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Tuberculose intestinal: o que é, sintomas, histopatologia e mais

tuberculose intestinal

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A tuberculose intestinal (TBi) é uma patologia rara, ocorrendo em cerca de 5% dos casos de tuberculose e geralmente está relacionada a algum grau de imunossupressão. Atingindo com mais frequência adultos, entre 20 e 40 anos. 

As primeiras descrições sobre a relação entre as formas pulmonares e extrapulmonares da tuberculose foram feitas por Laennec, em 1804. No  século XX, a TBi era o principal motivo de estenose e obstrução intestinal.

Esse número de casos foi caindo com os anos, porém, com o aumento da prevalência da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), é possível notar um aumento de casos de TB em suas diversas apresentações. 

O que é a tuberculose intestinal? 

A tuberculose intestinal consiste em uma complicação da doença pulmonar. A TBi pode ser primária ou secundária: 

  • Primária: resulta da ingestão de leite ou derivados contaminados pelo M. tuberculosis e em geral ocorre em crianças que ingerem leite cru ou sem processamento adequado. As lesões são discretas e ocorrem principalmente no íleo. 
  • Secundária: associa-se a tuberculose pulmonar e resulta da deglutição de secreções contendo o bacilo.

Alguns estudos mostram que essa doença ocorre com maior frequência em países tropicais e subdesenvolvidos, como Índia e Nigéria, sendo relatado o aumento do número de casos em diversos outros países.

Quais as manifestações clínicas da tuberculose intestinal?

Dentre os principais sintomas da TBi, estão: 

  • Palidez
  • Perda ponderal
  • Sudorese noturna
  • Febre 

No exame físico abdominal, o principal achado é a dor, variando de 85% a 100% dos casos. Além disso, é possível também encontrar massa palpável, diarréia e perda ponderal.

A principal complicação da TBi é a obstrução intestinal, na maioria das vezes intermitente e parcial. Sintomas como hemorragia intestinal e fístulas anais são raras.

Patogênese da tuberculose intestinal 

A patogênese da TBi pode ocorrer através de duas vias principais:

  1. Reativação de um foco primário, geralmente pulmonar, e consequente disseminação pela via hematogênica e linfática.
  2. Deglutição de alimento contaminado

No geral, a TBi acomete o ceco e íleo terminal. Isso pode ser causado por:

  • Tecido linfático abundante nesta região;
  • Estase fecal neste ponto do TGI permite um contato mais prolongado do bacilo com a mucosa;
  • Alta capacidade absortiva do epitélio nessas regiões.

Histopatologia da tuberculose intestinal

As lesões são múltiplas na região do íleo terminal e do ceco. No geral, as lesões se iniciam nas placas de Peyer como pequenos nódulos (tubérculos) e disseminam-se para as camadas muscular e serosa. Com isso, há uma inflamação granulomatosa que confluem e levam a ulceração da mucosa. 

As úlceras são caracteristicamente transversais ao eixo longitudinal do intestino, podendo, às vezes, ocupar toda a circunferência da alça. 

Fonte: Bogliolo, 2016. 

Diagnóstico

Além dos achados no exame físico e da histopatologia, outros exames podem ajudar no diagnóstico dessa doença. Na tomografia computadorizado, os principais achados de imagem são:

  • Espessamento circunferencial e assimétrico de segmentos intestinais, especialmente ceco e íleo terminal
  • Áreas de estenose 
  • Linfonodomegalia abundante, comumente com centro liquefeito

Na TC abaixo é possível observar espessamento parietal do íleo terminal:

Macroscopicamente, é possível observar algumas lesões, são elas:

  • Ulcerativa: mais comum. Há múltiplas úlceras, superficiais e profundas, caracteristicamente perpendiculares 
  • Hipertrófica: predomina o espessamento parietal 
  • Ulcerohipertrófica: combinado das duas formas anteriores

Na peça cirúrgica do íleo aberto é possível observar úlceras mucosas perpendiculares ao maior eixo intestinal (setas amarelas): 

Tratamento da tuberculose intestinal

O tratamento é feito da mesma forma que na tuberculose pulmonar, com o seguinte esquema de antibióticos, prescritos pelo infectologista: 

  • Isoniazida
  • Rifampicina
  • Pirazinamida e etambutol

O tratamento é realizado com esquemas combinados de drogas via oral e tem longo tempo de duração. Na presença de complicações (i.e.: perfuração, fístula, abscesso,  obstrução ou sangramento) a abordagem cirúrgica é necessária.

Referência bibliográfica

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