Vírus marburg: tudo o que você precisa saber sobre esse vírus para sua prática clínica!
No último dia 13 de Fevereiro (segunda-feira), um país da África Central, a Guiné Equatorial confirmou o primeiro surto da doença causada pelo vírus marburg em seu território. Esse vírus foi detectado inicialmente na Alemanha em 1967, sendo altamente infeccioso.
Até o momento foram documentados 16 casos e nove mortes. Todos os casos foram registrados na província de Kie Ntem.
O que é o vírus marburg?
O marburg consiste em uma febre hemorrágica, que é causada pelo filovírus, mesmo vírus da família do Ebola. Estudos mostram que esse vírus é altamente infeccioso e tem uma alta letalidade.
Historicamente, esse vírus foi identificado pela primeira vez em três cidades europeias:
- Marburg e Frankfurt, na Alemanha
- Belgrado, na Sérvia
Durante esse primeiro surto, estudos mostraram que os indivíduos infectados trabalhavam em laboratórios de pesquisa e tinham contato com macacos verdes africanos, os Cercopithecus aethiops. Anos depois, descobriu-se que os hospedeiros naturais desse vírus eram morcegos frugívoros, que são aqueles que se alimentam de frutos da espécie Rousettus aegyptiacus.
Como é a transmissão do vírus marburg?
Ainda não se tem estudos que mostram o mecanismo exato da transmissão de animais para humanos. Contudo, alguns pesquisadores acreditam que essa transmissão ocorre devido a exposições prolongadas a minas ou cavernas habitadas por morcegos.
Por ser da família do ebola, a transmissão entre indivíduos poderá acontecer da mesma forma que o vírus Ebola. Dessa forma, é possível que ocorra por:
- Contato direto com o sangue
- Contato com outros fluidos corporais de um paciente
- Durante a preparação de um corpo para o enterro
- Transmissão por via sexual
Ainda não há confirmação se há transmissão aérea desse vírus, contudo, estudos em animais mostram que há uma forte tendência a contágio por gotículas ou aerossol. Ainda não há documentação se é possível que haja uma transmissão por mosquitos.
Quais as manifestações clínicas dessa doença?
Depois que há o contato com o vírus, os sintomas se desenvolvem em cerca de 7 dias, mas as manifestações clínicas podem ocorrer entre 2 e 21 dias.
Os sintomas se assemelham com quadros virais comuns. O paciente apresenta:
- Febre
- Calafrios
- Mal-estar
- Fraqueza
- Inapetência
- Cefaleia
Além desses, vômitos e diarreia podem ser intensos e levam a quadros de desidratação. Alguns sintomas são menos comuns, mas podem ocorrer quando há acometimento de outros órgãos. Assim, o paciente pode desenvolver convulsões, falta de ar e manchas na pele.
Além disso, podem ocorrer quadros de sangramentos na fase inicial da doença, mas são raros. Geralmente, esses sangramentos se manifestam mais tardiamente, com hemorragias em locais de punções venosas, sangramentos na pele (petéquias e equimoses) ou em outros órgãos.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico geralmente ocorre de maneira tardia. Isso porque os sinais e sintomas da doença causada pelo vírus Marburg são semelhantes aos quadros clínicos de outras doenças infecciosas.
O diagnóstico poderá ser realizado por meio de exames laboratoriais, feitos a partir de amostras do paciente. As técnicas incluem:
- Diagnóstico molecular, o RT PCR
- Testes de antígeno.
Prevenção e tratamento do vírus marburg
Ainda não existem remédios ou vacinas desenvolvidos especificamente contra o marburg. Contudo, alguns testes já estão em andamento. Alguns pesquisadores já avaliam o uso de fármacos das classes dos anticorpos monoclonais e dos antivirais como possíveis tratamentos contra essa infecção.Dentre esses, dois imunizantes aprovados contra o ebola:
- Zabdeno (Ad26.ZEBOV)
- Mvabea (MVA-BN-Filo)
Nesse contexto, os pacientes infectados recebem o chamado tratamento de suporte, que envolve fazer uma boa hidratação e conter os sintomas que aparecem.
É possível que esse vírus se torne uma pandemia?
Especialistas não acreditam que o vírus de Marburg vá se transformar em uma pandemia, como ocorreu com o coronavírus. O principal motivo é a letalidade desse vírus. Como ele é bastante grave, não há muito tempo para que ocorra a transmissão entre indivíduos.
Contudo, é importante que as autoridades tomem medidas necessárias para conter o avanço da doença.
Referências bibliográficas
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