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Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU): entenda tudo!

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A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma doença grave, responsável por falência renal aguda na população pediátrica mundial, principalmente em crianças com menos de quatro anos.

Em geral, todas as pessoas estão vulneráveis a adquirirem infecção por microrganismos que causam a Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU), porém sua ocorrência é mais frequente em menores de 5 anos.

É caracterizada pelo conjunto de sinais e sintomas que são manifestados por anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão renal aguda, conhecidos como a tríade da SHU, podendo acontecer ou não após episódios de diarreia com sangue.

Epidemiologia da Síndrome Hemolítico-Urêmica

A incidência global A SHU ocorre em 6 a cada 100.000 crianças abaixo de 5 anos, sendo mais comum em crianças de, em média, 2 anos. Além de crianças pequenas, a SHU também acomete gestantes e puérperas.

Na pediatria, a SHU mais comum é a SHU típica que é desencadeada por infecção pela Escherichia coli produtora toxina shiga-like.

Alguns dados retrospectivos sugerem que a mortalidade durante os eventos iniciais poderá chegar a 8 a 10%, sendo que, aproximadamente, 25% dos pacientes se tornam dependentes de hemodiálise.

Cerca de 10% dos pacientes evolui com necrose cortical aguda e, portanto, irreversibilidade da insuficiência renal, que se torna crônica. Alguns apresentam rins em fase terminal e necessitarão de diálise para o resto da vida, se não conseguirem um transplante renal.

Classificação e fisiopatologia da Síndrome Hemolítico-Urêmica

Sobre a Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU), sabe-se que é causada pela hiperativação da via alternativa do complemento, e é subdividida em SHU típica (associada a toxinas), SHU atípica (determinada por anormalidades primárias na via alternativa do complemento), SHU secundária (associada a doenças sistêmicas, transplante, drogas, gestação, sepse, hipertensão maligna e tumores) e, por fim, SHU idiopática.

A lesão patológica fundamental parece ser a deposição de fibrina nas paredes dos capilares e das arteríolas, e esses depósitos são semelhantes aos que se formam na Síndrome Hemolítico-Urêmica de diferentes etiologias. Essas anormalidades da microcirculação afetam principalmente os rins e poucas vezes ocorrem em outros órgãos.

O histopatológico renal demonstra depósitos amorfos subendoteliais e mesangiais, bem como grande quantidade de fibrina no interior das alças glomerulares. O consumo excessivo de plaquetas leva a trombocitopenia, e a destruição mecânica das hemácias leva a anemia hemolítica microangiopática.

Espessamento das paredes do capilar glomerular e áreas mesangiais a confluir com os capilares.

Imagem: Espessamento das paredes do capilar glomerular e áreas mesangiais a confluir com os capilares. Fonte: SOUSA, Débora Sofia Marques. Síndrome Hemolítica urêmica atípica. 2014.

Microangiopatias Trombóticas

A SHU está incluída no diagnóstico diferencial de microangiopatias trombóticas (MAT). Sobre MAT, podemos dizer que:

  • MAT é um termo patológico usado para descrever a formação de trombos que ocluem a microvasculatura e caracteriza-se por lesão das células endoteliais, sendo estas espessadas, edemaciadas ou que se desprendem principalmente das arteríolas e dos capilares. Os trombos plaquetários e hialinos que causam oclusão parcial ou completa constituem parte integrante da histopatologia da MAT;
  • Em geral, a MAT resulta de anemia hemolítica microangiopática (AHMA), que é a hemólise intravascular causada por cisalhamento excessivo ou turbulência na circulação;
  • No rim, a MAT caracteriza-se por edema das células endocapilares (endoteliose), trombos de fibrina, tampões plaquetários, fibrose da íntima arterial e um padrão membranoproliferativo. Esses trombos de fibrina podem estender-se no polo vascular arteriolar, produzindo colapso glomerular e, algumas vezes, necrose cortical;
  • São diversas doenças associadas a essa lesão, mas de forma prática pode-se dizer que as causas de MAT são a púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) e a SHU.
  • Outras doenças associadas são hipertensão maligna, crise renal da esclerodermia, síndrome antifosfolipídeo, pré-eclâmpsia/síndrome de HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetas baixas), infecção pelo HIV e nefropatia por irradiação.

SAIBA MAIS: Clinicamente, MAT é associada a trombocitopenia por consumo, anemia hemolítica não autoimune microangiopática e pode determinar isquemia em diferentes órgãos, sendo os mais frequentemente acometidos os rins e o cérebro, mas também o trato gastrointestinal e o coração, entre outros. Assim, os sintomas dependem do(s) órgão(s) acometido(s). Os pacientes apresentam-se frequentemente com anemia importante, causada por hemólise, a qual determina intensa palidez, plaquetopenia e acometimento renal, o qual pode ser detectado pela presença de edema, oligúria e alterações, como proteinúria, hematúria e comprometimento das funções renais, glomerulares e/ou tubulares, inclusive insuficiência renal aguda. O acometimento cerebral, quando presente, pode determinar alterações neurológicas, como convulsões e rebaixamento do nível de consciência, até coma. Caso haja MAT no trato gastrointestinal, pode haver diarreia sanguinolenta, mesmo na ausência de agentes infecciosos.

Etiologia da Síndrome Hemolítico-Urêmica

De forma geral e abrangendo todas as modalidades da Síndrome Hemolítico Urêmica, temos abaixo a grande maioria das causas e agentes responsáveis pelo desencadeamento dessa síndrome:

  • Bactéria Escherichia coli êntero-hemorrágica sorotipo O157:H7;
    • Este sorotipo produz uma toxina chamada verotoxina, capaz de desencadear a síndrome;
    • Outras cepas também já evidenciadas como causadoras da SHU: O157/H-, O111:H-, O26:H11/H-, O145:H28 e O104:H4;
  • Shighella dysinteriae tipo 1;
  • Campylobacter;
  • Streptococcus pneumoniae (Pneumococo);
  • Vírus Epstein-Barr;
  • Mycoplasma pneumoniae;
  • Mutações genéticas de elementos que compõe o sistema complemento;
    • Geram a ativação descontrolada do sistema complemento;
  • Complicação rara, porém, algumas vezes, fatal, de transplante de medula óssea;
  • Medicamentos antineoplásicos;
    • Mitomicina;
    • Gencitabina;
    • Cisplatina;
    • Bleomicina;
    • Inibidores de VEGF.

Quadro Clínico Geral da SHU

Essa síndrome caracteriza-se por anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal. Outros sinais e sintomas comuns são dispneia, fraqueza, fadiga, oligúria e púrpura, muitas vezes relacionada ao quadro anêmico.

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