Conhecimentos em radiologia são essenciais na prática médica, seja o profissional generalista ou não. Saiba mais com a Sanar!
Todo médico generalista deve ter o conhecimento necessário para diagnosticar as doenças mais prevalentes, incluindo emergências e aquelas que necessitam de intervenção mais precoce. Dessa forma, existem aspectos da Radiologia que o generalista deve dominar para que o atendimento aos seus pacientes, seja o melhor possível.
Esse texto vai abordar 10 coisas que todo médico deve saber sobre exames de imagem. De forma prática, é sabido que o generalista não precisa saber todos os detalhes sobre todos os exames de imagem. Afinal, exames complexos como colangiopancreatografia retrógrada endoscópica e angiografias, sempre vêm acompanhados de laudos, feitos por especialistas da área.
Com esses, não precisamos nos preocupar, mas sim com os exames corriqueiros que não acompanham laudos anexos, e nesses casos, nós somos os “olhos clínicos” da situação.
Radiologia: conceitos Iniciais sobre Exames de Imagem
É fundamental que um médico generalista saiba os princípios básicos dos exames de imagem mais usados na prática clínica. Saber diferenciar radioluscente de radiopaco, quais estruturas ficarão brancas ou pretas nos exames.
Estruturas radiopacas são aquelas que os raios-x não conseguem atravessar, e assim se apresentam brancas, como metais, dentes e ossos. Já as estruturas radioluscentes são aquelas que os raios-x atravessam e por isso, se apresentam enegrecidas, como o ar que preenche o parênquima pulmonar.
Existem vários tons de cinza que podem ser encontrados em uma radiografia, por exemplo, eles são definidos por diferentes densidades (Figura 1).
HERRING, 2021.
Entender que o exame NÃO diz o diagnóstico, ele auxilia
Uma das coisas mais recorrentes nos ambulatórios é o médico basear-se estritamente naquilo que o exame de imagem mostra. Na verdade, o que o exame mostra pode ser apenas um artefato, algo que não é patológico, mas que atrapalhou a correta visualização das estruturas.
Muitas vezes, o exame pode demonstrar algo bem distante do quadro clínico, e nós devemos estar atentos. Não podemos esquecer da máxima: A clínica é soberana, sempre.
Então, ainda que o exame demonstre a falta ou a presença de um achado, nossa decisão deve ser pesada pelo binômio: clínica e exames.
Entender a sensibilidade e especificidade de cada exame
Nem sempre o exame de imagem que escolhemos é o adequado para visualizar a patologia que suspeitamos. Por exemplo, um derrame pleural pode ser visto por radiografia e USG, no entanto, qual deles tem a melhor sensibilidade? Nesse caso, nós como futuros médicos devemos saber distinguir os conceitos de sensibilidade e especificidade para cada exame de imagem.
A sensibilidade é a capacidade de um exame ou técnica detectar resultados positivos em pessoas portadoras da patologia investigada, ou seja, a capacidade de uma radiografia de tórax detectar o derrame pleural em pacientes que possuem derrame pleural.
Já a especificidade é a capacidade do exame ou técnica detectar um resultado negativo em pessoas que não são portadoras da patologia investigada. Dessa forma, devemos avaliar os índices de sensibilidade e especificidade de cada exame, para que possamos solicitar o mais indicado em cada caso.
Para exemplificar: se um paciente vítima de trauma automobilístico chega no pronto-socorro (PS), qual exame solicitamos para avaliar se há fraturas ósseas? Obviamente, a radiografia é o mais indicado, pois detecta melhor lesões em tecidos ósseos, em comparação com USG.
Radiologia: noções básicas dos princípios biofísicos dos exames (RX, TC, USG, RM)
É essencial dessa forma, reconhecer as diferenças de aplicações e princípios biofísicos dos diversos exames de imagem. Saber quando indicar, qual indicar e o que se espera ver no exame é uma das competências mais importantes do médico generalista. Por isso, procure entender as particularidades de cada modalidade de exame.
Radiografia (RX) é um exame barato e o mais acessível no sistema público de saúde, utiliza os raios-x e através da imagem obtida, pode-se inferir qual o achado.
A Tomografia Computadorizada (TC) é um pouco mais complexa e geralmente é usada para avaliação mais detalhada de estruturas que não foram bem visualizadas numa radiografia, por exemplo.
A TC emite um feixe giratório de raios X que giram de modo contínuo ao redor do paciente, formando imagens como “fatias”, que em conjunto, avaliam o paciente como um todo.
Substâncias mais densas, que absorvem mais raios X, se apresentam com atenuação aumentada e são exibidas como densidades mais brancas nas imagens de TC. Substâncias menos densas, que absorvem menos raios X, e se apresentam com atenuação diminuída e são exibidas como densidades mais escuras nas imagens de TC.
HERRING, 2021.
Já a Ultrassonografia (USG) utiliza uma sonda ou transdutor de ultrassom que produz o sinal ultrassônico e o registra. O sinal é processado de acordo com suas características por um computador acoplado.
