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A exposição às telas de dispositivos eletrônicos tem impacto sobre os hábitos de leitura das crianças

Pediatria - exposição às telas

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Atualmente, o acesso e exposição às telas de dispositivos eletrônicos é tão fácil quanto abrir um livro. Infelizmente, essa premissa não é válida apenas para os adultos, mas também para as crianças, inclusive aquelas em idade pré-escolar. 

Os livros são objetos incríveis, capazes de desafiar a mente das crianças a expandir sua atenção, ter uma atitude contemplativa e adquirir novas perspectivas. Uma exposição precoce aos livros é fortemente recomendada pelas sociedades de pediatria. Há uma associação comprovada entre os hábitos de leitura da criança e o desenvolvimento da linguagem; bom desempenho escolar e acadêmico; e impacto positivo sobre o seu comportamento.

Desde o advento da televisão, há uma preocupação dos especialistas com as consequências dos períodos de distração diante das telas para as crianças. Os resultados dos estudos foram controversos, mas foi observada uma relação positiva entre os programas de TV educativos e o hábito de leitura. No entanto, nas últimas duas décadas, houve uma drástica mudança no ambiente digital. Os vídeos infantis estão disponíveis a todo momento em tablets e smartphones, apresentam valor educacional cada vez menor, e estão associados a uma publicidade exagerada. É possível, então, fazer o questionamento: qual é o impacto da utilização de telas eletrônicas sobre as atividades de leitura dessas crianças?

Neste contexto, foi publicado um estudo de coorte no Pediatrics, periódico de maior impacto na área da pediatria. O estudo de McArthur et al. (2021) incluiu 2.440 crianças no Canadá, avaliando seus hábitos de leitura e exposição a telas em três momentos: com 24, 36 e 60 meses de idade. 

O objetivo principal do estudo foi determinar o que vem primeiro: o uso excessivo de telas ou o menor hábito de leitura? Para isso, os autores fizeram as análises através do random intercept crosslagged panel model (RI-CLPM), considerado o melhor método para avaliar a direção temporal das associações entre as variáveis, em estudos observacionais. O objetivo secundário foi avaliar a extensão da associação entre o uso de tela e os hábitos de leitura sobre as variáveis sociodemográficas das crianças. 

 O estudo teve início com a inclusão de mulheres grávidas com idade gestacional inferior a 25 semanas. Foi realizado um seguimento com avaliações aos 4, 12, 24, 36 e 60 meses pós-parto. As mães reportaram o tempo de uso de dispositivos eletrônicos pelas crianças em um dia típico da semana e do final de semana, nas idades de 24, 36 e 60 meses. Nos mesmos períodos, também foram reportados os hábitos de leitura, através de uma escala de 1 a 4 pontos, sendo uma maior pontuação decorrente de maior exposição aos livros. Os parâmetros dos questionários foram ajustados para a etapa do desenvolvimento em que a criança se encontrava.

Resultados do estudo sobre exposição às telas

Os resultados mostraram uma associação entre maior exposição a telas com 24 meses de idade e menores níveis de atividades de leitura com 36 meses de idade (β= -0,08; IC 95%, -0,13 a -0,02). No entanto, uma maior quantidade de atividades de leitura com 24 meses não teve associação com menor exposição às telas com 36 meses de idade (β= -0,05; IC 95%, -0,11 a 0,01).
Uma menor quantidade de atividade de leitura aos 36 meses levou a uma maior exposição às telas com 60 meses (β= -0,11; IC 95%, -0,19 a -0,02). Uma maior leitura aos 36 meses, no entanto, não mostrou associação com menor exposição às telas aos 60 meses (β= 0,01; IC 95%, -0,04 a 0,06). A avaliação das variáveis secundárias não mostrou diferenças nos resultados.

Em resumo, o estudo mostrou que um grande uso de telas aos 24 meses leva a uma quantidade menor de leitura aos 36 meses, e culmina, por sua vez, em um uso ainda maior das telas aos 60 meses. Estima-se que cerca de 95% das crianças em idade pré-escolar excedam o limite recomendado de uma hora de exposição às telas por dia. Diante disso, é importante que as famílias estimulem as crianças a terem momentos de atividade longe dos dispositivos eletrônicos.

Limitações e perspectivas futuras

Os resultados do estudo mostram que a infância é o momento em que as crianças estabelecem suas preferências pelos meios digitais, em detrimento da leitura. Na ocasião da entrada no jardim-de-infância, elas já estão habituadas a um uso intensivo das telas. No entanto, a rotina das crianças pequenas faz com que este seja um período de grande desgaste emocional. Neste contexto, os pais podem enfrentar dificuldades para incentivar os hábitos de leitura, e as telas tornam-se uma solução fácil.

O estudo de McArthur et al. (2021) tem como limitação, assim como toda coorte, o fato de avaliar apenas um parâmetro do uso das mídias: o tempo. Porém, a avaliação da exposição às telas deve ser mais complexa: a que tipo de mídia as crianças estão tendo acesso? Elas estimulam uma interação com o aparelho? Prendem a atenção de maneira desafiadora como um livro, ou levam a criança a apenas assistir passivamente? A criança está usando a tela todo o tempo – até durante as refeições ou antes de dormir – ou apenas em momentos de entretenimento?

Todas essas questões devem ser analisadas. Além disso, o papel das empresas que desenvolvem os produtos digitais para crianças também merece atenção. Ações reguladoras podem ser necessárias, para que essas corporações assumam as responsabilidades associadas ao desenvolvimento do ambiente digital infantil.

Publicação: 

McArthur BA, Browne D, McDonald S, et al. Longitudinal Associations Between Screen Use and Reading in Preschool-Aged Children. Pediatrics. 2021; 147(6):e2020011429 https://pediatrics.aappublications.org/content/147/6/e2020011429

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