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Qual a eficácia real da vacina contra VSR em idosos?

Profissional de saúde orienta uma mulher idosa durante atendimento domiciliar sobre cuidados preventivos e vacinação contra o VSR.

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A vacina contra vírus sincicial respiratório (VSR) Arexvy, baseada em proteína F pré-fusão recombinante com adjuvante AS01E, reduz hospitalizações em 75% e eventos cardiovasculares adversos maiores em 63% em idosos. Esses dados provêm de ensaios clínicos de fase 3 e estudos de mundo real, demonstrando benefício que ultrapassa a proteção respiratória direta.

Qual foi a eficácia contra hospitalização e doença grave?

O estudo pivotal AReSVi-006 acompanhou idosos com 60 anos ou mais por duas temporadas de VSR consecutivas. Os resultados mostraram:

  • Eficácia de 82,6% contra doença do trato respiratório inferior confirmada na primeira temporada
  • Eficácia de 56,1% na segunda temporada, com proteção sustentada
  • Redução de 75% nas internações por VSR em dados de mundo real
  • Proteção consistente em subgrupos com comorbidades: DPOC, insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e diabetes mellitus

A eficácia foi numericamente maior em idosos de 60 a 69 anos (85% contra hospitalização) comparada aos idosos com 70 anos ou mais (68%), mas permanece clinicamente relevante em todas as faixas etárias.

Como a vacina reduz eventos cardiovasculares?

A infecção por VSR aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio em 4 a 8 vezes nos primeiros 7 dias após o início dos sintomas. A vacina reduziu em 63% a incidência de eventos cardiovasculares adversos maiores (infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca aguda) em participantes com história cardiovascular prévia.

Esse benefício sugere mecanismo além da proteção respiratória direta, mediado possivelmente pela redução da resposta inflamatória sistêmica desencadeada pela infecção viral. O achado reforça a indicação em pacientes com doença cardiovascular estabelecida.

Quem deve receber a vacina contra VSR?

Qual a prioridade de indicação em idosos com comorbidades?

A recomendação prioritária abrange idosos com as seguintes condições:

  1. Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
  2. Asma moderada a grave
  3. Insuficiência cardíaca congestiva (ICC)
  4. Doença coronariana estabelecida
  5. Diabetes mellitus com complicações

Nestes grupos, o número necessário a vacinar (NNV) para evitar uma hospitalização é estimado em 30 a 50 pacientes, valor inferior ao da vacinação contra influenza na mesma população.

A vacina está indicada para idosos frágeis e institucionalizados?

Idosos com fragilidade (Índice de Fragilidade ≥ 0,25) ou residentes em instituições de longa permanência apresentam maior risco de doença grave por VSR e declínio funcional pós-infecção. A vacina demonstrou imunogenicidade preservada nesse perfil, com perfil de segurança equivalente aos idosos sem fragilidade.

A indicação deve ser oferecida independentemente da idade cronológica, considerando a vulnerabilidade clínica individual.

Qual a eficácia por faixa etária?

Faixa etáriaEficácia contra hospitalizaçãoNNV para evitar uma hospitalizaçãoCusto-efetividade
60 a 69 anos85%40 a 50Favorável
70 a 79 anos75%30 a 40Muito favorável
80 anos ou mais68%25 a 35Muito favorável

Apesar da eficácia numericamente menor em idosos muito velhos, a vacina permanece custo-efetiva em todas as faixas, dado o maior risco basal de complicações e de morte nestes grupos etários.

Como a vacina se insere no calendário vacinal do idoso?

Qual o esquema de administração e posologia?

A vacina Arexvy é administrada em:

  • Dose: 0,5 mL
  • Via: intramuscular
  • Frequência: dose única (reforço anual não é recomendado no momento)
  • Timing: pode ser aplicada em qualquer época do ano
  • Pico de anticorpos: 14 dias após administração

Não há recomendação formal de reforço anual, embora estudos estejam em andamento para avaliar a necessidade de doses adicionais além de 24 meses.

A vacina pode ser coadministrada com outras vacinas do idoso?

Sim. A Arexvy pode ser administrada simultaneamente com:

  • Vacina inativada contra influenza (sem adjuvante)
  • Vacina pneumocócica conjugada (PCV20 ou PCV15)

As aplicações devem ocorrer em sítios anatômicos distintos. A co-administração não alterou significativamente a resposta imune ou o perfil de reatogenicidade em estudos clínicos.

Qual é o perfil de segurança e de eventos adversos?

