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Os supressores da Acidez Gástrica

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Quer entender mais sobre os Supressores da Acidez Gástrica? Preparamos esse artigo para esclarecer todas as suas dúvidas.

Boa leitura!

Supressores da Acidez Gástrica

As doenças ácido-pépticas são distúrbios nos quais o ácido gástrico e a pepsina constituem fatores patogênicos necessários, porém habitualmente não suficientes. Apesar de serem inerentemente cáusticos, o ácido e a pepsina no estômago em geral não provocam lesões nem sintomas, devido a existência de mecanismos de defesa intrínsecos.

As barreiras ao refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago constituem a principal defesa esofágica. Se essas barreiras protetoras falharem e houver refluxo, pode ocorrer dispepsia e/ou esofagite erosiva.

O estômago é protegido por inúmeros fatores referidos coletivamente como “defesa mucosa”, sendo vários deles estimulados pela geração local de prostaglandinas e óxido nítrico (NO). Se houver ruptura dessas defesas, pode-se verificar a formação de úlcera gástrica ou duodenal.

O tratamento e a prevenção destes distúrbios relacionados com a acidez são feitos diminuindo a acidez gástrica e aumentando a defesa da mucosa. O reconhecimento de que um agente infeccioso, o Helicobacter pylori, desempenha um papel chave na patogênese das doenças ácido-pépticas, tem estimulado novas abordagens para a prevenção e para a terapia.

As principais indicações clínicas para reduzir a secreção de ácido são a ulceração péptica (duodenal e gástrica), a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE; na qual a secreção gástrica causa lesão no esôfago) e a síndrome de Zollinger-Ellison (uma rara afecção hipersecretora causada por um tumor secretor de gastrina).

Se não for tratada, a DRGE pode causar displasia no epitélio esofágico, que pode progredir para uma afecção pré-cancerosa potencialmente perigosa denominada esôfago de Barrett.

VOCÊ SABIA? A descoberta e o desenvolvimento de fármacos bloqueadores do receptor H2 de histamina por Black et al. em 1972 foi um expressivo avanço no tratamento de úlceras gástricas – uma condição que até então só podia ser tratada através de cirurgia.

Acidez Gástrica: fisiologia da secreção gástrica

O estômago secreta cerca de 2,5 litros de suco gástrico por dia. Os principais componentes exócrinos são pró-enzimas, como a pró-renina e o pepsinogênio, elaborados pelas células principais ou pépticas; e o ácido clorídrico (HCl) e fator intrínseco, secretados pelas células parietais ou oxínticas.

A produção de ácido é importante para promoção da digestão proteolítica dos alimentos, absorção do ferro e eliminação de patógenos. As células secretoras de muco são abundantes na mucosa gástrica.

Os íons bicarbonato são secretados e ficam presos no muco, criando uma barreira protetora como um gel que mantém a superfície da mucosa em um pH de 6-7 em face de um ambiente muito mais ácido (pH 1-2) na luz. O álcool e a bile podem romper essa camada protetora. A secreção de muco e bicarbonato é estimulada por prostaglandinas “citoprotetoras” produzidas localmente.

A secreção das células parietais é uma solução isotônica de HCl (150 mmol/l) com pH abaixo de 1, sendo a concentração de íons hidrogênio mais de um milhão de vezes mais alta que a do plasma.

Para produzi-la, o Cl− é transportado ativamente para canalículos nas células que se comunicam com a luz das glândulas gástricas e, desse modo, com o próprio estômago. Isso é acompanhado pela secreção de K+, que é então trocado por H+ do interior da célula por uma K+-H+– ATPase (a “bomba de prótons”).

Dentro da célula, a anidrase carbônica catalisa a combinação de dióxido de carbono e água para gerar ácido carbônico, que se dissocia gerando íons H+ e bicarbonato. Este último é trocado, através da membrana basal da célula parietal, por Cl−.

