Anúncio

Síndrome do túnel do tarso: sintomas, diagnóstico e tratamento da compressão do nervo no tornozelo

Pessoa segurando a região interna do tornozelo durante uma atividade física, representando dor associada à síndrome do túnel do tarso.

Índice

ÚLTIMAS VAGAS - SÓ ATÉ 22/04

Escolha a Pós que te acompanha de perto com condição especial + brindes exclusivos

*Consulte condições

Dias
Horas
Min

A síndrome do túnel do tarso é uma neuropatia compressiva que acomete o nervo tibial posterior ou seus ramos na região medial do tornozelo. Em outras palavras, ela acontece quando estruturas ao redor do tornozelo comprimem o nervo dentro de um espaço anatômico estreito, chamado túnel do tarso. Como consequência, o paciente pode sentir dor, queimação, formigamento, dormência ou sensação de choque na planta do pé, no calcanhar e, em alguns casos, nos dedos.

Embora muitas pessoas associem dor no pé apenas a fascite plantar, esporão de calcâneo ou sobrecarga mecânica, a compressão nervosa também pode explicar sintomas persistentes. Por isso, o reconhecimento da síndrome do túnel do tarso tem grande importância na prática clínica, principalmente quando o paciente apresenta dor com características neuropáticas, piora ao caminhar ou permanecer em pé e melhora parcial com repouso.

O que é a síndrome do túnel do tarso?

O túnel do tarso fica na parte interna do tornozelo, atrás do maléolo medial. Essa região funciona como uma passagem estreita para tendões, vasos sanguíneos e nervos. O nervo tibial posterior atravessa esse espaço e, logo depois, divide-se em ramos que seguem para a planta do pé.

Quando ocorre compressão nesse trajeto, o nervo passa a conduzir os estímulos de maneira anormal. Assim, surgem sintomas sensitivos, como formigamento, dormência, ardência, queimação e choques. Em quadros mais avançados, o paciente também pode apresentar fraqueza de músculos intrínsecos do pé, embora esse achado apareça com menor frequência.

A síndrome do túnel do tarso se assemelha, em conceito, à síndrome do túnel do carpo. No entanto, em vez de afetar o punho e a mão, ela compromete o tornozelo e o pé. Ainda assim, as duas condições envolvem compressão nervosa em um túnel anatômico limitado.

Na imagem abaixo observa-se a anatomia do túnel do tarso:

Fonte: UpToDate, 2026.

Principais causas da compressão do nervo no tornozelo

A compressão do nervo tibial pode surgir por diferentes motivos. Em alguns pacientes, uma alteração estrutural reduz o espaço dentro do túnel do tarso. Em outros, processos inflamatórios, traumas ou alterações biomecânicas aumentam a pressão sobre o nervo.

Entre as causas possíveis, destacam-se:

  • Trauma no tornozelo
  • Fraturas
  • Entorses
  • Cicatrizes
  • Varizes
  • Cistos
  • Massas locais
  • Tenossinovites
  • Alterações ósseas
  • Edema
  • E deformidades do pé.

Além disso, o pé plano valgo pode aumentar a tensão sobre o nervo tibial e favorecer sintomas, especialmente durante a marcha.

Doenças sistêmicas também podem contribuir. Diabetes, artrites inflamatórias, obesidade, hipotireoidismo e condições que aumentam retenção de líquido podem tornar o nervo mais vulnerável. Portanto, a avaliação clínica precisa considerar tanto fatores locais quanto fatores gerais de saúde.

Ainda assim, alguns pacientes não apresentam uma causa evidente. Nesses casos, o médico investiga o padrão dos sintomas, o exame físico e os exames complementares para confirmar a hipótese e afastar diagnósticos semelhantes.

Sintomas da síndrome do túnel do tarso

A síndrome do túnel do tarso costuma causar sintomas na planta do pé e na região medial do tornozelo. O paciente pode relatar dor em queimação, formigamento, dormência, sensação de agulhadas ou choques. Além disso, os sintomas podem irradiar para o arco plantar, calcanhar e dedos.

Geralmente, o desconforto piora com longos períodos em pé, caminhadas, corridas ou uso de calçados inadequados. Por outro lado, o repouso pode aliviar parcialmente os sintomas. Entretanto, em casos mais persistentes, a dor também pode incomodar à noite ou durante o descanso.

Outro ponto importante envolve a localização da dor. Na fascite plantar, por exemplo, o paciente costuma sentir dor mais intensa na região inferior do calcanhar, principalmente nos primeiros passos pela manhã. Já na síndrome do túnel do tarso, a dor costuma ter caráter neuropático e pode seguir o trajeto do nervo. Portanto, a descrição do sintoma ajuda muito no raciocínio diagnóstico.

Além disso, alguns pacientes referem sensação de pé “adormecido” ou perda de sensibilidade em áreas da planta. Em quadros prolongados, pode ocorrer dificuldade para sustentar atividades repetitivas, caminhar por distâncias maiores ou usar determinados sapatos.

Como o médico avalia a dor no tornozelo e no pé?

A avaliação começa com uma história clínica detalhada. O médico investiga quando os sintomas começaram, quais atividades pioram a dor, se houve trauma, se existe formigamento, se a dor irradia e se há doenças associadas. Além disso, ele pergunta sobre rotina de atividade física, tipo de calçado, alterações no formato do pé e tratamentos prévios.

