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SER MÉDICO: 8 dicas para manter uma alimentação saudável no dia-a-dia | Colunistas

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Como
em todas as ciências não exatas, é comum vermos dissonâncias na ciência
nutricional. Sobremaneira, são publicados novos estudos (seja em revistas, seja
em redes sociais) contraditórios entre si acerca da melhor forma de nutrição.
Porém, o maior empasse encontra-se na praticidade, na possibilidade de aplicar
uma vertente ou outra no dia-a-dia profissional.

A
respeito das vertentes, é comum, mesmo entre a comunidade médica, a falta de
consenso e adesão às propostas. Um dos maiores consensos, nesse sentido, é que
os médicos têm determinada opinião quanto à dieta, repassam aos pacientes e, no
entanto, não a segue em sua rotina. São diversos os motivos, desde a falta de
autocuidado até a impossibilidade real de ter uma rotina alimentar balanceada,
como nos casos de plantonistas.

Pensando nisso, fizemos o possível para trazer dicas práticas e acessíveis somadas à desmitificação de alguns temas e ao esclarecimento de problemas frequentes entre profissionais da área da saúde. Ainda assim, muitas sugestões são úteis a outras profissões e à população geral. Confiram!

fonte: https://bebang.com.br/plano-alimentar-exemplar-gastando-pouco/

1.
Cuidado com dietas da moda

“Dieta paleolítica, low carb, jejum intermitente, dieta da proteína, dieta do tipo sanguíneo, dieta do suco, dieta do hcg” etc. A maioria dessas dietas tem como público alvo mulheres em busca da perda de peso.

fonte: http://www.beachdeluxe.com.br/cuidado-com-as-dietas-da-moda/

Apesar
de algumas terem embasamento científico, outras foram consagradas pelo uso, os
vulgos modismos. Embora soe redundante falar de modismo e ciência para médicos,
sabemos que muitos aderem e recomendam as ditas “dietas da moda”. Além disso,
muitos médicos são responsáveis pela criação e/ou divulgação de algumas delas.

A maior parte dos modismos inclui dietas restritivas. É indispensável ressaltar a não necessidade da restrição alimentar em pessoas saudáveis. Essas restrições são recomendadas a processos de intolerância orgânica, quando determinado nutriente é rejeitado pelo corpo ou causa algum prejuízo. Exemplo:

RESTRIÇÃO

Glúten

Carboidrato

Lactose

INDICAÇÃO

Doença celíaca

Diabetes, resistência insulínica

Intolerância
a lactose

A
restrição visando o emagrecimento pode ser eficaz, porém, é um risco realizá-la
sem o acompanhamento de um nutricionista.

Farias
et al. demonstraram em estudo transversal a composição de macronutrientes em
dietas da moda publicadas em revistas não científicas. Foram analisadas 12
dietas, as quais variaram de 700 a 1700 kcal por dia. Apenas 2 das 12
apresentaram quantidade recomendada de macronutrientes, evidenciando o
baixíssimo impacto nutritivo.

A
curto prazo, as dietas restritivas podem apresentar eficácia no emagrecimento,
todavia, são de difícil aplicação a longo prazo no âmbito nutritivo e no âmbito
psicológico. A dificuldade de constância favorece a ocorrência do efeito
sanfona, o qual gera aumento da atividade inflamatória e problemas
cardiovasculares.

No
âmbito mental, não manter essas dietas aumenta a insatisfação pessoal,
fomentando pensamentos autodepreciativos e transtornos psíquicos. Farah et al.
publicaram estudo que expõe a associação entre dietas restritivas e os
transtornos alimentares, como a compulsão alimentar e a bulimia.

Independente
do objetivo, a subnutrição causada pela baixa ingesta de macronutrientes,
o efeito sanfona e os transtornos mentais e alimentares
jamais favorecerão a saúde.

Em
todos os casos, a melhor solução é buscar orientação profissional!

2. Cuidado com a ortorexia

Embora
não seja considerada um transtorno alimentar (TA), a ortorexia consiste num
comportamento patológico com base na obsessão por uma alimentação saudável e
“pura”. Seu público alvo, segundo Martins et al., segue a ordem: estudantes de
medicina, médicos, nutricionistas e pessoas com transtornos ansiosos.

O
estabelecimento dessa obsessão vai além da composição biológica do alimento. Na
ortorexia, é muito presente a interação biopsicossocial do sujeito com a
comida, motivada por fatores religiosos, filosóficos e, por fim, biológicos.

Os
principais sintomas são: fixação pela alimentação acima dos prejuízos à saúde,
presença de traços fóbicos e obsessivos e insatisfação com a própria condição.

A
ortorexia dista muito de uma alimentação saudável. Apesar de não ser um TA, é
um comportamento patológico e necessita de intervenção médica ou
psicoterapêutica. Atente-se aos sinais e, se preciso, procure ajuda.