Os principais mediadores que controlam direta ou indiretamente o ácido gerado pelas células parietais são:

  • Histamina (hormônio local estimulador);

  • Gastrina (hormônio peptídico estimulador);

  • Acetilcolina (neurotransmissor estimulador);

  • Prostaglandinas E2 e I2 (hormônios locais que inibem a secreção de ácido);

  • Somatostatina (hormônio peptídico inibidor).

Células Neuroendócrinas

As células neuroendócrinas são abundantes no estômago, sendo o tipo dominante são as células ECS (enterocromafim símiles). Trata-se de células contendo histamina semelhantes aos mastócitos, que se localizam próximas às células parietais.

Elas proporcionam uma liberação basal constante de histamina, que ainda é aumentada pela gastrina e a acetilcolina. A histamina atua de forma parácrina nos receptores H1 das células parietais, aumentando o AMPc intracelular.

Essas células respondem a concentrações de histamina que estejam abaixo do limiar necessário para ativação dos receptores H2 vasculares.

Gastrina

A gastrina é um polipeptídeo de 34 resíduos, mas também existe em formas menores. É sintetizada pelas células G no antro gástrico e é secretada no sangue da porta (atua de forma endócrina). Sua principal ação é a estimulação da secreção de ácido pelas células ECS através da sua ação nos receptores de gastrina/colecistoquinina (CCK)2, que aumentam o Ca2+ intracelular.

Os receptores de gastrina também são encontrados em células parietais, mas sua significância no controle da secreção fisiológica é controversa. Os receptores CCK2 são bloqueados pelo fármaco experimental proglumida, que tem efeito inibitório modesto sobre a ação da gastrina. A gastrina estimula também a síntese de histamina pelas células ECS e aumenta, indiretamente, a secreção de pepsinogênio, estimula o fluxo sanguíneo e aumentando a motilidade gástrica.

A liberação deste hormônio é controlada por transmissores neuronais e mediadores veiculados pelo sangue, bem como a química do conteúdo gástrico. Aminoácidos e pequenos peptídeos estimulam diretamente as células secretoras de gastrina, assim como o leite e soluções de sais de cálcio, o que explica por que é inadequado usar sais contendo sais de cálcio como antiácidos.

Acetilcolina

A acetilcolina (juntamente com uma bateria de outros neurotransmissores e peptídeos) é liberada de neurônios colinérgicos pós-ganglionares, estimula receptores M3 muscarínicos específicos na superfície das células parietais, elevando, em decorrência, o Ca2+ intracelular e estimulando a liberação de prótons. Também apresenta efeitos complexos em outros tipos celulares.

Através da inibição da liberação da somatostatina das células D, potencializa sua ação sobre a secreção de ácido pelas células parietais.

Prostaglandinas

A maioria das células do trato gastrointestinal produz prostaglandinas (PGs), sendo as mais importantes a PGE2 e a PGEI2. As prostaglandinas exercem efeitos “citoprotetores” em muitos aspectos da função gástrica, incluindo aumento da secreção de bicarbonato (receptores EP1/2), aumento da liberação de mucina protetora (receptores EP4), redução da produção de ácido gástrico provavelmente por ação sobre os receptores EP2/3 nas células ECS, e prevenindo a vasoconstrição e, portanto, o dano à mucosa que ocorre após estímulo agressivo.

Esta ação provavelmente é mediada pelos receptores EP2/4. O misoprostol é uma prostaglandina sintética que provavelmente explora muitas dessas ações para manifestar seus efeitos terapêuticos.

Somatostatina

A somatostatina é um hormônio peptídico liberado pelas células D em muitas regiões dentro do estômago. Mediante atuação no receptor 2 de somatostatina (SST)2, exerce efeitos inibitórios parácrinos sobre a liberação de gastrina pelas células G, sobre a liberação de histamina pelas células ECS, assim como diretamente sobre a produção de ácido pelas células parietais.

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