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Achados dermatológicos observados em casos de covid-19 | Colunistas

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A pandemia do Sars-CoV-2, tem sido um grande desafio em todas as especialidades médicas, além dos esperados sintomas respiratórios e constitucionais típicos reportados em sua maioria.

Na dermatologia, por exemplo, foram observadas muitas manifestações cutâneas reportadas em caso de COVID-19 antes, durante e depois dos sintomas.

Erupção vesículas: simulando catapora/varicela.

*Fonte: Ref.1

Pode surgir no começo (precedendo os sintomas ou até 3º dia de doença) tem sido considerada específica de COVID-19, podendo auxiliar no diagnóstico precoce. Ocorre em pessoas de meia idade.

Ao contrário da catapora, as lesões monomórficas (na catapora, são encontradas em diferentes estágios evolutivos), não coçam necessariamente e acometem mais tronco (em menor grau) e os membros, poupa face e mucosas e não deixa cicatriz.

Associada a moderada gravidade.

Livedo

*Fonte: Ref.3

Dá a pele um aspecto marmorizado, e aparece no COVID-19 de forma fugaz, durante cerca de 20 minutos. Pode ser explicado também pelos variados níveis de hipercoagulabilidade que o vírus parece causar nos variados organismos, promovendo oclusão da microvasculatura da pele.

Foi relacionado a variados graus de gravidade, alguns sequer necessitando hospitalização, outros evoluindo para necrose cutânea.

Isquemia cutânea e necrose acral

 *Fonte: Ref.1

Aparecem mais tardiamente em quadros mais graves (mortalidade de 10%).

Ocorrem devido a trombose dos vasos da microcirculação da pele e podem ser indicativos de CIVD.

Pseudo-Chillblains

*Fonte: Ref.2

Também conhecido como “dedos de COVID”, manifesta-se como dedos dos pés ou mãos avermelhados/arroxeados, por vezes com vesículas e erosões, associado a dor ou prurido, na ausência de fatores ambientais (baixas temperaturas) que justifiquem.

Geralmente são assimétricos, ocorrem mais em jovens e foi associado a menor gravidade da doença (em termos de hospitalização, pneumonia e morte).

A maioria dos casos tiveram PCR negativo e poucos contactantes familiares infectados (poderiam corresponder a casos de carga viral muito baixa, porém suficiente para desencadear tal resposta inflamatória).

Duração de 10-14 dias, sendo relatado casos de até um mês. Ocorrem devido a microangiopatia dos vasos da pele.

Juntamente com a erupção vesículas (tipo varicela), tem sido considerada específica de COVID-19.

Erupção máculo-papular em diferentes padrões (manifestações mais frequentes)

Geralmente aparecem junto com os outros sintomas, e possuem a duração de 7-8 dias. Associado a pior prognóstico (2% resultaram em morte).

  • Diferentes padrões de rash/exantema e enantema – placas vermelhas sem relevo acometendo pele e mucosas, podendo ser confundido com outro rash viral, inclusive dengue, endêmico no Brasil.
 
 *Fonte: Ref.1
  • Pápulas infiltradas no dorso das mãos – lembram eritema elevatum diutinum
 *Fonte: Ref.1
  • Manchas purpúricas nas flexuras – podem ser confundidas com reação a medicações (SDRIFE ou exantema flexural intertriginoso simétrico relacionado a droga).
 *Fonte: Ref.1
  • Placas com graus variados de descamação – mimetizando pitiríase rósea, algumas perifoliculares.
*Fonte: Ref.1

Aumento da incidência de outras doenças (algumas raras) nos pacientes infectados pela COVID-19

  • Púrpura trombocitopênica imune/idiopática – queda das plaquetas com extravasamento de sangue na microcirculação (podendo ser grave nos casos de hemorragia em órgãos nobres como o cérebro), na pele parecendo com pequenas manchinhas vermelhas que não somem a digitopressão.
*Fonte: Ref.1
  • Reativação de herpes simples e herpes zoster
  *Fonte: Ref.1
  • Doença de Kawasaki – um quadro grave de vasculite, acometendo principalmente crianças, cujas manifestações na pele ocorrem nos lábios e língua que lembram morango, vermelhidão no corpo e descamação nas mãos, febre, linfonodos aumentados “nódulos” e conjuntivite.