Depois, o exame físico busca identificar sinais de compressão nervosa e outras causas de dor no retropé. O médico avalia sensibilidade, força, reflexos, mobilidade do tornozelo, alinhamento do pé, presença de edema, pontos dolorosos e alterações vasculares.

Um teste comum no exame físico é a percussão sobre o trajeto do nervo tibial, na região medial do tornozelo. Quando essa manobra provoca choque, formigamento ou irradiação para a planta do pé, ela sugere irritação nervosa. Esse achado recebe o nome de sinal de Tinel. No entanto, o teste não confirma sozinho o diagnóstico. Portanto, ele precisa entrar no conjunto da avaliação.

Além disso, o médico deve pesquisar diagnósticos diferenciais, como fascite plantar, tendinopatias, neuropatia periférica, radiculopatia lombar, fraturas por estresse, artrites, dor vascular e outras causas de dor no pé. Essa etapa evita tratamentos inadequados e aumenta a precisão da conduta.

Diagnóstico da síndrome do túnel do tarso

O diagnóstico da síndrome do túnel do tarso combina história clínica, exame físico e, quando necessário, exames complementares. Como os sintomas podem se parecer com outras condições, o médico precisa avaliar o contexto completo.

A eletroneuromiografia pode ajudar a identificar alterações na condução nervosa. Entretanto, o exame pode apresentar limitações, especialmente em casos leves ou intermitentes. Por isso, um resultado normal não exclui totalmente a síndrome quando a suspeita clínica permanece forte.

Exames de imagem também podem contribuir. A ultrassonografia pode avaliar estruturas próximas ao túnel, tendões, massas, cistos, varizes e sinais de compressão. Já a ressonância magnética pode detalhar partes moles, alterações ósseas, inflamações e lesões expansivas. Portanto, o médico escolhe o exame conforme a suspeita clínica.

Além disso, radiografias podem ajudar quando existe suspeita de deformidades, alterações ósseas, sequelas de trauma ou desalinhamentos. Assim, a investigação não busca apenas confirmar a compressão nervosa, mas também identificar a causa da compressão.

Tratamento conservador

O tratamento inicial costuma envolver medidas conservadoras, principalmente quando não há massa compressiva evidente ou déficit neurológico progressivo. O objetivo é reduzir a irritação do nervo, controlar a dor e corrigir fatores mecânicos associados.

Em primeiro lugar, o médico pode orientar redução temporária de atividades que pioram os sintomas. Isso não significa repouso absoluto, mas sim ajuste de carga. Além disso, calçados adequados, palmilhas e suporte para o arco plantar podem ajudar pacientes com alterações biomecânicas, como pé plano.

A fisioterapia também tem papel importante. O tratamento pode incluir controle de dor, mobilidade do tornozelo, fortalecimento, alongamentos, treino de marcha e ajustes funcionais. Além disso, técnicas voltadas para deslizamento neural podem entrar no plano terapêutico quando o profissional identifica indicação.

Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios podem ajudar em alguns casos, especialmente quando existe componente inflamatório associado. Entretanto, dor neuropática persistente pode exigir outras classes de medicamentos, sempre com prescrição e acompanhamento médico.

Em algumas situações, infiltrações podem reduzir inflamação local e aliviar sintomas. Porém, o médico precisa avaliar a indicação com cautela, considerando a causa da compressão, o tempo de sintomas e os riscos do procedimento.

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico pode entrar em discussão quando o paciente apresenta sintomas persistentes apesar do tratamento conservador adequado, quando existe uma causa estrutural compressiva ou quando surgem déficits neurológicos progressivos.

A cirurgia busca descomprimir o nervo tibial posterior e seus ramos dentro do túnel do tarso. Para isso, o cirurgião libera estruturas que aumentam a pressão sobre o nervo e, quando necessário, trata lesões associadas, como cistos ou massas locais.

No entanto, a indicação cirúrgica exige avaliação criteriosa. O resultado depende de fatores como causa da compressão, tempo de sintomas, gravidade da lesão nervosa, presença de doenças associadas e precisão do diagnóstico. Portanto, o paciente deve discutir riscos, benefícios e expectativas reais com o especialista.

Além disso, a reabilitação pós-operatória influencia a recuperação funcional. O acompanhamento pode incluir controle de dor, proteção inicial, retorno progressivo à marcha e fisioterapia conforme orientação médica.

Chamada para Pós em Medicina de Emergência

Conheça a Pós em Medicina de Emergência da Sanar e aprofunde sua prática clínica no diagnóstico e condução das principais queixas musculoesqueléticas.

O que acontece quando o paciente não trata?

A evolução varia. Alguns pacientes apresentam sintomas leves e intermitentes, enquanto outros desenvolvem dor persistente e limitação funcional. Quando a compressão permanece por muito tempo, o nervo pode sofrer irritação crônica. Assim, a dormência, a queimação e o formigamento podem se tornar mais frequentes.

Além disso, quadros prolongados podem dificultar caminhadas, prática esportiva e permanência em pé. Em casos mais graves, a função muscular do pé pode sofrer impacto. Por isso, sintomas persistentes merecem avaliação médica, principalmente quando envolvem perda de sensibilidade, piora progressiva ou dor neuropática intensa.

Referências bibliográficas

Compartilhe este artigo:

Uma pós que te dá mais confiança para atuar.

Conheça os cursos de pós-graduação em medicina da Sanar e desenvolva sua carreira com especialistas.

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