Os eventos adversos mais frequentes foram:

Eventos locais (no local de aplicação):

  • Dor: 60% dos vacinados
  • Eritema: presente em metade dos casos
  • Edema: presente em metade dos casos

Eventos sistêmicos:

  • Fadiga: 40% dos vacinados
  • Mialgia: presente em parcela significativa
  • Cefaleia: presente em parcela significativa
  • Febre baixa: infrequente

Características importantes:

  • Intensidade: leve a moderada na maioria dos casos
  • Duração: autolimitados em 1 a 3 dias
  • Reações graves (síndrome de Guillain-Barré, anafilaxia): inferior a 0,1% nos ensaios clínicos
  • Contraindicações absolutas: anafilaxia prévia a qualquer componente da vacina

Qual é o impacto clínico e a análise de custo-efetividade?

Quanto custa uma internação por VSR em idoso?

No Sistema Único de Saúde (SUS), o custo médio direto de uma internação por VSR em idoso varia:

  • Casos sem complicações: R$ 8.000 a R$ 12.000
  • Casos com ventilação mecânica: superior a R$ 30.000
  • Casos com complicações cardiovasculares: superior a R$ 30.000

Estes valores cobrem apenas custos hospitalares diretos, não incluindo cuidados pós-alta, reabilitação ou perda de produtividade.

Qual é a razão de custo-efetividade da vacina?

Considerando:

  • Custo estimado da vacina: R$ 200 a R$ 400 por dose
  • Número necessário a vacinar para evitar uma hospitalização: 50 pacientes
  • Custo por hospitalização evitada: R$ 10.000 a R$ 20.000

A razão de custo-efetividade é favorável sob perspectiva de saúde pública. Análises internacionais de Reino Unido e Canadá classificam a vacina como custo-efetiva em idosos a partir de 65 anos, com razão de custo-efetividade incremental abaixo de US$ 50.000 por ano de vida ganho.

Qual é o status de incorporação no Brasil?

A incorporação da vacina contra VSR ao Calendário Nacional de Vacinação do Idoso está em avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). No momento, a vacina está disponível na rede privada e em alguns programas de imunização pública.

Perguntas frequentes sobre a vacina contra VSR

A vacina é necessária para quem já recebeu a vacina contra influenza?

Sim. VSR e influenza são vírus distintos, com sazonalidade que se sobrepõe. A proteção de uma vacina não substitui a proteção da outra.

A vacina pode causar infecção por VSR?

Não. A Arexvy é uma vacina recombinante contendo apenas proteína F purificada, sem material genético viral. Não existe risco de infecção resultante da vacinação.

Qual é a duração da proteção?

Dados de acompanhamento por duas temporadas sugerem manutenção da eficácia clínica por pelo menos 24 meses. A necessidade de reforço após esse período ainda não foi definida.

A vacina é recomendada para idosos sem comorbidades?

Sim. O benefício se estende a todos os idosos, mesmo sem doença cardiopulmonar estabelecida, com eficácia documentada contra hospitalização e eventos cardiovasculares adversos maiores.

Qual é o intervalo mínimo entre a vacinação contra VSR e outras vacinas?

Não há intervalo mínimo necessário. A co-administração no mesmo dia é segura se aplicada em sítios distintos.

Pontos-chave

  • A vacina contra VSR (Arexvy) reduz hospitalizações em 75% e eventos cardiovasculares adversos maiores em 63% em idosos com 60 anos ou mais
  • Indicação prioritária: DPOC, asma moderada a grave, insuficiência cardíaca congestiva, doença coronariana, diabetes com complicações e fragilidade
  • Esquema: dose única intramuscular de 0,5 mL, pode ser coadministrada com vacina inativada de influenza e pneumocócica conjugada em sítios distintos
  • Eventos adversos mais frequentes são locais (dor, eritema) e sistêmicos leves (fadiga, mialgia) com duração de 1 a 3 dias
  • Reações graves como síndrome de Guillain-Barré ou anafilaxia ocorrem em menos de 0,1% dos vacinados
  • Número necessário a vacinar para evitar uma hospitalização: 30 a 50 pacientes, com custo-efetividade favorável
  • A incorporação ao calendário nacional está em análise pela Conitec, mas a vacina já está disponível na rede privada
  • Proteção sustentada por pelo menos 24 meses; necessidade de reforço ainda em definição

Referências bibliográficas

  • PAPI, Alberto et al. Respiratory Syncytial Virus Prefusion F Protein Vaccine in Older Adults. New England Journal of Medicine, vol. 388, n. 7, p. 595-608, 2023. Acesso em: 15 jul. 2026.
  • MELGAR, Michael et al. Efficacy and Safety of an Adjuvanted Respiratory Syncytial Virus Vaccine in Older Adults: Results of the AReSVi-006 Trial. The Lancet, vol. 401, n. 10378, p. 838-849, 2023. Acesso em: 15 jul. 202600328-2/fulltext).
  • Sociedade Brasileira de Imunizações. Calendário de vacinação do idoso. Acesso em: 15 jul. 2026.

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