Conclusão

Diferente das outras viroses, o Sars-CoV-2 sozinho pode ser capaz de provocas diversos padrões cutâneos, e padrões diferentes não coexistem em um mesmo paciente. O fato de algumas lesões se parecerem com a de outros vírus, mesmo em casos confirmados de COVID-19, pode levantar a hipótese de tratar-se de coinfecção (e surge a questão do quanto o Sars-CoV-2 é responsável por isso).

A maioria das dermatoses acima descritas são inespecíficas de infecção viral. A relação causa-efeito dos quadros cutâneos com a infecção pelo coronavírus foi sugerida pelo vínculo temporal entre eles.

A ocorrência de diferentes espectros de lesões cutâneas, ora relacionadas ao aumento exacerbado do estado inflamatório, resultando em sepses e hipercoagulabilidade, ora relacionadas e fenômenos autoimunes pode ser de grande valia entendermos para qual direção o paciente está indo eleger uma terapia mais adequadas e inferir sobre o prognóstico.

A resposta imune inicial a infecção viral pelo Sars-CoV-2 envolve a produção de interferon tipo 1. Há uma hipótese que nos idosos, a resposta é atrasada e débil, enquanto nos jovens, essa resposta é precoce e vigorosa. Quando a resposta é atrasada, ocorre a “tempestade de citocinas” envolvendo principalmente Interleucina-1, interleucina-6, TNF-alfa, PCR, interferon-gama, e um estado inflamatório exagerado, o que explica os idosos apresentando maior morbimortalidade pela doença e um espectro de lesões cutâneas relacionados á trombose (necrose acral, livedo em variados graus)

Na resposta precoce, á produção aumentada de interferon-1 resulta em resolução mais rápida da COVID-19, porém parece desencadear um processo autoimune, explicando o motivo dos jovens possuírem melhor prognóstico, mas podem apresentar lesões do tipo perniose do lúpus, microangiopatia e vasculite.

Vale ressaltar que, a ciência em torno das manifestações da COVID-19 apresenta algumas faltas, por não ter informações suficientes sobre os casos. A maioria dos artigos disponíveis são relatos de casos que se baseiam na observação do paciente apenas durante o período de internação, muitos deles não apresentam descrições realizadas por dermatologistas, mas sim por médicos emergencistas e alguns sem biópsia para a correlação clínico-histopatológica.

Por fim, esse artigo possui o objetivo de mostrar as lesões dermatológicas causadas pelo novo COVID-19.

Autora: Lígia Soares Tissi

Instagram: @ligiatissi_


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

  1. A dermatologic manifestation of COVID-19: Translet livedo reticularis. Manalo IF, Smith MK, Cheeley J, Jacobs R.
  2. Chilblain-like lesions on feet and hands during the COVID-19 Pandemic. Nerea Landa MD, Maria Medieta-Eckert MD, Pablo Fonda-Pascual MD Aguirre MD.
  3. Cutaneous manifestations in COVID-19: Family cluste of Urticarial Rash. Cepeda-Valdes R, Carrion-Alvarez D, Trejo-Castro A, Hernandez-Torre M, Salas-Alanis J.
  4. Immune Thombocytopenic Purpura in a patiente with COVID-19. Zulfiqar AA, Lorenzo-Villalba N, Hassler P, Andrés E.
  5. Na outbreak of severe Kawaski-like disease at the italian epicentro os the Sars-CoV-2 epidemic na observation cohot study. Lucio Verdoni, MD, Angelo Mazza. MD, Annalisa Gervasoni. MD, Laura Martelli. Md, Maurizio Ruggeri. Md, Matteo Ciuffreda. MD, Ezio Bonanomi. Md, Lorenzo D’Antiga.MD
  6. Classification of the cutaneous manifestations of COVID-19: a rapid Nationwide consensus study In Spain with 375 cases. C Galván Casas, A Català, G. Carretero Hernández, P. Ruiz-Villaverde, D. Falkenhain, M. Llamas Velasco, J. Garcia-Gavin, O Baniandrés, C González-Cruz, V.Morillas-Lahuerta, X. Cubiró, I. Figueras Nart, G. Selda-Enriquez, J. Romani, X, Fustà-Novell, A. Melian-Oliveira, M.Roncero Riesco, P. Burgos-Blasco, J. Sola Ortigosa, M. Feito Rodriguez, I. Garcia Doval.

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