HERRING, 2021
Por fim, a Ressonância Magnética (RM) utiliza a energia armazenada nos átomos de hidrogênio do corpo. Os átomos são manipulados por campos magnéticos e pulsos de radiofrequência muito fortes, a fim de produzir localização e energia para cada tecido, possibilitando a produção de imagens bidimensionais ou tridimensionais.
HERRING, 2021
Indicar o melhor momento para o exame
Outra coisa que devemos estar atentos é: nunca, em hipótese alguma submeter o paciente a exames de imagem como RM ou TC se o mesmo estiver instável. Sempre devemos estabilizá-lo hemodinamicamente antes de qualquer coisa. Salvo situações em que usamos a Radiografia na sala de emergência ou o protocolo FAST da USG. Nessas situações, os exames auxiliam a encontrar focos hemorrágicos e a agir com maior precisão no cuidado do doente.
Interpretar bem uma Radiografia
Tendo em vista que a radiografia é um exame de fácil acesso e que diferente da TC ou RM, não possui algum médico especialista que a laude, é de suma importância que o médico generalista saiba interpretar bem uma radiografia.
Os conceitos que devem ser avaliados são: a penetração dos raios-x, inspiração, rotação, ampliação e angulação da radiografia. Tomemos como exemplo a radiografia de tórax (Figura 5).
HERRING, 2021.
Discutir os aspectos minuciosos da radiografia foge da proposta deste artigo, portanto, recomenda-se o estudo aprofundado dos exames de imagem citados aqui.
Radiologia no diagnóstico de doenças mais prevalentes e potencialmente fatais
É de suma importância que saibamos diagnosticar as doenças que chegam no PS. Geralmente, os pacientes possuem algum sintoma ou sinal que nos faça suspeitar da patologia, e muitas vezes, é o exame de imagem que confirma o diagnóstico.
Portanto, algumas doenças devem ser facilmente diagnosticadas para que o doente seja tratado corretamentedoenças. Algumas delas são:
- Pneumotórax;
- Hemotórax;
- Pneumonia;
- Cardiomegalia;
- Insuficiência cardíaca;
- Edema agudo de pulmão;
- Obstrução intestinal etc.
Indicar o melhor exame RX, USG, TC, RM
Depois de toda esta discussão, urge saber também qual dos exames disponíveis é o mais indicado para cada situação clínica.
Os usos comuns da radiografia convencional incluem a radiografia de tórax, tanto em situações de emergência como não, a radiografia simples de abdome e quase todas as imagens iniciais do sistema esquelético para avaliação de fraturas ou artrite.
A TC possui a vantagem de ter mais qualidade de imagem, em comparação com a RX, e mesmo utilizando uma dose maior de radiação, pode detectar com mais precisão aquilo que não foi visto em uma RX. Pode ser utilizada em traumas e para avaliação de praticamente qualquer parte do corpo.
O ultrassom é bastante utilizado em exames de imagem clínicos. Geralmente é a primeira opção de exame para avaliação:
- Da pelve feminina e de pacientes pediátricos;
- Na diferenciação de lesões císticas e sólidas em pacientes de todas as idades;
- Nna imagem vascular não invasiva;
- Na imagem do feto, da placenta durante a gestação;
- Para aspiração de líquido e biópsias guiados por imagem em tempo real.
A RM é bastante usada em imagens neurológicas e é sensível no exame de tecidos moles, como músculos, tendões e ligamentos.
Admitir que não sabe qual o diagnóstico e pedir ajuda
Na prática clínica, ainda que possamos ter experiência, encontraremos certamente, patologias que fugirão aos achados apresentados num livro. Dessa forma, o paciente pode ter sinais e sintomas difíceis de serem interpretados, mesmo com o aparato de exame clínico e exames complementares.
Em momentos de dúvida, nós devemos e podemos consultar outras fontes, sejam colegas mais experientes ou especialistas. Não é vergonhoso de maneira alguma pedir ajuda, na verdade, estaremos ofertando aos nossos pacientes, o melhor cuidado ao admitirmos que não sabemos de tudo.
Consultar/Estudar sempre que houver dúvidas
Existem patologias que têm história clínica silenciosa, ou seja, o paciente se apresenta assintomático e muitas vezes, apenas o exame de imagem demonstra algum achado importante.
Em outras ocasiões, os achados fogem ao esperado. Nessas situações, devemos consultar fontes literárias para sanar nossas dúvidas. O conhecimento médico é de fato, inesgotável, sempre precisamos renová-lo.
Conclusão sobre radiologia
Portanto, percebe-se a importância do médico generalista conhecer bem os exames de imagem, seus princípios biofísicos e suas indicações. O conhecimento dessa área é imprescindível para que os pacientes futuramente sejam bem cuidados por nós.
Sugestão de leitura
- Radiologia: residência, mercado de trabalho, atuação, curiosidades e mais!
- E-book gratuito sobre exame físico na endocrinologia
- Desvendando o raio x de tórax com caso clínico!
Referências
William, HERRING,. Radiologia Básica – Aspectos Fundamentais. Disponível em: Minha Biblioteca, (4th edição). Grupo GEN, 2021.