te dá mais confiança para atuar.

Conheça os cursos de pós-graduação em medicina da Sanar e desenvolva sua carreira com especialistas.

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