3.
Síndrome de Burnout e alimentação

A
síndrome de Burnout tem alta prevalência entre profissionais e estudantes da
saúde, especialmente na área médica. Sua definição pode ser resumida, simploriamente,
a “esgotamento físico e mental e exaustão emocional”. A principal causa é a
exposição prolongada a fatores estressores e privação de descanso.

Nesse
sentido, é comum que o indivíduo em exaustão mental deixe de desempenhar
atividades básicas, como se alimentar. Não obstante, a alimentação regular e
balanceada consiste em uma das medidas preventivas da síndrome.

Em
casos como esse, é recomendada, além da realização do tratamento adequado, a
utilização de recursos que ajudem a lembrar dos horários das refeições e uma
dieta de fácil acesso durante o dia-a-dia, como nuts e barrinhas de
cereal.

4.
Durante o plantão

Em
primeiro lugar, a Lei Trabalhista (CLT), artigo 71, indica que qualquer
trabalho contínuo terá a concessão obrigatória de 1 hora de intervalo; a
legislação trabalhista médica, Lei nº 3.999/61, artigo 8º, determina que a cada
10[CM1] 
minutos de trabalho, o médico tem direito a 10 minutos de intervalo.

Sabendo
desses direitos, é preciso que o médico em plantão tenha um planejamento
alimentar prévio.

Especialistas
separaram algumas dicas para a melhor eficácia dos plantões, dentre as quais: não
comer a fim de se manter desperto
, pois o excesso alimentar aumenta a
sonolência; evitar carboidratos simples, pois têm baixa duração de
efeito energético e estimulam a produção de melatonina; e, por fim, tomar
bebidas estimulantes além do café, como os chás, porém, sem provocar
superestimulação do SNC.

5.
Beba água

fonte: https://saude.abril.com.br/alimentacao/6-motivos-para-beber-mais-agua/

Não
há como desvincular uma alimentação saudável do consumo ideal de água (média
diária de 2L).

A
água participa de todas as reações metabólicas do corpo humano. Para que os
nutrientes sejam extraídos dos alimentos, é indispensável que a hidratação seja
suficiente.

Ademais,
a ingesta hídrica modula a saciedade, pois muitas vezes confundimos sede e
fome. Desse modo, o simples ato de tomar água regularmente pode ajudar na
adequação alimentar e reduzir compulsões.

6.
O que não comer

Segundo
o Ministério da saúde, é recomendado evitar alimentos processados e ultraprocessados.
Por alimentos processados entende-se alimentos em meios de conserva, como os
enlatados. Já os ultraprocessados são aquele que passaram por incontáveis
transformações industriais, como os refrigerantes. Esses alimentos são
especialmente nocivos à saúde cardiovascular, por elevarem os níveis
pressóricos, glicêmicos e o colesterol.

Os
alimentos refinados, como farinha branca e açúcar refinado, também são
outro grupo a se evitar. Eles têm menor índice glicêmico, favorecem a compulsão
alimentar, obesidade e vício.

7. O que comer

fonte: https://docctormed.com.br/tag/dicas-de-alimentacao/

A
primeira recomendação do Ministério da Saúde é o consumo de alimentos in
natura
, ou seja, aqueles que não foram expostos a conservantes ou passaram
por modificações industriais.

São
exemplos de alimento in natura as frutas, os vegetais, os legumes. Também
há os alimentos minimamente processados, como as castanhas, frutas secas,
tubérculos.

São
recomendados, ainda, os alimentos integrais, como arroz e pães
integrais. Eles possuem maior quantidade de fibras, as quais elevam o índice
glicêmico do alimento e facilitam os processos digestivos.

Outra
recomendação é que seja escolhido um alimento de cada grupo para compor as
grandes refeições, por exemplo, uma proteína, um carboidrato e uma fibra.

Carboidratos:
arroz integral, macarrão integral, batata doce, mandioca.

Proteínas:
carne bovina, frango, ovos, proteína de soja.

Fibras:
alface, agrião, couve, abóbora.

8.
Planejamento

Em
todas as rotinas atribuladas ou corridas, o planejamento é a dica mais
fundamental para uma alimentação de qualidade.

O
primeiro passo será durante as compras. Faça listas antes de ir ao mercado, priorize
alimentos naturais e compre exemplares dos diversos grupos alimentares.

A
respeito dos alimentos processados ou ultraprocessados, tente reduzir a lanches
necessários durante o dia, como iogurtes, barrinhas de cereal e biscoitos
integrais.

Para
as refeições principais, é possível fazer marmitas uma vez por semana e
congelar para os demais dias ou fazê-la no dia anterior e levar para o ambiente
de trabalho.

Ao
almoçar em casa, é ideal estabelecer o que será o cardápio. É válido e prático
escrever opções para cozinhar nos diferentes dias da semana para que a
variedade de nutrientes seja estabelecida e otimizar o tempo do preparo.

Por
fim, associe alimentos saudáveis e agradáveis ao paladar. Não é necessário
basear a dieta em comidas que causem repulsa. Além disso, é muito importante
ficar atento ao equilíbrio entre saúde física e mental.

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